sexta-feira, 10 de agosto de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Julho de 2012

No mês de julho, vários indicadores macroeconômicos brasileiros apresentaram piora nos seus resultados, em relação ao mês anterior. As projeções de crescimento da economia brasileira estão cada vez mais pessimistas, a inflação voltou a crescer, bem como a inadimplência, e o mercado de trabalho começa a dar os primeiros sinais de desaquecimento na geração de emprego. Os resultados econômicos dos países da Zona do Euro, apesar de todas as iniciativas, demonstram que a crise ainda pode piorar. E os mercados emergentes (em especial os outros países dos BRIC´s) também já demonstram sinais de desaquecimento econômico, preocupação para o Brasil, já que são atualmente importantes parceiros comerciais do país.

  • Estimativa para o PIB em 2012 cai para 1,85%: De acordo com o último Boletim Focus de julho, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2012, de 2,01% no início do mês, para 1,85% no final de julho. Para 2013, a projeção também caiu, de 4,20% no início do mês, para 4,00% no final de julho.
  • IPEA afirma que ‘crescimento da economia brasileira em 2012 é medíocre’: O crescimento da economia brasileira em 2012 tem sido “medíocre”, nas palavras do coordenador do Grupo de Análise e Previsões (GAP) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Roberto Messenberg. Ele comparou indicadores macroeconômicos de 2012, com resultados desfavoráveis, aos de 2011 e de 2010, e fez duras críticas à atual política econômica que, segundo ele, estaria centrada em lançar pacotes de medidas inseridas no “curto prazismo”, sem compromisso com o longo prazo – aliás, este também tem sido o tom de análise deste nosso boletim, já há algumas edições. O técnico cita como exemplo o Programa Brasil Maior: “Estamos perdendo o foco da política econômica, que está se tornando um emaranhado de políticas desconexas e pontuais, que não estão atuando em uma estratégia de longo prazo de crescimento”. Para ele, o governo deveria estar centrando esforços em buscar outro modelo que possa levar o país a uma trajetória de crescimento econômico sustentável. “Há claramente um esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo”, afirmou, lembrando que as estratégias norteadas pela demanda doméstica sustentaram as taxas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos anos. O novo modelo deveria ser sustentado por ações que apóiem o fortalecimento da fatia dos investimentos no PIB. No 1º trimestre do ano, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de 18,7% do PIB, abaixo da meta desejada pelo governo de superar a faixa dos 20% no ano. Ele observou que, historicamente, em momentos onde a conjuntura macroeconômica indica sinais negativos em várias frentes, o investimento público torna-se uma espécie de “tábua de salvação da economia”. Mas, em sua análise, além de não elevar investimentos no momento atual, o governo não está buscando o novo modelo. Tão pouco está idealizando estratégias para impulsionar investimentos da iniciativa privada. “Começamos a entrar em uma política, que eu realmente não entendo, que é de privilegiar superávits primários feitos em cima de cortes de investimentos”. Outro fator que contribui para a fraca expansão econômica atual é a perda de produtividade da Indústria da Transformação. O IPEA alertou sobre um perigoso descolamento entre os níveis de produtividade e a evolução dos salários reais, dentro da indústria. Isso, na prática, eleva o custo unitário do trabalho e onera mais ainda o setor industrial. Caso este descolamento prossiga, pode funcionar como mais um obstáculo à possibilidade de retomada da atividade industrial nos próximos meses – e, por conseqüência, ajudar a desacelerar ainda mais o ritmo de crescimento do PIB brasileiro. O técnico de planejamento e pesquisa do instituto, Leonardo Mello, afirmou que, para a atividade industrial não encerrar 2012 com taxa de variação negativa, seria preciso um crescimento mensal da ordem de 1,6% de junho a dezembro desse ano (algo que vem se mostrando cada vez mais improvável).
  • Ministro Mantega ainda acredita em crescimento acima de 3% para o 2º semestre de 2012: O Ministro afirmou que é possível um crescimento de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) anualizado no 2º semestre de 2012. "Estou olhando para o 2º semestre, o 1º foi fraco e no 2º semestre podemos crescer 3,5% a 4%. É claro que depende da atitude de todos". Questionado sobre uma projeção para o ano, Mantega afirmou que "continuaremos lutando para ter o maior PIB possível para este ano" e que "não estou aqui para fazer projeções de PIB". Mantega cobrou ajuda do setor empresarial, com investimentos, e dos bancos, com redução de spreads e aumento de crédito. "É preciso que o setor empresarial aumente investimentos, que o setor desperte o espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagem". Ou seja, traduzindo suas falas, percebe-se apenas uma boa intenção do Ministro em acreditar numa retomada do crescimento na 2ª metade do ano, e chama o empresariado a ser co-responsável por este desejo. Mas em termos objetivos, não conseguiu apontar soluções concretas e, principalmente, mais positivas, sobre os rumos da economia brasileira, o que é lamentável. O Ministro também mandou um recado ao setor bancário para que os reduzam seus spreads. O Ministro reconheceu que a inadimplência aumentou e que não é mais possível o crédito crescer com o mesmo ritmo que cresceu nos últimos anos, saindo de 22% do PIB para os atuais cerca de 50%. Porém, de acordo com ele, os bancos não devem reduzir as operações de concessão de crédito. "Os bancos são pró cíclicos, mas têm de ser anticíclicos. Não é sair dando crédito, mas se reduzir o spread, a inadimplência vai cair. O spread bancário no Brasil é muito alto. Vocês têm de ganhar no volume. Dá para fazer mais”. Ainda de acordo com Mantega, os bancos têm de buscar lucros por meio de aumento de produtividade e investimentos em tecnologia. Por último, o Ministro disse que a economia brasileira tem condições de voltar a crescer até 5% entre 2013 e 2014.
  • Mantega afirma que a crise retarda os benefícios das medidas de estímulo à economia brasileira: Juros mais baixos, controle fiscal e estabilização do Real em um patamar mais baixo em relação ao Dólar compõem, para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma nova matriz macroeconômica, que vai estimular o crescimento da atividade do país nos próximos anos. Ele ponderou, contudo, que a crise na Zona do Euro, o baixo crescimento da economia dos Estados Unidos e a desaceleração da China e da Índia estão retardando os efeitos das medidas que têm sido adotadas pelo governo para estimular a economia brasileira. A queda na taxa de juros, por exemplo, foi citada por Mantega como um fator que estimula investimentos, e afirmou que a estratégia do governo para acelerar o crescimento da economia não está calcada apenas no estímulo ao consumo, como foi feito há três anos. Defendeu a diminuição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns setores da indústria, e citou que o governo também está atuando com medidas estruturais para sustentar a produção e o consumo no longo prazo, mas, como em toda reforma, os efeitos dessa nova matriz levam algum tempo para serem sentidos. Mantega também voltou a dizer que novas desonerações em setores da indústria deverão acontecer nos próximos meses.
  • COPOM reduz a taxa SELIC para 8,00% ao ano: O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu, por unanimidade, manter a trajetória de corte na taxa básica de juros (SELIC) em 0,5 ponto percentual, como esperado por quase a totalidade dos analistas do mercado financeiro. Essa foi a 8ª queda consecutiva da SELIC. Com isso, os juros básicos brasileiros caíram para 8,00% ao ano e reforçaram a idéia de que, se for preciso subir os juros no futuro, dificilmente esta iniciativa significará ultrapassar a casa dos dois dígitos. O COPOM considerou que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação, e que dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.
  • Mercado reduz previsão de alta da SELIC para 2013: O mercado mantém a previsão de que o juro básico da economia brasileira seguirá em queda nas duas próximas decisões do COPOM, até atingir o patamar inédito de 7,50% ao ano. O último Boletim Focus de julho aponta a SELIC fechando o ano em 7,25%, e 8,50% para 2013 (a estimativa anterior era de 9,00% em 2013). Assim, o mercado prevê aumento de 1 ponto no decorrer de 2013 e não mais de 1,5 ponto como visto anteriormente. Alguns analistas econômicos ainda mais otimistas acreditam que a SELIC possa chegar a até 6,50% neste ano. Entretanto, é importante destacar que a inflação, no mês de julho, demonstrou sinais de aquecimento, o que pode mudar as análises até então consideradas sobre a redução da SELIC.
  • Dólar fecha julho a R$ 2,0494: O Dólar encerrou o mês de julho em R$ 2,0494, alta de 3,17% em relação a junho. Com isso, o ganho anual subiu de 7,54% para 9,68%. O Euro fechou o mês em R$ 2,5242. Especificamente com relação ao Dólar, a cotação final de julho se mantém dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de julho, está em R$ 2,00 (alta de R$ 0,05 em relação à projeção do final de junho). Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,00 (alta de R$ 0,10 em relação à projeção do final de junho).
  • IPCA de julho fica em 0,43%: Índice que mede a inflação oficial brasileira apresentou forte elevação em julho, passando de 0,08% em junho para 0,43% neste último mês (o maior resultado mensal desde abril). Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 2,76%, ainda abaixo dos 4,04% verificados no mesmo período do ano passado. Entretanto, considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 5,20%, acima dos 4,92% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, invertendo o movimento decrescente que vinha sendo observado desde setembro de 2011, e se distanciando do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de julho, é que o IPCA encerre 2012 em 5,00%. E para 2013, a projeção é de 5,50%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ foi o principal vilão da inflação em julho: Os preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,68% em junho para 0,91% em julho) causaram impacto de 0,21 ponto percentual no IPCA, com destaque para o tomate, a cenoura e o alho. Os grupos ‘Despesas Pessoais’ e ‘Habitação’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês (0,09 e 0,08 pontos percentuais, respectivamente). Já o grupo ‘Transportes’ foi o principal responsável para a queda do índice de inflação no mês de julho (de -1,18% em junho para -0,03% neste mês, impacto de -0,01 no IPCA). Entretanto, a Petrobrás já anunciou o objetivo de aumentar gradativamente os preços dos combustíveis para os próximos meses, devido aos resultados negativos da companhia, o que certamente ajudará a pressionar para cima a inflação deste grupo, e conseqüentemente, do próprio IPCA.
  • Aumento salarial de servidores pode pressionar inflação em 2013: A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, por unanimidade, o texto-base da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2013. O relatório fixou o orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em R$ 45,2 bilhões no próximo ano e a meta do superávit primário em R$ 155,9 bilhões. O relatório abriu brechas para incluir reajustes salariais de servidores públicos no Orçamento de 2013. Na Lei também está previsto salário mínimo no valor de R$ 667,75 mensais, aumento de 7,36% sobre o valor atual de R$ 622,00. Dessa maneira, a expectativa do mercado de que a inflação para 2013 pudesse se manter próxima a 5,00% deve se alterar, com novas previsões de altas futuras. Cenário preocupante para a economia brasileira: fraco crescimento e inflação em alta!
  • IGP-M acelera em julho e fica em 1,34%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, voltou a se acelerar em julho, atingindo 1,34% no mês, frente a 0,66% verificado em junho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou perto do teto do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro, que era de 0,95% a 1,36%, com mediana de 1,26%. No ano, o IGP-M acumula alta de 4,57%, e de 6,67% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de julho, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 7,12%, e para 2013, a projeção é de 5,00%.
  • Inadimplência do consumidor cresce 19% no 1º semestre de 2012: Segundo a SERASA Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou 19,1% no 1º semestre de 2012 sobre igual período do ano passado. Em junho, o dado acelerou 15,4% sobre o mesmo mês de 2011, enquanto a comparação com maio deste ano apresentou retração de 0,5%. Economistas da SERASA Experian atribuem o avanço acumulado dos primeiros seis meses do ano ao crescente endividamento e descontrole do consumidor ao assumir novas dívidas. "A renda do consumidor está comprometida, principalmente com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e de alto valor (veículos e imobiliárias), o que leva a um descontrole no gerenciamento da situação", disse a entidade em nota. De acordo com a SERASA, em média, 60% dos consumidores que não honram seus pagamentos têm dívidas acima de 100% de suas rendas. "É importante destacar que o patamar da inadimplência poderia ser superior, mas a evolução da renda e o desemprego baixo estão atenuando este cenário", disse a entidade. Vale destacar, neste contexto, que a tendência que se apresenta para o futuro é de arrefecimento na geração de empregos, o que pode abalar este cenário. As dívidas não bancárias e as com os bancos foram as principais responsáveis pela alta da inadimplência no 1º semestre, com variação de 21,6% e 22,1%, respectivamente.
  • Expectativa é de recuo na inadimplência do consumidor no 2º semestre: Apesar da análise feita no item anterior, a inadimplência do consumidor deve seguir trajetória de queda ao longo do 2º semestre, segundo previsão da SERASA Experian. O índice de perspectiva calculado pela empresa, que antevê o nível de inadimplência com seis meses de antecedência, caiu 1,5% em maio, ante abril, para 95,9 pontos. "A seqüência de quedas mensais do indicador sinaliza que a inadimplência do consumidor, após ter subido ininterruptamente desde o início de 2011, deve se estabilizar e, posteriormente, entrar em trajetória de recuo ao longo do 2º semestre deste ano", avaliou a entidade em nota.
  • Inadimplência das empresas tem maior alta desde 2009: Segundo a SERASA Experian, a inadimplência das empresas cresceu 16,5% no 1º semestre de 2012, na comparação com o mesmo período de 2011, sendo a maior alta para o período desde 2009. Em junho, a inadimplência recuou 5,7% na comparação com maio. No confronto com o mesmo período do ano passado, no entanto, houve elevação de 11,4%. As dívidas não pagas junto aos bancos foram as que mais cresceram no 1º semestre de 2012: alta de 23,9% ante o mesmo período de 2011. Já os protestos e as dívidas não bancárias cresceram em ritmos praticamente idênticos no período: altas de 19% e de 18,9%. Por fim, o volume de cheques devolvidos por falta de fundos avançou 3,7%. Para a SERASA, as empresas continuam a enfrentar dificuldades por causa da desaceleração da economia, do ainda alto nível de dívidas não pagas pelos consumidores e da maior seletividade das instituições financeiras na concessão de crédito, fatores que mantiveram a inadimplência das pessoas jurídicas em alta no semestre. Vale ressaltar que, diante do alto nível de inadimplência, os bancos aumentaram suas reservas para ‘calotes’ em 37%, o que, na prática, acaba se refletindo no aumento do custo para empréstimos futuros (e mesmo do spread bancário).
  • Expectativa é de manutenção elevada no índice de inadimplência das empresas: Se a inadimplência das pessoas físicas tende a cair, a das jurídicas deve manter-se em patamar elevado nos próximos meses, segundo a SERASA. O Indicador de Perspectiva da Inadimplência das Empresas avançou 0,5% em maio, na comparação com abril, para 104,8 pontos. De acordo com a companhia, foi a menor variação mensal do indicador em 18 meses, mas ainda assim sinaliza que a inadimplência das empresas deverá manter-se em patamar relativamente elevado. Por outro lado, é pequena a probabilidade de deterioração adicional durante o 2º semestre de 2012. "O lento processo de reativação do crescimento econômico, o nível ainda elevado da inadimplência dos consumidores e o agravamento da crise financeira internacional estão postergando a concretização de uma trajetória de queda mais consistente da inadimplência das empresas", observou a SERASA Experian.
  • País gerou 1.047.914 novas vagas no 1º semestre de 2012: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no 1º semestre do ano, 1.047.914 novas vagas de emprego com carteira assinada. Em termos setoriais, os dados mostram que todos os oito setores de atividade econômica elevaram o nível de emprego, com destaque para o setor de Serviços (+469.699 postos), Construção Civil (+205.907 postos), Agricultura (+135.440 postos, a maior taxa de crescimento entre todos os setores e subsetores), Indústria de Transformação (+134.094 postos) e Comércio (+56.122 postos). No mês de junho, foram gerados 120.440 novos postos de trabalho.
  • FMI divulga relatório sobre a economia brasileira: O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o relatório ‘Staff Report for the 2012 Article IV Consultation for Brazil’, que analisa o desempenho macroeconômico do Brasil. O texto destaca que o ritmo de crescimento da economia brasileira vai se acelerar no 2º semestre de 2012 (como deseja o governo), devendo crescer em torno de 4% a 4,5% ao ano em 2013-2014. Avalia ainda que a desaceleração observada no final de 2011 foi fruto, em grande parte, da deterioração mais forte do que antecipada do quadro externo, que afetou a confiança dos empresários. O relatório também aponta que as políticas monetária e fiscal, adotadas desde agosto de 2011, promoverão uma recuperação gradual da atividade econômica brasileira, e foram avaliadas de forma positiva pelo Fundo Monetário, que entende também serem essas medidas adequadas para enfrentar a crise. O país é considerado bem posicionado, com políticas e instrumentos sólidos, para atravessar essa nova fase da turbulência internacional. Sobre o sistema financeiro, a avaliação é que ele está robusto, bem regulado e tem supervisão e provisões adequadas. O relatório aponta ainda que a inflação está convergindo para o centro da meta e se manterá em torno dela em 2013 (neste ponto, vale ressaltar que, à época da divulgação do relatório - a missão do FMI de “Consulta do Artigo IV” ocorreu no Brasil de 7 a 22 Maio de 2012 - a inflação ainda não havia apresentado sinais de volta do aquecimento, como observado em julho).
  • OCDE aponta desaceleração nos mercados emergentes, em especial nos BRIC´s: Relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta uma tendência de desaceleração econômica na Rússia, Índia e China. A organização sediada em Paris informou que o seu indicador para a China, que fornece uma medida da atividade econômica futura, caiu para 99,2 em maio ante 99,4 em abril, afastando-se ainda mais da média de longo prazo de 100. Para a Índia, o indicador caiu para 97,8 ante 98,0, também abaixo da média de longo prazo de 100. "Os indicadores apontam para desaceleração da atividade econômica na maioria das economias principais da OCDE e para uma desaceleração mais acentuada nas principais economias que não pertencem à OCDE", informou a Organização. O indicador geral para países da OCDE, que cobre 33 nações, recuou para 100,3 frente a 100,4, um nível consistente com crescimento moderado. O índice para a Zona do Euro ficou estável em 99,6 pelo 3º mês consecutivo, um nível que indica desaceleração. Os Estados Unidos continuaram em território de crescimento com uma leitura de 100,9, apesar de ficar abaixo da leitura de 101,1 de abril. O Japão viu seu indicador recuar para 100,7 ante 100,8. Fora da OCDE, o Brasil foi o único país a ver uma retomada da atividade econômica, com um aumento para 99,2 contra 99,0 na leitura anterior.
  • Diretora do FMI adverte sobre arrefecimento do crescimento econômico global: A próxima atualização do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as perspectivas econômicas globais refletirá uma tendência "em baixa" e estará mais pessimista do que as previsões publicadas há três meses, afirmou a diretora do organismo, Christine Lagarde. "Os indicadores, sejam de investimento, emprego, crescimento ou indústria, desaceleraram em alguns lugares e pioraram muito em outros. E não só na Europa, também nos Estados Unidos e em alguns países emergentes, como Brasil, China e Índia”, disse Lagarde durante um fórum econômico na capital japonesa. Sem antecipar mais detalhes sobre o relatório, que será publicado em 16 de julho, a diretora do FMI se referiu também à cúpula européia, assinalando que as medidas tomadas vão "na direção correta", elogiando os avanços para a construção das bases rumo a uma união bancária, e considerou fundamental que isso esteja acompanhado de uma união fiscal. A participação de Lagarde no seminário de Tóquio, organizado pelo diário econômico Nikkei, inscreve-se nos preparativos para as próximas reuniões gerais do FMI e do Banco Mundial, que acontecerão na capital japonesa em outubro.
  • Pesquisa do Instituto Sentix aponta 73% de chance de uma ‘quebra’ da Zona do Euro: os investidores estão céticos com a possibilidade da permanência da Grécia na Zona do Euro. O índice de probabilidade de separação na Zona do Euro, medido pelo Instituto Sentix, subiu para 73% em julho. A pesquisa avalia a percepção de investidores sobre as chances de pelo menos um país deixar o grupo nos próximos 12 meses. O índice havia se estabilizado em 55% um mês atrás, quando os investidores foram consultados logo após saberem sobre os resultados de uma reunião de autoridades da União Européia. Em julho, a Espanha também passou a ser foco dos investidores. Chegam a 15,4% as chances do país também deixar o Euro, acima dos 12,5% reportados anteriormente. Para Portugal, houve queda de 13,4% para 12,2% no índice. A pesquisa ainda avalia as chances de contágio dos países com problemas para outras nações do grupo, que aumentaram de 44,1% para 45,3%.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Junho de 2012

O mês de junho confirma a forte desaceleração da economia brasileira, considerada mais grave do que o previsto, conforme todas as projeções do mercado e do próprio governo. Este anunciou mais um pacote de medidas de estímulo à economia, via compras públicas. Outros destaques negativos referem-se à desaceleração no saldo da balança comercial brasileira e ao aumento contínuo da inadimplência do consumidor. A Zona do Euro busca um acordo para consolidação do bloco, e conseqüentemente, restauração da ordem econômica diante dos efeitos da crise. Outros indicadores de junho: inflação (redução em relação a maio) e mercado de trabalho (redução no ritmo de criação de novos empregos). 

  • Boletim Focus do Banco Central reduz ‘drasticamente’ estimativa para o PIB em 2012: De acordo com o último Boletim Focus de junho, o Banco Central reduziu ‘drasticamente’ a previsão do PIB para 2012, de 2,72% no início do mês, para 2,05% no final de junho. Vale destacar que há 8 semanas seguidas o BC tem reduzido tal estimativa, e o que antes era visto como pouco provável pelo governo – crescimento abaixo de 3% no ano -, agora é visto como ideal para evitar um crescimento abaixo de 2%. Para 2013, a projeção é de 4,20%, 0,30 ponto percentual menor do que a estimativa feita no início de junho, que era de 4,50%.
  • Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, reduz PIB para 2,50% em 2012: O Banco Central, em seu Relatório Trimestral de Inflação, reduziu a estimativa para o crescimento da economia brasileiro neste ano, de 3,50% (dados de março de 2012) para 2,50%. De acordo com o relatório, “a nova estimativa incorpora os resultados do PIB do 1º trimestre de 2012, dados preliminares referentes ao 2º trimestre, período em que a retomada da atividade vem ocorrendo de forma bastante gradual, e a atualização do cenário macroeconômico para a segunda metade ano”. Na realidade, a expectativa de um crescimento maior da economia no 2º semestre parece não ser consenso mais nem no mercado, nem no próprio governo.
  • Governo anuncia pacote de compras públicas para estimular a economia: O Governo Federal anunciou uma série de medidas de estímulo à economia, que envolvem antecipação de compras públicas. Somadas, elas atingem cerca de R$ 8,4 bilhões e abarcam vários Ministérios. Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o foco do novo pacote de estímulos é o investimento, e uma das medidas inclui a redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), cobrados pelo BNDES, de 6% para 5,5%, visando a redução dos custos dos investimentos produtivos no país. O Ministro também destacou a ação do governo em estimular a redução dos juros bancários para pessoas físicas e para fortalecimento do câmbio, tornando as mercadorias brasileiras mais produtivas (e competitivas no mercado internacional). O programa anunciado pelo governo prevê aquisições nas áreas de Saúde, Defesa, Educação e Agricultura. Na área de Saúde, mais de 80 itens produzidos no país poderão ser adquiridos com preços até 25% superiores aos dos concorrentes, além de linhas de financiamento do BNDES dedicadas à compra de equipamentos na área (nesse caso, o índice de nacionalização deve ser de, no mínimo, 60%). Na área educacional, serão adquiridos 8,5 mil veículos e 30 mil móveis. Para combater a seca, serão comprados 8 mil caminhões e 3 mil patrulhas agrícolas, com foco no aumento da produtividade. Parte dos R$ 8,4 bilhões já estava prevista no Orçamento de 2012, mas o adicional necessário chegará a R$ 6,6, bilhões. Com isso, a previsão de investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para 2012 subiu de R$ 42,6 bilhões para R$ 51 bilhões. A seguir, uma síntese das ações do novo pacote de estímulos do governo:


TJLP
O governo anunciou a redução de 6% para 5,5% da taxa que baliza os investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
Caminhões
Serão adquiridas 8 mil unidades no valor de R$ 2,28 bilhões para equipar as Forças Armadas e para Estados e municípios com problemas climáticos
Patrulha Agrícola (tratores e implementos)
Serão 3 mil unidades a um custo de R$ 870 milhões para aumentar a produtividade agrícola dos municípios
Retroescavadeiras
Serão 3.591 unidades a um custo de R$ 650 milhões para melhorar as estradas vicinais e o escoamento da produção dos municípios
Motoniveladoras
O governo vai comprar 1.330 unidades a um custo de R$ 638,6 milhões
Perfuratrizes
As compras totalizarão 50 unidades e o governo pretende gastar R$ 13,5 milhões para perfuração de poços na região da seca
Ambulâncias
O governo vai adquirir 2.125 unidades a um custo de R$ 326,3 milhões para o Sistema Único de Saúde
Unidade Odonto Móvel
Serão 1.000 unidades, no valor de R$ 154,2 milhões também para o Sistema Único de Saúde
Trens Urbanos
O governo pretende gastar R$ 721 milhões para comprar 160 vagões às estatais Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb)
Motocicletas
O governo pretende gastar R$ 22,3 milhões para adquirir 500 unidades para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal
Blindado Guarani
Para abastecer o Ministério da Defesa, serão 40 unidades a um custo de R$ 342,4 milhões
Veículo Lançador de Míssil
O governo vai gastar R$ 246 milhões para comprar 30 unidades
Ônibus
Serão 8.570 unidades a um custo de R$ 1,714 bilhão para o Programa Caminho da Escola
Mobiliário escolar
Serão 3 milhões de unidades num custo de R$ 456 milhões para equipar as escolas
Margem de preferência
O governo dará preferência para compra de equipamentos e materiais hospitalares produzidos no Brasil, num valor total de R$ 2 bilhões

O governo, de fato, está preocupado com o desempenho da economia para 2012, abalada, sobretudo, pela crise internacional, e já havia anunciado uma série de medidas de estímulos nos primeiros meses do ano. O Ministério da Fazenda vem conversando com os fabricantes de eletroeletrônicos e móveis para avaliar o alcance e efeito da redução tributária. Não está descartado que o governo mantenha a redução em um contexto de estímulo ao consumo e à produção.
  • Saldo da Balança Comercial em junho acende sinal de alerta no governo: O mês de junho encerrou com a Balança Comercial apresentando superávit de R$ 807 milhões, e de R$ 7,073 bilhões no 1º semestre do ano. Entretanto, tais resultados são os piores dos últimos 10 anos (para o mês e para o semestre), informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O sinal de alerta está aceso, já que a expectativa era que o 2º semestre no Brasil fosse de melhora no crescimento econômico e das exportações, algo cada vez mais improvável de ocorrer. De acordo com dados do MDIC para o 1º semestre do ano, as exportações caíram em relação ao 1º semestre de 2011 (com forte queda nos preços de commodities como minério de ferro e petróleo), enquanto as importações bateram recorde para o período.
  • Dólar fecha junho a R$ 2,010: O Dólar encerrou o mês de junho em R$ 2,010, baixa de -1,85% em relação a maio. Com isso, o ganho anual caiu de 8,20% para 7,54%. O Euro fechou o mês em R$ 2,5605. Especificamente com relação ao Dólar, os operadores de câmbio consideram que o mercado ainda está reagindo à forte atuação do Banco Central, ocorrida na última semana do mês, e também a uma pequena melhora no cenário externo, após o anúncio de medidas na Zona do Euro. Apesar das medidas anunciadas no exterior representarem alguma tranqüilidade, ainda há dúvidas sobre como serão executadas. Além disso, operadores também alertam que a moeda norte-americana pode mostrar alguma volatilidade, reagindo à percepção do fraco crescimento no Brasil, tornando o país menos atrativo para investimentos estrangeiros. O mercado aponta um intervalo, entre R$ 1,90 e R$ 2,10 (chamado de ‘banda informal’), no qual o Banco Central está atento – perto dos R$ 2,10 poderia voltar a fazer leilões de venda, e abaixo de R$1,90 poderia voltar a comprar dólares no mercado à vista. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, está em R$ 1,95, conforme o último Boletim Focus de junho (alta de R$ 0,05 em relação à projeção do final de maio). Para 2013, a taxa de câmbio está estimada em R$ 1,90 (alta de R$ 0,03 em relação à projeção do final de maio).
  • IPCA de junho fica em 0,08%: Índice que mede a inflação oficial brasileira apresentou forte redução em junho, passando de 0,36% em maio para 0,08% neste último mês (o menor desde agosto de 2010, quando foi de 0,04%). Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 2,32%, bem abaixo dos 3,87% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 4,92%, o mais baixo resultado desde setembro de 2010 (quando foi de 4,70%). A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de junho, é que o IPCA encerre 2012 em até 4,93%. Para 2013, a projeção é de 5,50%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continuou sendo o principal vilão da inflação em junho: Os preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,73% em abril para 0,68% em maio) causaram impacto de 0,16 ponto percentual no IPCA, com destaque para a batata inglesa e o tomate. Já o grupo ‘Transportes’ continuou sendo o principal responsável para a queda do índice de inflação no mês de junho (de -0,58% em maio para -1,18% neste mês, impacto de -0,24 no IPCA), com destaque para a redução dos preços dos automóveis (dada a redução do IPI implementada pelo governo).
  • IGP-M desacelera em junho e fica em 0,66%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, desacelerou em junho, atingindo 0,66% no mês, frente a 1,02% verificado em maio, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No ano, o IGP-M acumula alta de 3,19%, e de 5,14% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de junho, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 5,87%.
  • Inadimplência é recorde no Brasil em maio, segundo o Banco Central: Acompanhando o crescimento do crédito no Brasil, a inadimplência chegou ao seu recorde histórico no mês de maio. Segundo o Banco Central, o crédito total disponibilizado no país representou 50,1% do PIB neste mês (ou R$ 2,136 bilhões), mas por outro lado, a inadimplência atingiu 6%, maior nível desde o início da série histórica, que se iniciou em junho de 2000. Em abril, a inadimplência havia ficado em 5,9%. O calote da pessoa física subiu 0,2 ponto percentual em maio, para 8%, enquanto a inadimplência das empresas ficou estável pelo 4º mês consecutivo em 4,1%. A esperança do governo é que a inadimplência recue a partir do 2º semestre do ano, como resultado da maior qualidade de crédito oferecido.
  • Segundo a SERASA, inadimplência do consumidor sobe 6,2% em maio: Conforme a SERASA Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou 6,2% em maio, acumulando a 3ª alta consecutiva. No acumulado de 2012, o índice apontou elevação de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Especificamente em relação a maio de 2011, o aumento foi de 21,4%. O valor médio das dívidas não bancárias subiu de R$ 314,74 para R$ 369,72 (alta de 17,5%). Segundo os economistas da SERASA, o aumento da inadimplência do consumidor ocorreu em todos os tipos de dívida analisados, com destaque para a do tipo ‘não bancária’ (cartão de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços), a qual contribuiu com 3,6 pontos percentuais para o avanço da inadimplência do mês. Para eles, o crescente endividamento do consumidor e as compras parceladas referentes ao Dia das Mães foram as principais razões para a alta da inadimplência em maio. Além disso, o mês teve dois dias úteis a mais que abril, o que levou ao registro de um número maior de dívidas não honradas no período.
  • País gerou 139.679 novas vagas no mês de maio de 2012: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de maio, 139.679 novas vagas de emprego com carteira assinada. No ano, já são 877.909 novos postos de trabalho criados no país. Em termos setoriais, os dados mostram que sete dos oito setores de atividade econômica elevaram o nível de emprego, com destaque para Agricultura (+46.261 postos, a maior taxa de crescimento entre todos os setores e subsetores), Serviços (+44.587 postos), Indústria de Transformação (+20.299 postos), Construção Civil (+14.886 postos) e Comércio (+9.749 postos).
  • Analistas se dizem preocupados com a estratégia do governo de endividamento e ‘financeirização’ da pobreza: Diversos especialistas de mercado e analistas econômicos se mostram preocupados com a alternativa escolhida pelo governo de estimular o crescimento do PIB por meio de consumo (via crédito e outras medidas). Para a socióloga Para a socióloga Cláudia Sciré, o que está ocorrendo é uma "financeirização da pobreza" e não a efetiva ascensão de uma nova classe média ou nova classe C, como aponta o próprio governo. A socióloga questiona: "Eles deixaram de ser pobres? O acesso a bens culturais e à educação [de qualidade] continua muito difícil. O consumo sozinho não pode ser parâmetro", critica, questionando a sustentabilidade da ascensão e o endividamento das camadas da população que tiveram aumento de renda e consumo na última década. A incerteza sobre a capacidade de endividamento e da eficácia do estímulo ao consumo também preocupa o economista Fábio Giambiagi: "Apesar de os juros estarem caindo, esse endividamento nos outros países se dá com juros muito inferiores aos brasileiros, de tal forma que o mesmo endividamento tende a gerar, aqui no Brasil, um comprometimento da renda com o pagamento maior que nos outros países. Esse pacote recente do governo aponta no sentido de estimular o consumo no sentido de melhorar o PIB este ano. A gente entende pela lógica do curto prazo. Mas, para o médio e longo prazo, o conselho seria aumentar os canais de investimento público e privado". Apesar dos efeitos econômicos e sociais positivos, a socióloga Cláudia Sciré lembra que o acesso ao crédito pode ter consequências indesejadas na vida dos emergentes. "As pessoas às vezes se confundem, até porque o crédito oferecido é duas ou três vezes maior do que a renda. As pessoas acabam se endividando e a vida delas passa a ser gerida e pautada por esses prazos do mercado por essas dívidas que elas vão assumindo. Isso tem consequências graves como não conseguir visualizar um horizonte de possibilidades para além do mês seguinte", alerta a socióloga.
  • Zona do Euro chega a acordo para união bancária e fiscal: os 17 países da Zona do Euro chegaram a um acordo para aprofundar sua integração econômica, sobretudo com uma união bancária e fiscal, fazendo do Euro um projeto irreversível, conforme anunciou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. A partir deste acordo, o Conselho da UE, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu começarão a elaborar um programa e apresentarão na cúpula de outubro um primeiro relatório com um roteiro e um calendário concreto. A Zona do Euro quer criar uma nova arquitetura européia baseada em uma união bancária, fiscal e política, com mais solidariedade e menos soberania, um supervisor bancário europeu, um Tesouro do Euro, Eurobônus, vetos a orçamentos nacionais e limites à emissão de dívida dos países. Segundo o relatório, na união bancária haverá dois elementos centrais: uma supervisão bancária européia única e um sistema comum de garantias de depósitos e de resolução bancária. A supervisão teria dois níveis: o europeu e o nacional, mas o primeiro teria a "responsabilidade final" e, portanto, a autoridade em matéria de supervisão sobre "todos" os bancos, assim como poderes para intervir de maneira preventiva. Atualmente, a supervisão européia dos bancos é coordenada pela Autoridade Bancária Europeia (ABE), mas o BCE pode receber a incumbência de vigiar as entidades da Eurozona. O sistema de garantias de depósitos também seria supervisionado em nível europeu, assim como o fundo europeu de resolução de bancos, cujos recursos procederiam das próprias entidades. O bloco da união fiscal suporá a cessão de mais soberania nacional, sendo esse o elemento imprescindível para que a Alemanha aceite mais solidariedade. Com a união fiscal, serão tomadas na Eurozona mais decisões em comum sobre as contas nacionais em troca do compartilhamento de riscos, e isso exige prevenir e corrigir políticas fiscais insustentáveis em cada país. Desta forma, a Eurozona poderia fixar tetos anuais de despesa aos orçamentos nacionais e limites aos níveis de dívida, de modo que um país que quiser emitir mais dívida que a estipulada conjuntamente teria de justificar sua decisão e receber autorização prévia dos demais sócios. Depois, seria possível explorar "a médio prazo" a emissão de dívida comum, de modo que só seriam introduzidos os Eurobônus quando houver "um robusto marco de disciplina orçamentária" para evitar o risco moral, como exige a Alemanha. O processo em direção à emissão de dívida comum seria gradual e feito por fases, com o progresso nas decisões sobre orçamentos acompanhado pelos correspondentes passos para compartilhar riscos.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Como ser eficaz utilizando-se das mídias digitais

Amigos,
Li o artigo abaixo no site Inovação & Marketing, sobre mídias sociais, mobilidade, e-mail marketing, e o uso eficaz dessas ferramentas e possibilidades digitais no mundo de hoje. Achei interessantíssimo o tema, e por isso, destaco aqui as partes mais importantes do mesmo. Para quem tem interesse em ler o artigo na íntegra, o endereço é:
http://inovacaomarketing.com/2012/07/01/marketing-e-mail-midias-sociais-e-mobilidade-como-ser-eficaz/
Boa leitura a todos!

Marketing: E-mail, mídias sociais e mobilidade - como ser eficaz?

Globalmente, profissionais da área de Marketing são desafiados a obterem as melhores respostas do consumidor em relação às suas marcas. Os canais de comunicação com o público se expandiram, deixaram de ser unidirecionais e exigem um novo posicionamento das empresas que não querem atuar apenas como espectadoras ou coadjuvantes em seus mercados. Mas entre o leque de canais de comunicação disponíveis, qual o mais eficiente? É melhor escolher apenas um ou marcar presença em todos? Mas é possível estar em vários sem perder o foco?

A resposta para essas questões obriga que os decisores voltem seu olhar para dentro da empresa, analisem em que momento ela está, tracem uma estratégia e saibam claramente que objetivos se quer atingir, levando em conta que cada canal tem seu tom, seu fim e suas características.

Hoje os principais canais de comunicação e marketing digital contemplam o e-mail marketing, as mídias sociais e a mobilidade. 
  • E-mail Marketing: As empresas que ainda acreditam que o e-mail marketing é um canal para comunicação generalizada e em massa estão definitivamente no caminho não adequado. O principal critério para usar o e-mail marketing com eficiência é a relevância. O consumidor só vai dar atenção a mais aquele e-mail em sua caixa de entrada se o assunto e o conteúdo forem relevantes, adequados ao seu perfil. E para segmentar o envio de e-mail, a empresa precisa conhecer o cliente de forma personalizada, levantar informações e dados de comportamento que a levem a direcionar somente mensagens que tenham a ver com aquele perfil específico, sejam ofertas de compra, atendimento ou prestação de serviço. A frequência com que o cliente quer receber esse tipo de comunicação também precisa ser levada em conta. Por fim, não custa lembrar que o e-mail marketing precisa sempre ter a permissão do usuário. 
  • Mídias Sociais: O grande desafio para iniciativas de branding bem sucedidas nesse canal está na capacidade de envolver e motivar as pessoas em torno de uma ação. O usuário das mídias sociais pode não estar necessariamente interessado em comprar e, portanto, não quer receber mensagens focadas na venda de produtos e serviços. Ou seja, um argumento agressivo de vendas nas mídias sociais não é bem recebido. Oferecer entretenimento e informação é muito mais pertinente neste canal. Promover engajamento, envolvimento e relacionamento deve ser o objetivo central, tendo sempre em mente que este canal é de múltiplas vias, que deve gerar interatividade e fazer com que as pessoas se sintam à vontade para comentar, indicar aos amigos, “curtir”, compartilhar entre si. Gostar de uma marca pode não significar um interesse imediato de compra, mas motivar as pessoas a falarem de determinada empresa e pulverizar aquela mensagem entre seu grupo de amigos gera direta e indiretamente visibilidade e divulgação para a marca. Outro ponto importante é que, ao estar presente nas mídias sociais, a empresa precisa ter uma política de como dar retorno aos comentários e posts, estando preparada inclusive para receber críticas, pois uma vez aberto o canal, ele ganha dinâmica própria.
  • Mobilidade: Um ponto importante para a boa comunicação neste canal é forma de abordar o consumidor, para que ele não se sinta invadido. O envio de mensagens de texto via torpedos só pode acontecer se houver um opt in formal e, além disso, essa forma de comunicação se presta muito mais a promover relacionamento, atendimento e prestação de serviços do que publicidade. Possibilitar entretenimento também é uma boa opção, por meio da oferta de aplicativos com os quais os usuários se identifiquem ou como forma de prestar algum serviço de utilidade pública, por exemplo.

Se estabelecer uma comunicação eficaz com o consumidor em cada um desses canais já demanda uma estratégia bem definida, o mesmo vale para as empresas que queiram desenvolver ações integradas. Neste caso, tratar esses meios de forma isolada faz com que a empresa não aproveite os canais em toda sua potencialidade.


Ou seja, mais do que desenvolver iniciativas para e-mail marketing, mídias sociais ou mobilidade, se a marca quer fazer uso destes três canais de modo verdadeiramente eficaz, deve pensar em uma estratégia de cross-channel, para acompanhar os resultados de forma integrada e poder mensurar o todo. O e-mail marketing pode levar o usuário a se interessar pelas mídias sociais da marca, o website da empresa pode permitir compartilhamento em Facebook ou Twitter dos trechos que interessem ao cliente, aplicativos usados em smartphones podem ser replicados nas mídias sociais, uma ação iniciada em um canal pode render desdobramentos em outros, etc…

São inúmeras as formas de capitalizar a interação do usuário nos diversos canais digitais. Isso demanda, no entanto, criatividade e estratégia. O mercado brasileiro tem amadurecido gradativamente absorvido esta visão mais ampla e integrada, portanto não há dúvidas de que esse é um caminho que tende a estimular e fortalecer o relacionamento entre consumidores e empresas. Ignorar essa tendência é ignorar as inovações, as novas gerações e as formas como elas interagem com o mundo.