Boletim Focus continua reduzindo estimativa
do PIB em 2013: De
acordo com o último Boletim Focus de julho, o Banco Central reduziu mais uma
vez a previsão do PIB para 2013, de 2,34% no início do mês, para 2,24% no final
do mês. Para 2014, a projeção também apresentou redução de 2,80% para 2,60%.
Momento é crítico para a economia do país,
diz chefe da Casa Civil: Em conversa com
prefeitos de cidades do Paraná atingidas por fortes chuvas em julho, a Ministra
Gleisi Hoffmann (Casa Civil) minimizou as vaias recebidas pela presidente Dilma
Rouseff, diante da decisão do governo de não aumentar os repasses da União ao
Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Alegando que a presidente “não
ficou chateada”, Gleisi disse haver um “erro de interpretação” por parte dos
prefeitos. O “erro” estaria na indisposição dos prefeitos de não compreenderem
como gesto positivo o repasse de R$ 3 bilhões anunciado pela presidente para
custeio das prefeituras neste ano, ao invés de reformar o fundo, como pediam os
executivos municipais. Os prefeitos queriam um aumento de pelo menos um ponto
percentual no FPM. A reforma permanente na composição do FPM poderia resultar
em um repasse anual extra de R$ 2,7 bilhões para os municípios. O gesto
renderia, segundo Gleisi, um desequilíbrio nas contas da União. “Estamos
passando por um momento muito crítico nas finanças federais e na economia do
país”, justificou. O FPM é abastecido principalmente com recursos do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) – principal arma do Palácio do Planalto
contra a crise econômica. A mudança na composição do fundo significaria risco
fiscal para as contas do governo em 2013, avalia Gleisi. “Por mais que tenhamos
uma política econômica anticíclica, com o Estado fazendo investimentos e
aumentando gastos, temos limitação. Temos impacto na arrecadação”, diz.
“Estamos passando por um momento muito crítico nas finanças federais e na
economia do país”, afirma. O repasse de R$ 3 bilhões será possível por meio de
um ajuste orçamentário que o Planalto deve fazer para manter a contas da União
no azul. Vamos ter de fazer um corte maior no orçamento para poder ajustar
esses R$ 3 bilhões. Já íamos fazer um corte para justar despesas e vamos
precisar fazer um corte maior”, sinaliza. Gleisi avalia como difícil a tarefa
de “equilibrar as balanças” do superávit fiscal e, paralelamente, “colocar
dinheiro na economia”. Apesar do reconhecimento público da cúpula do Palácio do
Planalto sobre o estágio difícil da economia brasileira, cuja perspectiva é
pessimista para o Produto Interno Bruto (PIB), a Ministra recusou conselhos do
Fundo Monetário Internacional (FMI). O fundo revisou para baixo a previsão de
crescimento do PIB brasileiro para 2013, o que despertou críticas da Ministra
ao receituário do órgão internacional. “Toda vez que aceitamos conselhos do
fundo, tivemos recessão, desemprego e políticas públicas que não davam conta da
demanda da população”, afirma.
Cai o investimento em infraestrutura: A expectativa de que os investimentos em
infraestrutura decolem em 2013 no País não deve se confirmar. Nos primeiros
três meses do ano, R$ 14,8 bilhões foram destinados ao setor, um recuo de 4,5%
frente ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pela Inter. B
Consultoria. Apesar da aproximação da Copa do Mundo, a concentração de leilões
de concessão de rodovias, ferrovias e aeroportos no fim do ano adiará para 2014
os desembolsos mais significativos para a área. "Se alguém esperava que
2013 fosse o ano da arrancada, pode esquecer", diz o economista Cláudio
Frischtak, sócio da consultoria e um dos responsáveis pelo estudo que cruza
dados públicos de investimento federal, de empresas estatais, estaduais,
autarquias e empresas privadas na área de infraestrutura. Isso inclui segmentos
em energia elétrica, telecomunicações, rodovias, ferrovias, metrô, aeroportos,
portos, hidrovias e saneamento. Em nota, o Ministério do Planejamento contestou
o estudo sob alegação de que o investimento público no setor alcançou R$ 54,7
bilhões até maio, cifra que representa um crescimento de 4,5% sobre o ano
passado. O governo alega que o investimento do setor privado cresceu quatro
vezes mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) desde 2007. Para a Inter.B
Consultoria, a diferença se deve, principalmente, ao fato do estudo não
contabilizar investimentos no setor de óleo e gás. Só no 1º trimestre, o
orçamento da Petrobrás foi de R$ 19,8 bilhões. Além disso, o dado do governo
incluiu mais dois meses na contagem. Os dados fechados pela equipe da Inter.B
mostram que o investimento em infraestrutura atingiu 2,29% do PIB nominal em
2012 – ou R$ 100,6 bilhões em números absolutos. O resultado foi um avanço de
0,20 ponto percentual em comparação a 2011, mas ainda está longe dos 2,46% do
PIB de 2008, ano de maior investimento relativo no setor desde o início do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A julgar pelos dados de janeiro a
março, em 2013 não haverá aumento da fatia do PIB destinada ao setor. As obras
da Copa e o fraco crescimento do PIB tiveram efeitos importantes na recuperação
dos números de 2012. O programa de concessões do governo Dilma Rousseff também
ajudou, com o início dos aportes privados e da Empresa Brasileira de
Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO) nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos
e Brasília. Apesar de admitir que os investimentos costumam se acelerar ao
longo do ano, Frischtak alerta que o 2º semestre reserva apenas uma corrida
administrativa do governo para acelerar os leilões de rodovias, ferrovias e
aeroportos. "Vai ser apenas uma preparação para os investimentos em
2014", diz o economista.
Previsão para SELIC 2013 continua em 9,25%: ao ano: Segundo as projeções do Banco Central, em seu
último Boletim Focus de julho, a taxa SELIC deve ficar em 9,25% em 2013 (mesmo
valor em relação à projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também
se manteve em 9,25%. Ou seja, vai se confirmando a expectativa de que haja,
pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013. A próxima reunião do COPOM
(Comitê de Política Monetária) está marcada para 27 e 28 de agosto.
Alta da SELIC na última reunião coloca o Brasil como 2º
do mundo em juros reais: A elevação da taxa básica de juros (SELIC) ocorrida na última reunião do COPOM
colocou o Brasil na 2ª colocação do ranking de juros reais do mundo, segundo
levantamento feito pelo site MoneYou, que considera as taxas praticadas em 40
países. Considerando-se as taxas de juros atuais dessas nações, descontadas a
inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa de juros reais brasileira,
de 2,5%, está atrás apenas da China, com 2,9%. Em termos nominais, o Brasil
ocupa a 3ª colocação, atrás de Venezuela e Argentina, com taxas de 15,63% e
11,38%, respectivamente. O levantamento do MoneYou mostra ainda que, se o COPOM
tivesse optado por um aumento da SELIC de 1 ponto percentual, o Brasil estaria
no topo da lista dos maiores pagadores de juros reais, com 3,00%.
Inflação medida pelo IPCA desacelera fortemente para 0,03% em julho: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) apresentou variação positiva de 0,03% em julho, bem abaixo da taxa
registrada em junho, que foi de 0,26%, segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o menor valor para o índice desde julho
de 2010, quando o IPCA ficou em 0,01%. O IPCA acumula altas de 3,18% no ano
(ainda acima dos 2,76% identificados em 2012) e de 6,27% nos últimos 12 meses,
o que situa o indicador oficial de inflação no País acima do teto da meta de
6,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Continuando em
desaceleração, o grupo ‘Alimentação e Bebidas’
foi de 0,04% em junho para -0,33% em julho, com impacto de -0,08 ponto
percentual no resultado geral do IPCA. Desde julho de 2011 não ocorria deflação
no grupo de ‘Alimentos e Bebidas’. Entretanto, o maior impacto no índice em
julho veio do grupo ‘Transportes’, que apresentou deflação de -0,66%, maior que
o grupo ‘Alimentos e Bebidas’, exercendo impacto de -0,13 ponto percentual no
IPCA de julho. Outro grupo que apresentou forte deflação no mês foi ‘Vestuário’,
com índice de -0,39%, e impacto de -0,03 ponto percentual no IPCA. Em
contrapartida, o grupo ‘Despesas Pessoais’ foi o que apresentou maior variação
positiva, com inflação de 1,13% em julho, impactando em 0,12 ponto percentual o
IPCA do mês. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus
de julho, o IPCA deve ficar em 5,75% em 2013 (a projeção feita no início do mês
era de 5,81%). Para 2014, a projeção está em 5,87% (no início do mês era de 5,90%).
Indicadores
mostram inflação brasileira imune ao aumento dos juros: Indicadores de variação
de preços relativos aos meses de junho e julho apontam para uma mudança de rota
na inflação no 2º semestre deste ano. Em vez da tão debatida inflação de
demanda, que vem justificando o ciclo de alta da taxa básica de juros pelo
Banco Central, o que já está presente nas estatísticas dos preços no atacado é
a inflação de custos, cujo antídoto nada tem a ver com a alta da SELIC, como
ressalta a professora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Laura
Barbosa de Carvalho. "Tentar cortar a demanda é o que, definitivamente,
não funciona", alerta. Entre as principais altas nas variações de preços
na porta de fábrica, medidas pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - cuja taxa passou de
0,24% para 1,33% de maio para junho -, destaca-se a contribuição de itens que
têm os preços diretamente influenciados pelo aumento de custos, sobretudo, pelo
Dólar. O câmbio interfere principalmente os preços dos produtos químicos, que
têm ainda o agravante de funcionar como contaminadores do restante da cadeia
produtiva. A indústria química é a 2ª em importância na formação do Produto
Interno Bruto (PIB) industrial e fornecedora de matéria-prima para a maioria
dos produtores, da agricultura ao aeroespacial. Manoel Campos Souza Neto,
analista socioeconômico do IBGE, aponta os químicos como 2º principal
responsável pela forte aceleração do IPP de junho, atrás apenas dos alimentos.
Mas eles não são os únicos contaminados pelo câmbio. Também os preços de itens
de informática e de papel e celulose estão no rol de segmentos que tiveram os custos
elevados por utilizar e muitos componentes importados na fabricação e que
repassaram a alta para os consumidores. Já em julho, o Índice Geral de Preços
ao Mercado (IGP-M), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio
Vargas (IBRE/FGV), revela altas expressivas no atacado, também motivadas pelo
câmbio. Os preços dos químicos orgânicos aceleraram de -1,32% em junho para
1,94% no mês passado. Neste grupo estão, por exemplo, os fertilizantes, insumo
agrícola. Os químicos inorgânicos, como o plástico utilizado na embalagem de
uma infinidade de produtos, teve o indicador acelerado de 0,66% para 1,02%.
"O avanço das taxas é explicado, quase na totalidade, pelo câmbio",
diz André Braz, economista do IBRE/FGV. O IGP-M traz ainda a contaminação dos
preços do querosene de aviação (de -2,98% para 3,52%), de computadores (de
-0,56% para 0,46%) e da celulose (de 2,21% para 3,38%). "A influência do
câmbio ganhou mais peso em julho, na inflação de alguns produtos no atacado,mas
ainda não aparece como uma contribuição definitiva na totalidade do
IGP-M", ressalta Braz. Laura, da FGV-SP, salienta que, na verdade, a
economia brasileira é marcada pelos custos há muitas décadas. Por causa da
indexação de contratos, dos reajustes salariais, da utilização em larga escala
de insumos importados e também do câmbio, esse é um fenômeno típico da inflação
brasileira. Ela discorda da análise de muitos economistas de que a demanda
desenfreada compromete o crescimento econômico. Em sua opinião, os que defendem
o remédio da alta de juros e de políticas fiscais mais severas baseiam suas análises
em projeções de crescimento potencial da economia pouco factíveis, revistas
frequentemente, sem muitos fundamentos técnicos. Apesar de ser uma
característica da inflação, diz ela, neste início de semestre, a alta do Dólar
contribuiu para intensificar ainda mais o peso dos custos na inflação. Mas, em
sua opinião, a alta dos juros não é a melhor solução nesse caso. Ela indica a
desindexação de contratos, embora reconheça que seja uma medida de baixa
popularidade, porque, em um primeiro momento poderá frustrar as expectativas de
melhores ganhos por parte de trabalhadores ou de empresários. Na indústria
química, a alta do Dólar já foi em parte repassada para os preços dos produtos,
informa a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Fernando Figueiredo,
presidente da entidade, ressalta que não foi possível repassar toda a
valorização, por causa do atual estágio de economia enfraquecida e retração da
demanda. Ainda assim, o segmento foi favorecido com a baixa do Real, por causa
da retração da concorrência de produtos importados, o que impede que as
empresas atuem com margens comprimidas.
Inflação medida pelo IGP-M desacelera de
0,75% em junho para 0,26% em julho:
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’,
fechou julho em 0,26%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado do
IGP-M de julho ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas. Com
isso, o acumulado em 2013 está em 2,01%, e nos últimos 12 meses, o índice está
em 5,18%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de
julho, o IGP-M deve ficar em 4,69% em 2013 (a projeção feita no início do mês
era de 4,88%). Para 2014, a projeção está em 5,50% (no início do mês era de 5,40%).
Dólar fechou julho em R$ 2,2820: O Dólar encerrou o mês de julho beirando os R$
2,30. A cotação de 31 de julho foi de R$ 2,2820, ante R$ 2,2310, verificada no
início do mês. Foi o 3º mês consecutivo de elevação da moeda americana frente
ao Real. O Euro fechou julho a R$3,0452, ante R$ 2,9122, verificado no início
do mês. Especificamente com relação ao Dólar, em julho o Dólar apresentou ganho
de +2,28%, e no ano, até agora, acumula alta de +11,53%, liderando o ranking de
investimento de 2013. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco
Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de julho, é de R$2,25 (no
início do mês era de R$ 2,20). Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$
2,30 (no início do mês era de R$ 2,22). Ou seja, confirmam-se as previsões deste boletim de que as projeções deverão
sofrer ajustes para cima, com base no comportamento atual do câmbio para o
período futuro.
O que explica a valorização do Dólar nos
últimos meses?: A valorização do Dólar tem ocorrido principalmente pela
incerteza do mercado sobre em qual momento o Federal Reserve - FED, o banco
central dos Estados Unidos, vai reduzir os estímulos da economia americana.
"Ainda há uma visão de que em algum momento as taxas de juros vão subir
nos Estados Unidos, o que provoca uma fuga dos investidores (do Brasil)",
afirmou Michael Viriato, professor do Insper. "Há muita volatilidade no
mercado. É difícil dizer se há uma tendência de desvalorização da moeda
brasileira." A saída de investidores tem afetado o desempenho da Bolsa
neste ano. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (IBOVESPA) já caiu 20,86%
em 2013 e está na lanterna do ranking de investimentos no país. No mês passado,
porém, veio um alívio: o Ibovespa avançou 1,64%, a primeira alta da Bolsa neste
ano. Em parte, a recuperação ocorreu justamente pela indicação de que o FED não
deve retirar os estímulos tão rápido como o mercado esperava. "Houve uma
recuperação em função de o FED dar o indicativo de que ele não vai retirar
esses estímulos tão rapidamente, o que acabou favorecendo a Bolsa", disse
Fabio Colombo, administrador de investimentos. Além da turbulência
internacional, a Bolsa brasileira tem sido prejudicada pelo cenário
macroeconômico ruim. As previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano
estão próximas de 2%. Em julho, a boa notícia para o investidor foi a menor
pressão inflacionária. O cenário de investimento do mês passado também foi
marcado por um bom desempenho dos fundos DI, que superaram a poupança nova. As
aplicações a juros foram favorecidas pelo aumento da SELIC, de 8% ao ano para
8,5% ao ano. "Mas, analisando numa escala mais ampla, a inflação continua
rodando na faixa de 6%. Para uma SELIC de 8,5%, a perspectiva de ganho continua
ruim para o investidor que aposta na renda fixa quando são descontados a taxa
de administração e o Imposto de Renda das aplicações", afirmou Colombo. O
momento de incerteza no cenário de investimentos reforça a tese de
diversificação, segundo Colombo. "O investidor não pode colocar todos os
ovos na mesma cesta. Quem é extremamente conservador deve procurar aplicações
com custos baixos. É preciso batalhar pelos custos e pesquisar bastante",
afirmou. Na avaliação do professor do Insper, o mercado acionário pode trazer
ganhos interessantes por causa da forte queda do Ibovespa em 2013. "Uma
queda de 20% no mercado acionário brasileiro ainda é muito forte. O resultado
das empresas pode trazer números pouco agradáveis, o que ainda deve pressionar
a Bolsa brasileira. Mas grande parte desses resultados já está refletida no
preço das ações", afirmou Viriato. "Continuo acreditando que a Bolsa
pode melhorar até o fim deste ano”.
Número de famílias endividadas chega a 65,2% em julho: O endividamento das famílias em julho voltou
a crescer na comparação com junho e chegou a 65,2%. Em junho o percentual era
63% quando houve recuo em relação a maio (64,3%). Este foi o 2º maior resultado
da série, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do
Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC). O percentual de famílias com dívidas ou contas em
atraso, ou inadimplentes, aumentou tanto em relação ao mês anterior como na
comparação com o mesmo período de 2012, ao chegar a 22,4% em julho. Foi o maior
percentual nos últimos 12 meses. Em junho foram registradas 20,3% de famílias
inadimplentes e em julho de 2012, 21%. A proporção das famílias que se
declararam muito endividadas aumentou pelo 5º mês consecutivo, alcançando
13,3%, embora menor que a proporção de julho de 2012, que foi de 14,1%. O
percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou
dívidas em atraso apresentou trajetória semelhante, alcançando 7,4% em julho de
2013, na comparação com 7,2% em junho e 7,3% em julho do ano passado. Apesar da
alta e da tendência recente de crescimento do número de famílias endividadas, a
pesquisa revela que a percepção das famílias em relação às dívidas e à
capacidade de pagamento ainda está em patamares favoráveis. O estudo diz ainda
que o comportamento positivo deve-se ao “leve arrefecimento da inflação e
mercado de trabalho ainda aquecido, entre outros fatores que proporcionam
condições positivas para os indicadores de inadimplência”. Os tipos de dívidas
mais comuns foram: cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê
de loja, empréstimo, prestação de carro e seguro. O cartão de crédito foi
apontado como um dos principais tipos de dívida por 75,2% das famílias
endividadas, seguido por carnês, para 17,9%, e, em terceiro, por financiamento
de carro, para 12,1%.
Brasil gerou 123.836 novos empregos formais em junho: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE), referentes a junho de 2013, foram criados no Brasil 123.836 novas vagas de
emprego com carteira assinada, equivalente a uma expansão de 0,31% no estoque
de assalariados com carteira assinada do mês anterior. No acumulado do ano de 2013, os
dados mostram um acréscimo de 826.168 novos
empregos formais. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de
1.016.432 postos de trabalho. O comportamento do mês de junho originou-se da
expansão de todos os oito setores de atividade econômica, com destaque para: a
Agricultura, com +59.019 novos postos (ou +3,65%), em função da presença de
fatores sazonais; os Serviços, com +44.022 novos postos (ou +0,27%), revelando
saldo superior à média de 2003 a 2012 (+42.706 postos), e mostrando uma reação
quando comparado com os resultados do mesmo mês do ano anterior (+30.141
postos) e com relação ao mês de maio de 2013 (+21.154 postos); o Comércio, com +8.330
novos postos (ou +0,09%); a Indústria de Transformação, com +7.922 novos postos
(ou + 0,09%); e a Construção Civil, com +2.092 novos postos (ou +0,07%), que apresentou
resultado menor quando comparado com o mesmo mês do ano anterior (+4.244
postos), mas indicando uma melhora em relação ao mês de maio, quando registrou
variação negativa de -1.877 postos, ou -0,06%.
Taxa de desemprego é de 6,0% em junho, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas seis principais regiões
metropolitanas do país, ficou em 6,0% em junho, 0,2 ponto percentual acima da taxa
verificada em maio. Em comparação a junho de 2012, a taxa apresentou variação
positiva de 0,1 ponto percentual.
Pesquisa aponta que emprego deve crescer no 2º semestre de 2013: O coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED) da Fundação Estadual de Análise de Dados (SEADE), Alexandre Loloian,
acredita que a oferta de vagas de emprego deve crescer no 2º semestre deste
ano. Segundo ele, o mercado de trabalho, em geral, fica mais aquecido nos
últimos seis meses do ano em comparação ao 1º semestre. O economista destacou
que a situação encontrada pela PED no mês de junho não foi tão ruim em
comparação aos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A economista do Dieese,
Ana Maria Belavenuto, também prevê reação do mercado nos próximos meses. Para
ela, a política de desoneração fiscal para as empresas vai sustentar a oferta
de vagas. De acordo com a PED, a taxa de desemprego recuou em junho, passando
de 11,2% em maio para 10,9% da População Economicamente Ativa (PEA) no conjunto
das sete regiões metropolitanas avaliadas. Entre os 39 municípios da região
metropolitana de São Paulo, o índice alcançou 11,3% em junho, ante 11,4% em
maio. Em junho do ano passado, a taxa ficou em 11,2% e, no mesmo mês de 2011,
11%. O menor indicador foi registrado em 1989, quando alcançou 9,7%.
Produção
industrial avança 1,9% em junho:
Em junho de
2013, a produção industrial nacional avançou 1,9% em relação ao mês
imediatamente anterior, após registrar expansão de 1,8% em abril e queda de
1,8% em maio. Assim, os índices do setor industrial para o fechamento do 2º trimestre
de 2013 foram positivos tanto no confronto com igual período do ano anterior
(4,3%), como na comparação com o 1º trimestre (1,1%). No índice acumulado nos
seis primeiros meses de 2013, a atividade industrial avançou 1,9% frente a
igual período do ano anterior. A taxa anualizada, indicador acumulado nos
últimos doze meses, ao mostrar variação de 0,2% em junho de 2013, manteve a
trajetória ascendente iniciada em dezembro do ano passado (-2,6%), e assinalou
o 1º resultado positivo desde dezembro de 2011 (0,4%). A expansão no ritmo da atividade industrial
em junho teve perfil generalizado de taxas positivas, com três das quatro
categorias de uso e 22 dos 27 ramos pesquisados apontando avanço na produção.
Entre as atividades, as principais influências positivas foram assinaladas por
farmacêutica (8,8%), máquinas e equipamentos (3,2%), outros equipamentos de
transporte (8,3%) e veículos automotores (2,0%). Entre as cinco atividades que
reduziram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média
global foi registrado por refino de petróleo e produção de álcool (-4,1%) que
devolveu parte da expansão de 6,5% acumulada entre março e maio.
Aumento na expectativa de vida do brasileiro preocupa Previdência: A expectativa de vida do brasileiro cresceu
11,24 anos entre 1980 e 2010, mas os dados positivos sobre a esperança de vida
da população divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) apontam para problemas antigos que deverão se agravar nas próximas
décadas. A preocupação principal, assim como apontam especialistas, é a
política previdenciária brasileira, que precisará de atenção especial do
Legislativo e do Executivo para não desencadear um colapso financeiro. O
déficit da Previdência Social atingiu no fim de 2012 R$ 42,3 bilhões, alta de
9% em relação a dezembro de 2011, quando a conta ficou negativa em R$ 38,8
bilhões. Apenas no mês de junho deste ano, o déficit nas contas da Previdência
chegou a R$ 3,2 bilhões, frente aos R$ 2,9 bilhões contabilizados no mesmo mês
de 2012 — alta de 7,8%. Segundo o especialista em Direito Previdenciário, André
Viz, apenas o fator previdenciário, em vigor desde 1999 no Brasil, não será suficiente
para conter o saldo negativo nos cofres do Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS). “A previdência vai precisar se readequar para absorver na folha
de pagamento novos aposentados que receberão do Estado por mais tempo. O fator
previdenciário criou certo equilíbrio nas contas da União, mas não será
suficiente para custear essa nova demanda. Políticas restritivas, além da
ampliação da arrecadação, deverão ser implementadas pelo governo para fazer com
que a conta feche no azul”, conclui. De acordo com a pesquisa, o Brasil terá
mais idosos vivendo por mais tempo, mas especialistas destacam a falta de
políticas públicas específicas para o novo perfil da população. O cenário da
terceira idade, sobretudo no Brasil, vive carências históricas que não entram
nas pautas do Legislativo. De acordo com Sérgio Camargo, especialista em
previdência social, o Brasil vai experimentar, nos próximos anos, os resultados
da omissão aos idosos, que serão maioria no país. “A pesquisa do IBGE constata
que o Brasil foi impactado de maneira positiva com os efeitos do avanço mundial
na tecnologia e, consequentemente, no avanço da medicina em seus diversos
aspectos, o que contribui para que a população viva mais e melhor. Entretanto,
o governo não conseguiu traduzir estes números em investimentos eficazes de
políticas públicas em saúde, educação, lazer, assistência social, dentre tantas
outras necessárias, para sem a interferência internacional, alcançar o mesmo
resultado”, afirma. A região Nordeste foi a que registrou o maior crescimento
na taxa de expectativa de vida em 30 anos, com aumento de 13 anos. Em todas as
regiões e estados do país, o IBGE constatou acréscimos na esperança de vida ao
nascer. No Brasil, em 2010, a esperança de vida ao nascer era de 73 anos, 9
meses e 3 dias, revelando um acréscimo de 11 anos, 2 meses e 27 dias em
comparação com 1980, quando o índice era de 62,52 anos. Mesmo sendo destaque
principal no levantamento, o Nordeste, segundo Camargo, não recebeu a atenção
necessária para, de fato, despontar em estatísticas positivas. “De forma
paliativa, as políticas públicas para o Nordeste implicaram no aumento da
expectativa de vida, mas não no avanço da região como um todo. O Nordeste
tornou-se foco de preocupação não apenas do governo brasileiro, mas de diversas
entidades internacionais, o que de certo dificulta saber o que realmente
resultou da aplicação do que se quer chamar de políticas públicas específicas
para a região”, complementa. De acordo com o levantamento, moradores da Região
Sul registraram a maior taxa de expectativa de vida, podendo viver até 75,84
anos. Em seguida, vem o Sudeste, com 75,40 anos. Na terceira posição está o
Centro-Oeste, com 73,64 anos. O Nordeste ficou em quarto, com 71,20 anos e, na
última posição, está o Norte, com 70,76 anos. No Rio de Janeiro, estado que a
pesquisa aponta para expectativa de vida 9,9 anos maior, a preocupação do
governo estadual se transformou, no início deste ano, em mais uma pasta,
voltada para a crescente população idosa. “Somos uma secretaria nova que pretende,
com a expectativa de vida maior, focar em políticas públicas para cuidar dessa
faixa da população. Este ano a receita total para investimentos em projetos
específicos é de R$ 9 milhões, mas com perspectivas financeiras muito
superiores para 2014”, diz Marcus Vinícius Neskau, secretario estadual de
Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida. Para atender à população idosa no
país, o Ministério da Saúde criou, em 2006, de acordo com as recomendações da
Organização das Nações Unidas (OMS), a Política Nacional de Saúde da Pessoa
Idosa que promove, entre outras diretrizes, políticas públicas de atenção à
saúde, além de programas que incentivam a educação.