sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Setembro de 2012

No mês de setembro, o Ambiente Econômico apresenta como destaques as ações do governo para estimular o crescimento econômico, face às projeções que apontam para redução do PIB em 2012, a inflação que continua alta, o arrefecimento na geração de empregos no país, e os dados publicados pela PNAD / IBGE para o período 2009-2011. No âmbito internacional, as previsões são de que os efeitos da crise devem durar por, pelo menos, uma década.

  • Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, prevê aumento da inflação e redução do PIB em 2012: Segundo o Relatório Trimestral de Inflação da autoridade monetária, referente ao 3º trimestre de 2012, o IPCA ficará em 5,2% neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 4,7%, e em 4,9% em 2013, abaixo das contas anteriores, de 5%. A chance de a inflação estourar o teto da meta oficial - de 6,5% pelo IPCA - é de 3% em 2012 e de 13% no ano que vem. O Banco Central também reduziu a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano de 2,5% para 1,6%, e avaliou ainda que a política fiscal do governo "se desloca de uma posição de neutralidade para ligeiramente expansionista".
  • Boletim Focus reduz estimativa do PIB em 2012 para 1,57%: De acordo com o último Boletim Focus de setembro, o Banco Central reduziu pela 2ª vez consecutiva a previsão do PIB para 2012, de 1,64% no início do mês, para 1,57% no final de setembro. Para 2013, a projeção se manteve, pela 8ª semana seguida, em 4,00%.
  • Produção Industrial brasileira cresce 1,5% em agosto: Em agosto, a Produção Industrial cresceu 1,5% frente a julho, na série com ajuste sazonal, 3º resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando nesse período crescimento de 2,3%. Em relação a igual mês do ano passado, a indústria apontou queda de 2,0%, 12ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, mas a menos intensa desde dezembro último (-1,3%). No índice acumulado nos oito meses de 2012, observou-se recuo de 3,4% frente a igual período do ano anterior.
  • Governo anuncia redução nas tarifas de energia elétrica com o objetivo de garantir maior competitividade para a economia brasileira: O Governo Brasileiro anunciou a redução das tarifas de energia elétrica de 16% a 28% para os consumidores e a renovação antecipada das concessões de energia, com o objetivo de garantir maior competitividade da economia brasileira. A queda na tarifa é resultado da renovação das concessões que vencem a partir de 2015, da redução de encargos setoriais e do aporte pela União de R$ 3,3 bilhões. "Essas medidas representarão aumento do poder aquisitivo da população brasileira. As decisões de agora constituem uma das mais arrojadas iniciativas para impulsionar o desenvolvimento do Brasil", disse o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, em cerimônia no Palácio do Planalto. A redução do preço da energia ocorrerá a partir de 2013 por meio da antecipação da renovação das concessões e redução de encargos setoriais. Segundo o Ministro, a cobrança da Reserva Global de Reversão (RGR) e a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) serão eliminadas. Já a Conta de Desenvolvimento Energético ficará reduzida a 25% do valor atual. Para os consumidores de alta tensão, como a indústria, a redução vai de 19,4% a 28%. Segundo o Ministro, a redução média do custo de energia para todos os brasileiros será de 20,2%. Isso foi possível porque a eliminação ou redução de encargos setoriais nas contas de luz representará um desconto de 7%, enquanto a renovação das concessões equivalerá a um corte médio de 13,2% nas tarifas. Para Lobão, a expressiva redução do custo da energia terá forte impacto na economia, dando competitividade à indústria e ao comércio, gerando empregos.
  • Governo publica Medida Provisória que desonera serviços e indústria: Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Medida Provisória (MP) 582 que desonera alguns setores industriais e de serviços e permite a depreciação de bens de capital para a apuração do Imposto de Renda. Com relação à desoneração, a MP altera a incidência das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas de mais de 25 setores. Quanto à depreciação de bens de capital para a apuração do Imposto de Renda, a MP permite que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real tenham direito à depreciação acelerada, calculada pela aplicação adicional da taxa de depreciação usualmente admitida, sem prejuízo da depreciação contábil das máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia anunciado que empresas que comprassem máquinas e equipamentos ainda este ano receberiam esse incentivo tributário que, na prática, permite reduzir o pagamento de impostos a curto prazo. A MP define que a depreciação acelerada aplica-se aos novos bens, adquiridos entre 16 de setembro e 31 de dezembro deste ano. A apuração da depreciação por esses novos critérios será feita a partir de 1º de janeiro de 2013. 
  • Economista-chefe do FMI prevê que crise vai durar até 2018: O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, acredita que será preciso uma década para superar a crise financeira e econômica que começou em 2008, e adverte que reduzir demais a dívida pode afogar a economia. "Ainda não podemos falar de uma década perdida, mas desde a explosão da crise, deverá passar, pelo menos, dez anos para que a economia mundial saia dela". O responsável pelo FMI explicou que o elevado nível da dívida em muitos países da Europa é algo perigoso, porque poderia levar os Estados a terem que declarar falta de pagamentos. "É inquestionável que devemos reduzir a dívida", afirma. Neste sentido, o economista pede que cada país encontre seu ritmo adequado para reduzir a dívida e adverte que se a velocidade baixar muito, poderá afogar a economia. Ao mesmo tempo, o economista disse que "não é somente necessário, mas aconselhável que a inflação da Alemanha seja mais alta", o que aumentaria os salários reais da população e, assim, seu poder aquisitivo. Se o Banco Central Europeu (BCE) quer manter seu objetivo para a inflação em 2% enquanto os ajustes são aplicados, nos países centrais o percentual deveria ficar acima desse marcador, enquanto na periferia européia teria que estar abaixo. Segundo Blanchard, esta política não representa provocar uma hiperinflação, já que o equilíbrio será mantido "graças às condições gerais da demanda e o compromisso do BCE com a estabilidade dos preços". Com relação à Zona do Euro, Blanchard considera importante que seja realizada a união fiscal e bancária para decidir "dar um passo para frente ou para trás. O fato é que não dá para seguir da mesma maneira que está agora. Não acho que haja alguém que queira dar um passo para trás", ressaltou. Blanchard também lembra que, apesar da atenção estar voltada para os problemas da Europa, outras regiões do mundo também enfrentam grandes desafios. Os problemas orçamentários dos EUA, os ajustes nas contas públicas japonesas e o arrefecimento do crescimento na China são alguns dos problemas mencionados pelo economista do FMI.
  • Mercado reduz projeção da SELIC para 2013: O mercado vem mudando um pouco as projeções feitas com relação à SELIC, tanto para 2012, quanto para 2013. Para 2012, o último Boletim Focus de setembro aponta a SELIC fechando o ano em 7,50%, ou seja, mantendo o atual patamar decidido na última reunião do COPOM. Dessa forma, estima-se que na próxima reunião a taxa seja mantida, e não diminuída, como se esperava anteriormente (até porque a inflação está pressionada). Para 2013, o mercado estima a SELIC em 8,00%, meio ponto percentual abaixo da última previsão, que era de 8,50%. Portanto, o mercado prevê aumento de meio ponto percentual no decorrer de 2013, e não mais de 1,25 ponto percentual como projetado em agosto. É importante reiterar que a inflação aumentou no mês de setembro, confirmando a tendência que este boletim e o próprio mercado têm apresentado de que a inflação irá fechar próximo de 5,50% em 2012, o que pode mudar as análises até então consideradas sobre a redução da SELIC (em outras palavras, pode-se iniciar um novo ciclo de aumento, mesmo que em pequenas proporções). O aumento da taxa é praticamente certo; a dúvida é se acontecerá ainda neste ano.
  • Dólar fecha setembro a R$ 2,0306: O Dólar encerrou o mês de setembro em R$ 2,0306, redução de -0,24% em relação a agosto. Com isso, o ganho anual caiu de 8,66% para 8,50%. O Euro fechou o mês em R$2,6109. Especificamente com relação ao Dólar, a cotação final de setembro continua se mantendo dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de setembro, está em R$ 2,00. Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,00.
  • IPCA de setembro fica em 0,57%: Índice que mede a inflação oficial brasileira mostrou aceleração em setembro, quanto comparado com agosto: 0,57%, ante 0,41% no mês passado. Trata-se da maior variação para o mês de setembro desde 2003. Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 3,77%, ainda abaixo dos 4,97% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 5,28%, acima dos 5,24% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, e cada vez mais distante do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de setembro, é que o IPCA encerre 2012 em 5,36% (alta de 0,16 ponto percentual em relação à projeção feita no início do mês). E para 2013, a projeção é de 5,48%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continua como o principal vilão da inflação: O aumento nos preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,88% em agosto para 1,26% em setembro) causou impacto de 0,30 ponto percentual no IPCA, com destaque para a batata inglesa, a cebola e a mandioca. Os grupos ‘Habitação’ e ‘Despesas Pessoais’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês (0,10 e 0,08 pontos percentuais, respectivamente). Já o grupo ‘Transportes’ apresentou redução de -0,08% em setembro, impacto de -0,02 no IPCA.
  • IGP-M desacelera um pouco em setembro e fica em 0,97%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, desacelerou em setembro, e atingiu 0,97% no mês, frente a 1,43% verificado em agosto, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No ano, o IGP-M acumula alta de 7,0945% e de 8,0705% nos últimos 12 meses. As projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de setembro, apontam aceleração do IGP-M para 2012, de 8,03% (início do mês) para 8,60% (final do mês); para 2013, a projeção saltou de 5,01% (início do mês) para 5,38% (final do mês).
  • Inadimplência do cartão de crédito subiu para 28,05% em agosto: A inadimplência das pessoas físicas no cartão de crédito cresceu pelo 2º mês seguido, para 28,05% em agosto, segundo o Banco Central. No mês anterior, estava em 27,99%. O estoque das dívidas no cartão ficou estável em agosto em relação a julho e apresenta crescimento de 5% no ano e 9,1% em 12 meses, para R$ 37,422 bilhões.
  • Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) aponta que 41% dos brasileiros estavam inadimplentes em agosto: No mês de agosto, 41% dos consumidores brasileiros estavam ou ficaram impossibilitados de fazer compras a prazo por terem tido seus nomes incluídos no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), segundo pesquisa nacional realizada pelo próprio SPC. Apesar desse universo incluir pessoas da classe A e B, o estudo mostra que os brasileiros das classes C e D são os que mais sofrem com a situação da inadimplência. Entre os motivos estão a falta de planejamento financeiro e a dificuldade de avaliar o quanto efetivamente pagam quando fazem compras parceladas. A pesquisa aponta uma relação direta entre renda e escolaridade, sendo que quanto maior a renda mensal per capita, maior o nível de instrução. O economista da SPC Brasil, Nelson Barrizzelli, disse que um dos fatores que evitariam a inadimplência seria o conhecimento dos juros embutidos nos financiamentos. "Em casos como o do cartão de crédito e dos juros do cheque especial, os custos cobrados ao final superam em muito os do principal utilizado. Um conhecimento efetivo sobre esses juros evitaria que as famílias se tornassem inadimplentes pelo uso inadvertido desses instrumentos de crédito", afirmou o economista.
  • País gerou 100.938 empregos formais em agosto: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de agosto, 100.938 novas vagas de emprego com carteira assinada. Embora em crescimento, os resultados deste mês apontam perda de dinamismo na criação de empregos no Brasil. No acumulado do ano, foram gerados 1.373.803 novos postos de trabalho. Em termos setoriais, os dados mostram que os Serviços foram os que registraram maior número de novas vagas em agosto (+54.323 postos). O Comércio gerou 31.347 novos postos, a Indústria da Transformação 16.438 novos postos, e a Construção Civil gerou 11.278 novos postos. A Agricultura, por motivos sazonais, foi o único setor que registrou queda no emprego (-16.615 postos).
  • Expansão da renda média impulsiona queda da desigualdade social no Brasil: A expansão do mercado de trabalho no Brasil aliada a um incremento de mais de 8% na renda mensal entre 2009 e 2011, em pleno período após o estouro da crise econômica mundial, impulsionaram a redução nos níveis de desigualdade social no País. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal real dos brasileiros cresceu 8,3% em 2011 em relação a 2009, atingindo R$ 1.345,00. O maior aumento foi nas classes de trabalhadores com os rendimentos mais baixos, 29,2% na faixa até R$ 186 por mês, 27% na faixa até R$ 447 mensais, 12,4% até R$ 545 e 13,6% na faixa de R$ 616 ou mais. Com a redução da desigualdade social, o índice Gini brasileiro melhorou, caindo de 0,518 para 0,501 (o indicador utilizado internacionalmente varia de 0, situação de perfeita igualdade, a 1, situação de desigualdade máxima). Na região Norte do Brasil foi registrado o contrário das demais áreas do País, com as classes mais baixas perdendo renda, e os 20% mais ricos ampliando a concentração e contribuindo para a elevação dos níveis de desigualdade. No cenário mais geral da pesquisa, apesar da evolução, o Brasil segue ainda muito desigual. Em 2011, segundo o IBGE, os 10% mais ricos concentravam 41,5% dos rendimentos da população ocupada. Em 2009, essa faixa da população acumulava 42,5% da renda. Já os 10% mais pobres detém somente 1,4% dos rendimentos em 2011, em comparação a 1,2% em 2009. Segundo as informações da PNAD, os trabalhadores com carteira assinada tiveram ganho real de 4,9% em relação a 2009, passando a receber mensalmente, em média, R$ 1.303,00. Os militares e estatutários e outros, sem carteira assinada, também tiveram acréscimo de 6,2% e 11,6%, respectivamente. Ainda de acordo com o IBGE, para os trabalhadores domésticos com registro formal em carteira de trabalho, houve um incremento de 5,2% em média na renda mensal de 2009 para 2011. Para os trabalhadores sem vínculo formal em carteira, o avanço na renda mensal foi 15,2% em média. Na análise por gênero, segundo as informações do IBGE, o rendimento médio das mulheres foi de R$ 997,00 em comparação aos R$ 1.417,00 dos homens, com as mulheres ganhando em média o equivalente a 70,4% do rendimento dos homens. Houve ligeira melhora da diferença entre a remuneração média em relação a 2009, quando a proporção nessa mesma base de comparação era de 67%. Entre os homens, só 22% recebiam até um salário mínimo, enquanto entre as mulheres o percentual se aproxima de um terço, cerca de 31,4%. O IBGE pondera, no entanto, que não se trata de discriminação no mercado de trabalho, uma vez que são comparados dados gerais e não são comparados dados referentes a homens e mulheres que estão no mercado de trabalho, com as mesmas condições, carga horária e função, o que torna impossível uma comparação para efeitos estatísticos. O IBGE aponta ainda, segundo os dados compilados na PNAD, que o rendimento médio mensal dos domicílios brasileiros ficou em R$ 2.419 em 2011, com um ganho real de 3,3% em relação a 2009. Segundo o instituto, esse aumento foi verificado em todas as regiões. O maior crescimento foi no Centro-Oeste (6,6%), também o local com maior remuneração media, na faixa de R$ 2.936,00. A região Nordeste teve a menor variação no ganho mensal, de aproximadamente 2%, e o menor valor médio do País, na casa de R$ 1.607. Em todas as classes houve crescimento de rendimento domiciliar. Esse movimento foi notado, segundo o IBGE, principalmente na camada da população com rendimentos mais baixos. A região Sul registrou queda do rendimento médio entre as 10% das pessoas mais ricas, cuja renda caiu 1,8%, passando de R$ 9.855,00 em média, para R$ 9.683,00. Na região Nordeste também foi repetido esse mesmo cenário.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Agosto de 2012

No mês de agosto, o Ambiente Econômico apresenta como destaque o resultado o PIB brasileiro do 1º semestre, demonstrando baixo nível de crescimento da economia. Por outro lado, a inflação continua apresentando sinais de alta, com crescimento de todos os índices. O Governo segue implementando medidas e programas com o intuito de estimular a economia, além de reduzir a taxa de juros básica SELIC mais uma vez.

  • PIB Brasil é de 0,4% no 2º trimestre de 2012: O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do 2º trimestre de 2012 teve variação positiva de 0,4% em relação ao 1º trimestre do ano, alcançando R$ 1,10 trilhão. Destaque para o setor Agropecuário (+4.9%). O setor de Serviços apresentou aumento de +0,7%, o Comércio se manteve estável (-0,1%) e a Indústria apresentou queda de -2,5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento do PIB foi de 0,5%. No 1º semestre de 2012, o PIB acumula expansão de 0,6%, e nos últimos 12 meses, o PIB apresenta expansão de 1,2%. A taxa de investimentos no 2º trimestre de 2012 foi de 17,9% do PIB, inferior à taxa referente à igual período do ano anterior (18,8%). Essa redução foi influenciada, principalmente, pela queda, em volume, da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no trimestre (que registrou redução de 3,7% puxada pela queda da produção interna de máquinas e equipamentos). A taxa de poupança ficou em 16,9% no 2º trimestre de 2012 (ante 19,0% no mesmo trimestre de 2011).
  • Estimativa para o PIB em 2012 cai para 1,64%: De acordo com o último Boletim Focus de agosto, o Banco Central reduziu pela 5ª vez consecutiva a previsão do PIB para 2012, de 1,85% no início do mês, para 1,64% no final de agosto. Para 2013, a projeção se manteve, pela 4ª semana seguida, em 4,00%.
  • Governo anuncia plano de concessões de rodovias e ferrovias de R$ 133 bilhões: O Governo anunciou um plano de concessões de rodovias e ferrovias com investimentos no montante de R$ 133 bilhões. Na cerimônia de lançamento, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Governo continuará induzindo o desenvolvimento do país, com a busca da melhoria da infraestrutura, para reduzir o chamado ‘Custo Brasil’ e tornar a economia mais competitiva. O Ministro dos Transportes, Paulo Passos, anunciou a criação da Empresa de Planejamento em Logística (EPL), e comparou a nova empresa ao antigo GEIPOT - que era responsável pelo planejamento dos investimentos em transportes. "Queremos resgatar as ferrovias brasileiras como alternativa de logística para o país e estamos trabalhando com a perspectiva de que não haja monopólio. A malha será compartilhada e, competitivamente, vai oferecer menores custos de transportes. A redução das tarifas é um dos resultados que se consegue ao fazer melhor uso", afirmou. O Ministro lembrou que o BNDES terá papel fundamental no financiamento dessas ferrovias em condições favoráveis. As taxas de financiamento devem ser TJLP mais até 1%, com carência de cinco anos, prazo de 25 anos e grau de alavancagem entre 65% e 80%.
  • Empresários ficaram confiantes com o plano de concessões de rodovias e ferrovias: O “choque de ânimo”, como nos bastidores foi chamada a reunião do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, com empresários, gerou o efeito esperado pelo Governo. Os 53 líderes da indústria e executivos de alto escalão saíram do encontro elogiando a “visão de longo prazo” apresentada pelo Palácio do Planalto ao anunciar a concessões de 7,5 mil Km de estradas e 10 mil Km de ferrovias para a iniciativa privada ao custo de R$ 133 bilhões em investimentos nos próximos anos. “A reunião foi uma injeção de ânimo nos empresários. Mostrou que há luz no fim do túnel e que a economia vai crescer em 2013”, afirmou ao sair da Fazenda o presidente da EMS, Carlos Eduardo Sanches. Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que antes de encontro afirmou que faltava confiança no empresariado para investir em infraestrutura, saiu dizendo que Mantega foi eficiente ao apresentar o cenário atual e futuro da economia nacional. “Tendo uma situação favorável, nós [empresários] vamos fazer as coisas [investir]”, disse. O otimismo também esteve na fala do diretor da fabricante gaúcha de autopeças DHB, Paulo Tigre. “Acho que funcionou [o choque de ânimo]. Dentro da realidade que estamos vivendo, precisamos de uma visão de longo prazo”, observou. “Ele (Mantega) não precisou pedir. Da forma como foi posto [o cenário futuro promissor para a economia brasileira] ficou implícito [os investimentos]”, afirmou. Pouco antes da reunião, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o pacote logístico como muito bom. Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, avaliou que o plano foi feito depois que o governo “identificou e apresentou os problemas, e encontrou soluções”. Eike Batista, controlador do grupo EBX, também comemorou o plano como “uma injeção de adrenalina na economia”. O presidente da Vale, Murilo Ferreira , também adotou tom otimista e sinalizou que a mineradora está conversando com investidores estrangeiros para entrarem em infraestrutura no país. O Ministro Mantega prometeu aos empresários que o governo apresentará uma nova rodada de desonerações fiscais em setembro. A principal pedida será a inclusão de novos setores da indústria na isenção de impostos incidentes sobre a folha de pagamento. O presidente da EMS, Carlos Eduardo Sanchez, afirma que o segmento farmacêutico será um dos beneficiados pelo regime diferenciado de tributação. A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) também negocia a entrada de novos produtos na lista. Outro setor que também pleiteia a desoneração é o alimentício.
  • COPOM reduz a taxa SELIC para 7,50% ao ano: O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu, de forma unânime, manter a trajetória de corte na taxa básica de juros (SELIC) em 0,5 ponto percentual, como esperado por quase a totalidade dos analistas do mercado financeiro. Essa foi a 9ª queda consecutiva da SELIC, processo este iniciado em agosto de 2011, e constitui-se no nível mais baixo da história do COPOM. Com isso, os juros básicos brasileiros caíram para 7,50%. O processo de redução na taxa básica de juros foi uma das formas encontradas pela equipe econômica do governo para tentar estimular o consumo e a concessão de crédito para aquecer a economia, que registra ritmo mais lento desde o 2º semestre de 2011, refletindo a crise no exterior. O próximo encontro do colegiado do Banco Central, para avaliar as condições da economia do país e definir o movimento da taxa de juros brasileira, acontecerá em 9 e 10 de outubro, e um novo corte (e talvez o último desse ciclo) da taxa de juros, de 0,25 ponto percentual, não está descartado pelos analistas do mercado financeiro. As reduções nos juros ajudam o país a economizar recursos com o custo da dívida pública do Governo Federal e das reservas internacionais, corrigidas pela taxa SELIC. Por outro lado, o economista e especialista em finanças públicas, Amir Khair, destaca que o movimento de corte na SELIC ainda tem um efeito muito restrito para ativar a economia, principalmente na redução dos juros do crédito direto ao tomador de recursos tanto para o consumo como para investimentos em produção e geração de emprego. “A redução de juros tem grande influência na parte fiscal porque com juros mais baixos o custo de carregamento da dívida federal e das reservas internacionais também recua. Essa economia pode ser utilizada para incrementar programas sociais e projetos de infraestrutura”, diz. Também um cálculo elaborado pelo coordenador de estudos econômicos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, aponta que uma redução da taxa básica de juros de 8% ao ano para 7,5% ao ano terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito. Isso ocorre porque que existe um deslocamento muito grande entre a taxa SELIC e os juros cobrados dos consumidores, que, em média, estão em cerca de 103% ao ano.
  • Mercado prevê alta da SELIC para 2013: O mercado prevê que o juro básico da economia brasileira ainda terá mais uma queda na próxima decisão do COPOM, até atingir o patamar inédito de 7,25% ao ano. O último Boletim Focus de agosto aponta a SELIC fechando o ano em 7,25%, e em 8,50% para 2013. Assim, o mercado prevê aumento de 1,25 ponto percentual no decorrer de 2013. É importante destacar que a inflação, no mês de agosto, continuou forte, e a tendência é que a inflação feche acima de 5,20% em 2012, o que pode mudar as análises até então consideradas sobre a redução da SELIC, ou talvez um aumento ainda neste ano na última reunião em novembro. O cenário atual, de inflação em alta e crescimento em baixa se justifica pela queda da produção industrial, o que faz com que os preços dos produtos aumentem pela queda na oferta, frente ao aumento da demanda, que é estimulada pelo governo (inflação de oferta).
  • Dólar fecha agosto a R$ 2,0310: O Dólar encerrou o mês de agosto em R$ 2,0310, redução de -0,68% em relação a julho. Com isso, o ganho anual caiu de 9,68% para 8,66%. O Euro fechou o mês em R$ 2,5620. Especificamente com relação ao Dólar, a cotação final de agosto continua se mantendo dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de agosto, está em R$ 2,00. Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,00.
  • IPCA de agosto fica em 0,41%: Índice que mede a inflação oficial brasileira voltou a apresentar forte elevação em agosto: 0,41%. Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 3,18%, ainda abaixo dos 4,42% verificados no mesmo período do ano passado. Entretanto, considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 5,24%, pouco acima dos 5,20% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, e distante do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de agosto, é que o IPCA encerre 2012 em 5,20%. E para 2013, a projeção é de 5,51%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continua como o principal vilão da inflação: O aumento nos preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,91% em julho para 0,88% em agosto) causou impacto de 0,21 ponto percentual no IPCA, com destaque para o tomate, a cenoura e o alho. Os grupos ‘Saúde e Cuidados Pessoais’, ‘Despesas Pessoais’ e ‘Habitação’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês (0,06; 0,04 e 0,03 pontos percentuais, respectivamente). Já o grupo ‘Comunicação’ apresentou redução de -0,01% em agosto, impacto de 0,00 no IPCA.
  • IGP-M acelera mais em agosto e fica em 1,43%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, voltou a se acelerar em agosto, atingindo 1,43% no mês, frente a 1,34% verificado em julho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou perto do teto do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro, que era de 1,31% a 1,61%, com mediana de 1,45%. No ano, o IGP-M acumula alta de 6,07%, e de 7,72% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de agosto, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 8,03%, e para 2013, a projeção é de 5,01%.
  • Inadimplência do consumidor desacelera, apesar de subir 7% em agosto: Segundo a SERASA Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou 7% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Porém, o ritmo de expansão anual foi menor. Em relação a julho de 2012, o indicador diminuiu 0,2%, a 3ª queda mensal consecutiva. No acumulado do ano até agosto, a inadimplência registra alta de 16,2%, abaixo do índice verificado em igual intervalo em 2011 (23,4%). Segundo os economistas da SERASA, a 3ª queda mensal consecutiva e o menor ritmo de expansão anual observado desde agosto de 2010 confirmam que a inadimplência do consumidor está perdendo fôlego. Eles atribuíram o movimento à redução das taxas de juros no crédito, à procura pela renegociação de dívidas, aos lotes recordes de restituição do Imposto de Renda e à antecipação da 1ª parcela do 13º salário aos aposentados e pensionistas, na última semana de agosto. As dívidas com bancos e os cheques sem fundos contribuíram para a queda mensal do indicador, com variações negativas de 1,3% e 2,9%, respectivamente. A queda do indicador não foi maior porque as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços) cresceram 1,5% em agosto sobre julho.
  • País gerou 142.496 empregos formais em julho: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de julho, 142.496 novas vagas de emprego com carteira assinada. O resultado é 1,37% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Em relação a junho deste ano, o aumento foi de 18,31%. No acumulado do ano, foram gerados 1.232.843 novos postos de trabalho. Em termos setoriais, os dados mostram que os Serviços foram os que registraram maior número de novas vagas em julho (+39.060 postos). A Construção Civil gerou 25.433 novos postos, a Indústria da Transformação 24.718 novos postos, a Agricultura 23.951 novos postos (a maior taxa de crescimento entre todos os setores e subsetores), e o Comércio 22.847 novos postos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Julho de 2012

No mês de julho, vários indicadores macroeconômicos brasileiros apresentaram piora nos seus resultados, em relação ao mês anterior. As projeções de crescimento da economia brasileira estão cada vez mais pessimistas, a inflação voltou a crescer, bem como a inadimplência, e o mercado de trabalho começa a dar os primeiros sinais de desaquecimento na geração de emprego. Os resultados econômicos dos países da Zona do Euro, apesar de todas as iniciativas, demonstram que a crise ainda pode piorar. E os mercados emergentes (em especial os outros países dos BRIC´s) também já demonstram sinais de desaquecimento econômico, preocupação para o Brasil, já que são atualmente importantes parceiros comerciais do país.

  • Estimativa para o PIB em 2012 cai para 1,85%: De acordo com o último Boletim Focus de julho, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2012, de 2,01% no início do mês, para 1,85% no final de julho. Para 2013, a projeção também caiu, de 4,20% no início do mês, para 4,00% no final de julho.
  • IPEA afirma que ‘crescimento da economia brasileira em 2012 é medíocre’: O crescimento da economia brasileira em 2012 tem sido “medíocre”, nas palavras do coordenador do Grupo de Análise e Previsões (GAP) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Roberto Messenberg. Ele comparou indicadores macroeconômicos de 2012, com resultados desfavoráveis, aos de 2011 e de 2010, e fez duras críticas à atual política econômica que, segundo ele, estaria centrada em lançar pacotes de medidas inseridas no “curto prazismo”, sem compromisso com o longo prazo – aliás, este também tem sido o tom de análise deste nosso boletim, já há algumas edições. O técnico cita como exemplo o Programa Brasil Maior: “Estamos perdendo o foco da política econômica, que está se tornando um emaranhado de políticas desconexas e pontuais, que não estão atuando em uma estratégia de longo prazo de crescimento”. Para ele, o governo deveria estar centrando esforços em buscar outro modelo que possa levar o país a uma trajetória de crescimento econômico sustentável. “Há claramente um esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo”, afirmou, lembrando que as estratégias norteadas pela demanda doméstica sustentaram as taxas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos anos. O novo modelo deveria ser sustentado por ações que apóiem o fortalecimento da fatia dos investimentos no PIB. No 1º trimestre do ano, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de 18,7% do PIB, abaixo da meta desejada pelo governo de superar a faixa dos 20% no ano. Ele observou que, historicamente, em momentos onde a conjuntura macroeconômica indica sinais negativos em várias frentes, o investimento público torna-se uma espécie de “tábua de salvação da economia”. Mas, em sua análise, além de não elevar investimentos no momento atual, o governo não está buscando o novo modelo. Tão pouco está idealizando estratégias para impulsionar investimentos da iniciativa privada. “Começamos a entrar em uma política, que eu realmente não entendo, que é de privilegiar superávits primários feitos em cima de cortes de investimentos”. Outro fator que contribui para a fraca expansão econômica atual é a perda de produtividade da Indústria da Transformação. O IPEA alertou sobre um perigoso descolamento entre os níveis de produtividade e a evolução dos salários reais, dentro da indústria. Isso, na prática, eleva o custo unitário do trabalho e onera mais ainda o setor industrial. Caso este descolamento prossiga, pode funcionar como mais um obstáculo à possibilidade de retomada da atividade industrial nos próximos meses – e, por conseqüência, ajudar a desacelerar ainda mais o ritmo de crescimento do PIB brasileiro. O técnico de planejamento e pesquisa do instituto, Leonardo Mello, afirmou que, para a atividade industrial não encerrar 2012 com taxa de variação negativa, seria preciso um crescimento mensal da ordem de 1,6% de junho a dezembro desse ano (algo que vem se mostrando cada vez mais improvável).
  • Ministro Mantega ainda acredita em crescimento acima de 3% para o 2º semestre de 2012: O Ministro afirmou que é possível um crescimento de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) anualizado no 2º semestre de 2012. "Estou olhando para o 2º semestre, o 1º foi fraco e no 2º semestre podemos crescer 3,5% a 4%. É claro que depende da atitude de todos". Questionado sobre uma projeção para o ano, Mantega afirmou que "continuaremos lutando para ter o maior PIB possível para este ano" e que "não estou aqui para fazer projeções de PIB". Mantega cobrou ajuda do setor empresarial, com investimentos, e dos bancos, com redução de spreads e aumento de crédito. "É preciso que o setor empresarial aumente investimentos, que o setor desperte o espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagem". Ou seja, traduzindo suas falas, percebe-se apenas uma boa intenção do Ministro em acreditar numa retomada do crescimento na 2ª metade do ano, e chama o empresariado a ser co-responsável por este desejo. Mas em termos objetivos, não conseguiu apontar soluções concretas e, principalmente, mais positivas, sobre os rumos da economia brasileira, o que é lamentável. O Ministro também mandou um recado ao setor bancário para que os reduzam seus spreads. O Ministro reconheceu que a inadimplência aumentou e que não é mais possível o crédito crescer com o mesmo ritmo que cresceu nos últimos anos, saindo de 22% do PIB para os atuais cerca de 50%. Porém, de acordo com ele, os bancos não devem reduzir as operações de concessão de crédito. "Os bancos são pró cíclicos, mas têm de ser anticíclicos. Não é sair dando crédito, mas se reduzir o spread, a inadimplência vai cair. O spread bancário no Brasil é muito alto. Vocês têm de ganhar no volume. Dá para fazer mais”. Ainda de acordo com Mantega, os bancos têm de buscar lucros por meio de aumento de produtividade e investimentos em tecnologia. Por último, o Ministro disse que a economia brasileira tem condições de voltar a crescer até 5% entre 2013 e 2014.
  • Mantega afirma que a crise retarda os benefícios das medidas de estímulo à economia brasileira: Juros mais baixos, controle fiscal e estabilização do Real em um patamar mais baixo em relação ao Dólar compõem, para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma nova matriz macroeconômica, que vai estimular o crescimento da atividade do país nos próximos anos. Ele ponderou, contudo, que a crise na Zona do Euro, o baixo crescimento da economia dos Estados Unidos e a desaceleração da China e da Índia estão retardando os efeitos das medidas que têm sido adotadas pelo governo para estimular a economia brasileira. A queda na taxa de juros, por exemplo, foi citada por Mantega como um fator que estimula investimentos, e afirmou que a estratégia do governo para acelerar o crescimento da economia não está calcada apenas no estímulo ao consumo, como foi feito há três anos. Defendeu a diminuição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns setores da indústria, e citou que o governo também está atuando com medidas estruturais para sustentar a produção e o consumo no longo prazo, mas, como em toda reforma, os efeitos dessa nova matriz levam algum tempo para serem sentidos. Mantega também voltou a dizer que novas desonerações em setores da indústria deverão acontecer nos próximos meses.
  • COPOM reduz a taxa SELIC para 8,00% ao ano: O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu, por unanimidade, manter a trajetória de corte na taxa básica de juros (SELIC) em 0,5 ponto percentual, como esperado por quase a totalidade dos analistas do mercado financeiro. Essa foi a 8ª queda consecutiva da SELIC. Com isso, os juros básicos brasileiros caíram para 8,00% ao ano e reforçaram a idéia de que, se for preciso subir os juros no futuro, dificilmente esta iniciativa significará ultrapassar a casa dos dois dígitos. O COPOM considerou que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação, e que dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.
  • Mercado reduz previsão de alta da SELIC para 2013: O mercado mantém a previsão de que o juro básico da economia brasileira seguirá em queda nas duas próximas decisões do COPOM, até atingir o patamar inédito de 7,50% ao ano. O último Boletim Focus de julho aponta a SELIC fechando o ano em 7,25%, e 8,50% para 2013 (a estimativa anterior era de 9,00% em 2013). Assim, o mercado prevê aumento de 1 ponto no decorrer de 2013 e não mais de 1,5 ponto como visto anteriormente. Alguns analistas econômicos ainda mais otimistas acreditam que a SELIC possa chegar a até 6,50% neste ano. Entretanto, é importante destacar que a inflação, no mês de julho, demonstrou sinais de aquecimento, o que pode mudar as análises até então consideradas sobre a redução da SELIC.
  • Dólar fecha julho a R$ 2,0494: O Dólar encerrou o mês de julho em R$ 2,0494, alta de 3,17% em relação a junho. Com isso, o ganho anual subiu de 7,54% para 9,68%. O Euro fechou o mês em R$ 2,5242. Especificamente com relação ao Dólar, a cotação final de julho se mantém dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de julho, está em R$ 2,00 (alta de R$ 0,05 em relação à projeção do final de junho). Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,00 (alta de R$ 0,10 em relação à projeção do final de junho).
  • IPCA de julho fica em 0,43%: Índice que mede a inflação oficial brasileira apresentou forte elevação em julho, passando de 0,08% em junho para 0,43% neste último mês (o maior resultado mensal desde abril). Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 2,76%, ainda abaixo dos 4,04% verificados no mesmo período do ano passado. Entretanto, considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 5,20%, acima dos 4,92% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, invertendo o movimento decrescente que vinha sendo observado desde setembro de 2011, e se distanciando do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de julho, é que o IPCA encerre 2012 em 5,00%. E para 2013, a projeção é de 5,50%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ foi o principal vilão da inflação em julho: Os preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,68% em junho para 0,91% em julho) causaram impacto de 0,21 ponto percentual no IPCA, com destaque para o tomate, a cenoura e o alho. Os grupos ‘Despesas Pessoais’ e ‘Habitação’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês (0,09 e 0,08 pontos percentuais, respectivamente). Já o grupo ‘Transportes’ foi o principal responsável para a queda do índice de inflação no mês de julho (de -1,18% em junho para -0,03% neste mês, impacto de -0,01 no IPCA). Entretanto, a Petrobrás já anunciou o objetivo de aumentar gradativamente os preços dos combustíveis para os próximos meses, devido aos resultados negativos da companhia, o que certamente ajudará a pressionar para cima a inflação deste grupo, e conseqüentemente, do próprio IPCA.
  • Aumento salarial de servidores pode pressionar inflação em 2013: A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, por unanimidade, o texto-base da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2013. O relatório fixou o orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em R$ 45,2 bilhões no próximo ano e a meta do superávit primário em R$ 155,9 bilhões. O relatório abriu brechas para incluir reajustes salariais de servidores públicos no Orçamento de 2013. Na Lei também está previsto salário mínimo no valor de R$ 667,75 mensais, aumento de 7,36% sobre o valor atual de R$ 622,00. Dessa maneira, a expectativa do mercado de que a inflação para 2013 pudesse se manter próxima a 5,00% deve se alterar, com novas previsões de altas futuras. Cenário preocupante para a economia brasileira: fraco crescimento e inflação em alta!
  • IGP-M acelera em julho e fica em 1,34%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, voltou a se acelerar em julho, atingindo 1,34% no mês, frente a 0,66% verificado em junho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou perto do teto do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro, que era de 0,95% a 1,36%, com mediana de 1,26%. No ano, o IGP-M acumula alta de 4,57%, e de 6,67% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de julho, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 7,12%, e para 2013, a projeção é de 5,00%.
  • Inadimplência do consumidor cresce 19% no 1º semestre de 2012: Segundo a SERASA Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou 19,1% no 1º semestre de 2012 sobre igual período do ano passado. Em junho, o dado acelerou 15,4% sobre o mesmo mês de 2011, enquanto a comparação com maio deste ano apresentou retração de 0,5%. Economistas da SERASA Experian atribuem o avanço acumulado dos primeiros seis meses do ano ao crescente endividamento e descontrole do consumidor ao assumir novas dívidas. "A renda do consumidor está comprometida, principalmente com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e de alto valor (veículos e imobiliárias), o que leva a um descontrole no gerenciamento da situação", disse a entidade em nota. De acordo com a SERASA, em média, 60% dos consumidores que não honram seus pagamentos têm dívidas acima de 100% de suas rendas. "É importante destacar que o patamar da inadimplência poderia ser superior, mas a evolução da renda e o desemprego baixo estão atenuando este cenário", disse a entidade. Vale destacar, neste contexto, que a tendência que se apresenta para o futuro é de arrefecimento na geração de empregos, o que pode abalar este cenário. As dívidas não bancárias e as com os bancos foram as principais responsáveis pela alta da inadimplência no 1º semestre, com variação de 21,6% e 22,1%, respectivamente.
  • Expectativa é de recuo na inadimplência do consumidor no 2º semestre: Apesar da análise feita no item anterior, a inadimplência do consumidor deve seguir trajetória de queda ao longo do 2º semestre, segundo previsão da SERASA Experian. O índice de perspectiva calculado pela empresa, que antevê o nível de inadimplência com seis meses de antecedência, caiu 1,5% em maio, ante abril, para 95,9 pontos. "A seqüência de quedas mensais do indicador sinaliza que a inadimplência do consumidor, após ter subido ininterruptamente desde o início de 2011, deve se estabilizar e, posteriormente, entrar em trajetória de recuo ao longo do 2º semestre deste ano", avaliou a entidade em nota.
  • Inadimplência das empresas tem maior alta desde 2009: Segundo a SERASA Experian, a inadimplência das empresas cresceu 16,5% no 1º semestre de 2012, na comparação com o mesmo período de 2011, sendo a maior alta para o período desde 2009. Em junho, a inadimplência recuou 5,7% na comparação com maio. No confronto com o mesmo período do ano passado, no entanto, houve elevação de 11,4%. As dívidas não pagas junto aos bancos foram as que mais cresceram no 1º semestre de 2012: alta de 23,9% ante o mesmo período de 2011. Já os protestos e as dívidas não bancárias cresceram em ritmos praticamente idênticos no período: altas de 19% e de 18,9%. Por fim, o volume de cheques devolvidos por falta de fundos avançou 3,7%. Para a SERASA, as empresas continuam a enfrentar dificuldades por causa da desaceleração da economia, do ainda alto nível de dívidas não pagas pelos consumidores e da maior seletividade das instituições financeiras na concessão de crédito, fatores que mantiveram a inadimplência das pessoas jurídicas em alta no semestre. Vale ressaltar que, diante do alto nível de inadimplência, os bancos aumentaram suas reservas para ‘calotes’ em 37%, o que, na prática, acaba se refletindo no aumento do custo para empréstimos futuros (e mesmo do spread bancário).
  • Expectativa é de manutenção elevada no índice de inadimplência das empresas: Se a inadimplência das pessoas físicas tende a cair, a das jurídicas deve manter-se em patamar elevado nos próximos meses, segundo a SERASA. O Indicador de Perspectiva da Inadimplência das Empresas avançou 0,5% em maio, na comparação com abril, para 104,8 pontos. De acordo com a companhia, foi a menor variação mensal do indicador em 18 meses, mas ainda assim sinaliza que a inadimplência das empresas deverá manter-se em patamar relativamente elevado. Por outro lado, é pequena a probabilidade de deterioração adicional durante o 2º semestre de 2012. "O lento processo de reativação do crescimento econômico, o nível ainda elevado da inadimplência dos consumidores e o agravamento da crise financeira internacional estão postergando a concretização de uma trajetória de queda mais consistente da inadimplência das empresas", observou a SERASA Experian.
  • País gerou 1.047.914 novas vagas no 1º semestre de 2012: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no 1º semestre do ano, 1.047.914 novas vagas de emprego com carteira assinada. Em termos setoriais, os dados mostram que todos os oito setores de atividade econômica elevaram o nível de emprego, com destaque para o setor de Serviços (+469.699 postos), Construção Civil (+205.907 postos), Agricultura (+135.440 postos, a maior taxa de crescimento entre todos os setores e subsetores), Indústria de Transformação (+134.094 postos) e Comércio (+56.122 postos). No mês de junho, foram gerados 120.440 novos postos de trabalho.
  • FMI divulga relatório sobre a economia brasileira: O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o relatório ‘Staff Report for the 2012 Article IV Consultation for Brazil’, que analisa o desempenho macroeconômico do Brasil. O texto destaca que o ritmo de crescimento da economia brasileira vai se acelerar no 2º semestre de 2012 (como deseja o governo), devendo crescer em torno de 4% a 4,5% ao ano em 2013-2014. Avalia ainda que a desaceleração observada no final de 2011 foi fruto, em grande parte, da deterioração mais forte do que antecipada do quadro externo, que afetou a confiança dos empresários. O relatório também aponta que as políticas monetária e fiscal, adotadas desde agosto de 2011, promoverão uma recuperação gradual da atividade econômica brasileira, e foram avaliadas de forma positiva pelo Fundo Monetário, que entende também serem essas medidas adequadas para enfrentar a crise. O país é considerado bem posicionado, com políticas e instrumentos sólidos, para atravessar essa nova fase da turbulência internacional. Sobre o sistema financeiro, a avaliação é que ele está robusto, bem regulado e tem supervisão e provisões adequadas. O relatório aponta ainda que a inflação está convergindo para o centro da meta e se manterá em torno dela em 2013 (neste ponto, vale ressaltar que, à época da divulgação do relatório - a missão do FMI de “Consulta do Artigo IV” ocorreu no Brasil de 7 a 22 Maio de 2012 - a inflação ainda não havia apresentado sinais de volta do aquecimento, como observado em julho).
  • OCDE aponta desaceleração nos mercados emergentes, em especial nos BRIC´s: Relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta uma tendência de desaceleração econômica na Rússia, Índia e China. A organização sediada em Paris informou que o seu indicador para a China, que fornece uma medida da atividade econômica futura, caiu para 99,2 em maio ante 99,4 em abril, afastando-se ainda mais da média de longo prazo de 100. Para a Índia, o indicador caiu para 97,8 ante 98,0, também abaixo da média de longo prazo de 100. "Os indicadores apontam para desaceleração da atividade econômica na maioria das economias principais da OCDE e para uma desaceleração mais acentuada nas principais economias que não pertencem à OCDE", informou a Organização. O indicador geral para países da OCDE, que cobre 33 nações, recuou para 100,3 frente a 100,4, um nível consistente com crescimento moderado. O índice para a Zona do Euro ficou estável em 99,6 pelo 3º mês consecutivo, um nível que indica desaceleração. Os Estados Unidos continuaram em território de crescimento com uma leitura de 100,9, apesar de ficar abaixo da leitura de 101,1 de abril. O Japão viu seu indicador recuar para 100,7 ante 100,8. Fora da OCDE, o Brasil foi o único país a ver uma retomada da atividade econômica, com um aumento para 99,2 contra 99,0 na leitura anterior.
  • Diretora do FMI adverte sobre arrefecimento do crescimento econômico global: A próxima atualização do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as perspectivas econômicas globais refletirá uma tendência "em baixa" e estará mais pessimista do que as previsões publicadas há três meses, afirmou a diretora do organismo, Christine Lagarde. "Os indicadores, sejam de investimento, emprego, crescimento ou indústria, desaceleraram em alguns lugares e pioraram muito em outros. E não só na Europa, também nos Estados Unidos e em alguns países emergentes, como Brasil, China e Índia”, disse Lagarde durante um fórum econômico na capital japonesa. Sem antecipar mais detalhes sobre o relatório, que será publicado em 16 de julho, a diretora do FMI se referiu também à cúpula européia, assinalando que as medidas tomadas vão "na direção correta", elogiando os avanços para a construção das bases rumo a uma união bancária, e considerou fundamental que isso esteja acompanhado de uma união fiscal. A participação de Lagarde no seminário de Tóquio, organizado pelo diário econômico Nikkei, inscreve-se nos preparativos para as próximas reuniões gerais do FMI e do Banco Mundial, que acontecerão na capital japonesa em outubro.
  • Pesquisa do Instituto Sentix aponta 73% de chance de uma ‘quebra’ da Zona do Euro: os investidores estão céticos com a possibilidade da permanência da Grécia na Zona do Euro. O índice de probabilidade de separação na Zona do Euro, medido pelo Instituto Sentix, subiu para 73% em julho. A pesquisa avalia a percepção de investidores sobre as chances de pelo menos um país deixar o grupo nos próximos 12 meses. O índice havia se estabilizado em 55% um mês atrás, quando os investidores foram consultados logo após saberem sobre os resultados de uma reunião de autoridades da União Européia. Em julho, a Espanha também passou a ser foco dos investidores. Chegam a 15,4% as chances do país também deixar o Euro, acima dos 12,5% reportados anteriormente. Para Portugal, houve queda de 13,4% para 12,2% no índice. A pesquisa ainda avalia as chances de contágio dos países com problemas para outras nações do grupo, que aumentaram de 44,1% para 45,3%.