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domingo, 2 de junho de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Abril e Maio de 2013

O governo, enfim, se rendeu ao óbvio, e aumentou a taxa SELIC para 8,0%, em defesa da estabilidade econômica e combate à inflação. Por outro lado, os dados do 1º trimestre do PIB brasileiro ficaram abaixo da expectativa, o que ajuda a construir um cenário macroeconômico de pressão inflacionária, taxas de juros em alta, e baixo crescimento, tudo o que o governo não queria, mas que poderia ter evitado há mais tempo. O Dólar, que vinha se mantendo no patamar de R$ 2,00 há vários meses, fechou o maio em R$ 2,1430, principalmente devido às boas notícias vindas do mercado americano.
  • PIB cresce 0,6% no 1º tri de 2013, menos do que o esperado pelo mercado e pelo governo: Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o PIB cresceu 0,6% no 1º trimestre em relação aos últimos três meses de 2012, chegando ao valor de R$ 1,11 trilhão. Os economistas esperavam um número maior, perto de 1%, mas acabou ficando no piso das projeções, que estavam entre 0,6% e 1,1%. Isso significa que a economia manteve exatamente o mesmo ritmo de crescimento registrado no último trimestre do ano passado (0,6%). Como um todo o PIB melhorou, mas foi puxado, principalmente, pela Agropecuária e pelos Investimentos, que cresceram 9,7% 4,6%, respectivamente. A Indústria teve queda de 0,3%, e os Serviços, que têm maior peso, avançaram ‘apenas’ 0,5%. Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu só 0,1%, enquanto o do governo ficou estável. Segundo o IBGE, o PIB acumula crescimento de 1,2% em 12 meses em relação aos quatro trimestres anteriores. Em relação ao 1º trimestre de 2012, o crescimento é de 1,9%.
  • Boletim Focus reduz novamente estimativa do PIB em 2013 para 2,77%: De acordo com o último Boletim Focus de maio, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2013, de 3,00% no início do mês, para 2,77% no final do mês. Para 2014, a projeção também caiu, de 3,50% para 3,40%. O governo, que em março acreditava em crescimento de 4%, já admite baixo desempenho para este ano, e com a decisão (pelo menos aparente) de priorizar o combate da inflação, a tendência é que a economia tenha que ser trabalhada não sob o viés do crescimento via consumo, mas com investimento produtivo e ampliação da oferta.
  • Banco Mundial prevê que Brasil crescerá menos que a América Latina em 2013: A região da América Latina e do Caribe deverá crescer 3,5% neste ano, ante alta de 3% no ano passado, mas ainda ficará abaixo da média de 5% observada antes da crise de 2008 e 2009 ou de 6% em 2010, prevê o Banco Mundial, em seu relatório semestral. O banco projeta que o Brasil e a Argentina deverão ter crescimento abaixo da média regional em 2013, em torno de 3%, superando, porém, a taxa de crescimento de 2%, em 2012. Segundo o relatório, estão diminuindo os ventos globais favoráveis que facilitaram o crescimento econômico robusto e a inclusão social na América Latina e Caribe na última década. O banco destaca ainda que o novo contexto global — de excesso de liquidez, crescimento mais lento na China, atividade econômica fraca e dívida pública elevada no mundo desenvolvido— aponta para a necessidade de a América Latina fazer mais por conta própria, a fim de voltar às taxas de crescimento semelhantes às taxas registradas na última década. Ele afirmou que a ênfase política está mudando dos motores externos para motores de crescimento interno, e das preocupações com a estabilidade macroeconômica e financeira para reformas de estímulo à produtividade. "À medida que os ventos globais favoráveis diminuem, a capacidade dos países da América Latina para crescer acima de 3,5% depende essencialmente deles mesmos”. O relatório observa que as conquistas da América Latina e Caribe na década de 2000 foram significativas, incluindo a estabilidade macroeconômica, crescimento sólido, redução da pobreza e uma distribuição de renda mais justa. De acordo com o Banco Mundial, o desafio para a política econômica daqui para frente é "preservar e trabalhar sobre os ganhos passados, consolidando os dividendos de um crescimento com inclusão social, e fazer isso sem a ajuda de ventos favoráveis globais".
  • COPOM aumenta, pela 2ª vez consecutiva, a taxa de juros SELIC para 8% ao ano: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros – a SELIC – de 7,5% para 8,0% ao ano, na última reunião realizada em 28 e 29 de maio. O motivo, segundo nota, foi a inflação, que tem sido motivo de preocupação da equipe econômica nos últimos meses. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse a nota. Tal decisão veio confirmar as análises deste boletim, iniciadas há quase um ano atrás, de que a autoridade monetária teria que aumentar, em algum momento, a taxa de juros básica da economia para segurar a inflação. A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do COPOM. Na reunião anterior, em 17 de abril, dois dos oito integrantes do Comitê votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano. Esta última alta, a 2ª consecutiva, ocorre no mesmo dia em que foi divulgado que economia brasileira cresceu abaixo do esperado no 1º trimestre de 2013. Na reunião de abril, o Comitê já havia indicado que a inflação preocupava não só pelo índice como pela dispersão – ou seja, pela quantidade de itens que registravam alta. Ainda assim, havia uma aposta de que "incertezas" na economia do Brasil, e principalmente, no cenário externo, reduziria a pressão sobre os preços, o que acabou não se confirmando como esperado. Em nota, a Força Sindical avaliou que a decisão do COPOM "acende o sinal de alerta para os trabalhadores porque, embora os índices mostrem bom nível de emprego, elevar a taxa SELIC contribuirá para a redução de investimentos no setor produtivo, obrigando o governo a pagar mais juros para investidores”. Ao contrário da Força Sindical, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FECOMERCIO-SP) apoiou a decisão do COPOM. "O BC acertou duplamente ao elevar a SELIC em 0,5 ponto percentual: indicou atenção ao patamar atual e à trajetória da inflação e cautela em promover um ajuste gradual da taxa", afirmou, em nota. A próxima reunião do COPOM está marcada para 9 e 10 de julho. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, a taxa SELIC deve ficar em 8,50% em 2013 (0,25 ponto percentual acima da projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também está em 8,50% (no início do mês era de 8,25%). Ou seja, a expectativa é de que haja, pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013. Outro fato importante foi a mostra do Presidente do Banco Central de que o foco de entidade deve ser, prioritariamente, o controle da inflação e da moeda, e não um instrumento de política do governo, como estava acontecendo até então.
  • IPCA-15 de maio fica em 0,46% e acumula 3,06% em 2013: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial brasileira, apresentou variação de 0,46% em maio e ficou abaixo da taxa de 0,51% registrada em abril. Em 2013, o IPCA-15 apresenta valor acumulado de 3,06%, bem acima da taxa de 2,39% relativa a igual período de 2012, o que justifica a preocupação do mercado e do próprio governo com a persistência da inflação neste ano. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA-15 situou-se em 6,46%, descendo dos 6,51% presentes nos 12 meses imediatamente anteriores. Os grupos ‘Saúde e Cuidados Pessoais’, ‘Vestuário’ e ‘Habitação’ tiveram os maiores impactos no IPCA-15 (1,30, 0,76 e 0,72 ponto percentual, respectivamente). Os remédios, em especial, com 0,10 ponto percentual, lideraram os principais impactos do mês. Já o grupo ‘Alimentos e Bebidas’ (que tem sido o grande vilão da inflação nos últimos meses), embora tenham aumentado 0,47%, mostraram forte recuo em relação a abril, quando a alta havia sido de 1,00%, e contribuíram fortemente para a queda do índice em maio.
  • Inflação medida pelo IGP-M ficou estável em maio, em 0,00%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 5º mês de 2013 em 0,00%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com isso, o acumulado em 2013 está em 0,9936%, e nos últimos 12 meses, o índice está em 6,2160%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, o IGP-M deve ficar em 4,27% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 4,75%). Para 2014, a projeção está em 5,30% (no início do mês era de 5,28%).
  • Dólar fechou maio em R$ 2,1430: O Dólar encerrou o 5º mês do ano acima de R$ 2,00. A cotação de 31 de maio foi de R$ 2,1430, ante R$ 2,0100 verificada no início do mês. O Euro fechou maio a R$ 2,7676, ante R$ 2,6258 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, apresentou em maio ganho de +6,61%, e no ano, até agora, acumula ganho de +4,74%. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de maio, é de R$ 2,05. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,10. O Banco Central (BC) manteve-se longe dos negócios. Profissionais do mercado citaram que, aparentemente, a autoridade monetária está disposta a permitir um Dólar em patamares mais altos. O movimento de alta no Brasil acompanha o avanço da moeda americana no exterior, onde o Dólar sobe ante boa parte das divisas com elevada correlação com commodities e em relação ao Euro. Os dados positivos divulgados nos Estados Unidos – aumento do índice de confiança do consumidor americano - têm motivado a busca pelo Dólar, em meio à percepção de que, com a economia americana se recuperando, aumentam as chances de que o Federal Reserve (FDE, o banco central do país) reduza o programa de compra de bônus. Com as boas notícias, os principais índices de ações em Nova York e na Europa subiram, enquanto o Dólar se fortaleceu com a perspectiva de que, numa economia em recuperação, os estímulos do FED podem ser retirados no futuro próximo. Isso, nas últimas semanas, tem fortalecido a moeda americana. No Brasil, mesmo com o Dólar acima de R$ 2,07, o BC não entrou no mercado — o que poderia ocorrer, conforme alguns analistas, por meio de leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro). A decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) sobre a SELIC traz um ingrediente adicional para os negócios. Apesar de o BC, na visão de alguns profissionais, estar confortável com um Dólar mais alto, já que o controle preferencial da inflação será feito via SELIC, ainda há certa preocupação com a alta da moeda americana.
  • Brasileiros têm endividamento recorde no 1º trimestre: O endividamento dos brasileiros com o sistema financeiro nacional bateu novo recorde ao final do 1º trimestre de 2013. Segundo o Banco Central, as dívidas das famílias correspondiam, em março, a 43,99% da renda anual. Em fevereiro, recorde anterior, o índice estava em 43,79%. No fim do 1º trimestre de 2012, era de 42,37%. Segundo o BC, parte do aumento do endividamento nos últimos anos está ligada ao crédito habitacional. Se forem excluídas as dívidas com a compra de imóveis, o endividamento fica em 30,48% da renda em março, ante 30,54% em fevereiro. Em março do ano passado, estava em 31,17%. Ao divulgar os dados sobre o crédito em abril, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que muitas famílias estão substituindo o pagamento do aluguel (que não entra na estatística da instituição sobre dívidas) pelo financiamento habitacional, um endividamento de longo prazo, com juros mais baixos e que significa aumento de patrimônio. O BC também divulgou números sobre o comprometimento de renda dos brasileiros, que considera dados mensais de renda e prestações pagas aos bancos. As prestações correspondiam, no 3º mês do ano, a 21,66% da renda mensal dos trabalhadores, ante 21,84% em fevereiro (dado revisado). Também houve queda em relação a março de 2012, quando o comprometimento estava em 22,91% da renda. Se forem retirados da conta os financiamentos habitacionais, o comprometimento da renda mensal fica em 20,06% em março de 2013, ante 20,24% em fevereiro.
  • Brasil criou 196.913 vagas de trabalho em abril: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a abril de 2013, foram criados no Brasil, 196.913 novas vagas de emprego com carteira assinada, expansão de 0,49% na comparação com março, mantendo a trajetória de expansão, e constituindo-se no maior saldo do emprego desde maio de 2012. Nos últimos 12 meses, o índice registrou a criação de 1.087.410 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,79% no contingente de empregados celetistas do país. No acumulado do ano, o mercado teve um acréscimo de 549.064 novas vagas. Na análise mensal, houve elevação em todos os oito setores de atividade econômica analisados. Em números absolutos, o destaque ficou com Serviços, com 75.220 novas vagas de trabalho, seguido da Indústria de Transformação (+40.603 novos postos), da Construção Civil (+32.921 novos postos) e da Agricultura (+24.807 novas vagas).
  • Taxa de desemprego atinge 5,8% em abril, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País, ficou em 5,8% em abril, ante 5,7% em março. O resultado veio no teto do intervalo das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de 5,5% a 5,8%, com mediana de 5,6%. A taxa é a menor para um mês de abril desde o início da série histórica, em março de 2002. Em relação a março deste ano, a população ocupada caiu 0,1% e, ante abril de 2012, avançou 0,9%.
  • “Economia dos EUA nunca mais será a mesma”: A época de ouro vivida pelos Estados Unidos antes do início da crise econômica em 2008, não deverá mais voltar, de acordo com Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA executivo da FAAP, especialista em economia internacional. A afirmação do diretor é pautada pela comparação com a economia britânica nos anos 20, após o Tratado de Versalhes, acordo de paz na Europa, que colocou fim oficialmente à primeira Guerra Mundial. "O ano de 2008 nos Estados Unidos é o 1919 dos ingleses. Devagar, depois do tratado, o império financeiro do mundo, em Londres, foi passando para Nova York. O mesmo irá acontecer com os Estados Unidos, que deixará de ser a potência econômica para a China e nunca mais voltarão a ser como antes", explica o professor. No entanto, ele destaca que os americanos continuarão a ser poderosos em pesquisa, organização e armamento, mas "a economia da China irá ultrapassá-los na metade da próxima década", pontua. A declaração veio após uma análise sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos no 1º trimestre. A primeira estimativa do Produto Interno Bruto da maior economia do mundo teve expansão de 2,5%, contra crescimento de 0,4% no 4º trimestre de 2012, impulsionada pelo aumento de 3,2% no consumo das famílias (contra 1,8% no trimestre anterior), pela alta de 2,9% nas exportações (ante -2,8% no último trimestre de 2012) e pelo expressivo crescimento dos investimentos do setor privado (12,3%, contra 1,3% no trimestre imediatamente anterior). No entanto, o valor ainda ficou abaixo das expectativas, que previam crescimento de 3,2%. A melhora foi limitada por causa dos gastos do governo com consumo e investimento, que caíram 4,1% (vindo de uma queda de 7% no 4º trimestre de 2012) por conta da forte contração dos gastos com a defesa, cuja queda foi de 11,5%. "Esse resultado reflete o ajuste fiscal iniciado pelo governo norte-americano no ano fiscal de 2013, que prevê um corte de US$ 85 bilhões no orçamento, sendo metade desse total deduzido exatamente do orçamento destinado ao Departamento de Defesa", aponta o analista da Concórdia, Flávio Combat, em relatório. Na opinião do professor, a presença militar americana nos outros países será cada vez menor, por conta da redução dos investimentos e também porque "o americano já está cansado deste cenário". Desta maneira, os gastos do governo já não serão mais uma das molas propulsoras do crescimento do país, mas sim os investimentos do setor privado. "Os americanos continuarão liderando as pesquisas de inovações, educação e saúde, mas manterão seu ritmo de crescimento entre 2,5% e 3%", diz Santos, que projeta expansão para este ano entre 1,5% e 2%. No que se refere à questão fiscal, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, apresentou ao Congresso um plano de gastos de US$ 3,8 trilhões para o próximo ano, que já contempla uma série de medidas para conter o aumento de gastos com saúde e seguridade social. No entanto, para conseguir esses cortes, a Casa Branca prevê aumento da tributação sobre as famílias mais ricas e sobre as empresas, propostas incisivamente combatidas pelos republicanos. "O aumento de impostos sobre os mais ricos e empresas é parte fundamental do ajuste fiscal planejado pelos democratas, que enxergam as iniquidades tributárias entre as classes mais ricas e as mais pobres como um dos principais problemas a serem enfrentados durante a reforma fiscal", completa Flávio Combat. Segundo estimativas da Casa Branca, a elevação dos impostos permitiria o aumento da arrecadação em US$ 1 trilhão na próxima década. Os republicanos insistem na manutenção dos benefícios fiscais e enfatizam a necessidade de cortes de até US$ 4,6 trilhões para os próximos dez anos, com severos ajustes nos programas sociais financiados pelo Estado. O resultado mais imediato desse embate é o travamento da pauta de projetos que tramitam no Congresso, dificultando a aprovação de novos estímulos para sustentar a atividade nos Estados Unidos. "Essa questão é totalmente política, o que é super normal, mas no fim os republicanos sabem que os democratas são mais fortes, uma vez que têm apoio da população", enfatiza o diretor da FAAP.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Janeiro de 2013

No 1º mês do ano de 2013, o Ambiente Econômico apresenta perspectivas preocupantes com relação à economia brasileira. Como destaque, a inflação mostra sinais de que, não somente está viva, mas que está querendo voltar com força à cena. O governo, por sua vez, não quer se utilizar da política monetária de aumento de juros para conter a inflação (diga-se de passagem, uma estratégia que funcionou há anos e contribuiu para a estabilidade do Real), e agora acena para uma ‘valorização forçada’ do Real como estratégia para controlar a inflação. Com a perspectiva cada vez maior de que o crescimento econômico em 2013 será baixo, o governo tenta estimular a competitividade da indústria, com isenções de impostos e aumento dos investimentos.
 
  • COPOM mantém SELIC em 7,25% na 1ª reunião de 2013: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central manteve, através de decisão unânime, a SELIC em 7,25% na 1ª reunião do ano, ocorrida em 15 e 16 de janeiro. Foi a 2ª vez seguida que o COPOM não alterou a taxa básica de juros, depois de uma sequência de dez cortes. Segundo o COPOM, “Considerando o balanço de riscos para a inflação, que apresentou piora no curto prazo, a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, e a complexidade que ainda envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta". A decisão está em linha com a projeção do mercado financeiro. Analistas dizem ser grande probabilidade de seguir a mesma estratégia nas demais reuniões ao longo de 2013. As projeções recentes que apontam um crescimento não tão robusto em 2013 com a inflação voltando a ganhar força, o que deve fazer com que a autoridade monetária mantenha inalterada a SELIC. Para estes analistas, subir os juros para conter a inflação poderia afetar o ritmo de recuperação da economia. Por outro lado, lembrando a fala do Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que a instituição não abandonou a política monetária e poderá fazer ajustes nos juros, para cima ou para baixo, quando necessário, tal estratégia de não alterar a SELIC deveria ser repensada. A inflação não está parada, está se acelerando, e o governo já deveria decidir, a partir da 2ª reunião de 2013, repensar sua política de juros, aumentando a SELIC, e sinalizando que a prioridade deveria ser conter a inflação. Já comentamos neste boletim sobre a linha de pensamento do atual governo e do Ministro Mantega, que é priorizar o crescimento mesmo com inflação um pouco mais alta: na nossa visão, isso pode custar caro ao país no futuro.
  • Após Ata do COPOM, mercado vê chance de alta da SELIC já em 2013: O cenário de queda da SELIC em 2013, que ainda vinha sendo defendido por uma corrente de analistas, foi enterrado após a divulgação da Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central. A elevação da taxa no curto prazo não é o cenário com que trabalha a maior parte dos economistas. Mas, apesar de o BC reafirmar que a SELIC será mantida por tempo “suficientemente prolongado”, já começam a surgir expectativas de alta no final deste ano. O mercado de juros futuros é o melhor reflexo dessa expectativa. Uma elevação da SELIC, se não é ideal para o momento, também não terá efeitos catastróficos, diz Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores. “As seguidas reduções da taxa não foram suficientes para levantar a economia”, diz. “Subir um pouco os juros agora seria até bom, pois seria preciso subir menos no final”. “Estamos apenas em janeiro e o COPOM já admite que a inflação não vai convergir para o centro da meta”, avaliou o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno. Para ele, a primeira parte da Ata deixou bem claro que a função do COPOM não é controlar a oferta (o que se conseguiria com corte de taxas), e sim a demanda (o que se controla com alta dos juros). No documento, o COPOM afirma que a recuperação menor da atividade econômica doméstica vem essencialmente das limitações de oferta. E, assim, essa lacuna não pode ser sanada por ações de política monetária "que são, por excelência, instrumento de controle da demanda". Em nota, a equipe de economistas do Banco Fator classificou a Ata como “hawkish” (mais dura com a inflação) e avaliou que ela “confirma nossa expectativa de manutenção da SELIC até o final do ano”, mas acrescentou que “de modo geral, se há risco de eventual alteração na taxa básica de juros, é um risco de alta”. Segundo a Ata, as projeções de inflação de 2013, tanto pelo cenário de referência como pelo de mercado, aumentaram e se posicionam acima do centro da meta de 4,5%, pelo IPCA. Para 2014, a projeção está “ligeiramente acima do centro da meta” em ambos cenários. De acordo com Eduardo Velho, economista-chefe da Planner, a Ata mostra uma preocupação do Banco Central com o viés expansionista do governo, variável sobre a qual não tem controle. “O governo pode adotar mais estímulos fiscais, é difícil prever isso, e em função destes estímulos será mais difícil cumprir a meta cheia de inflação”. A Ata ainda alerta, segundo Velho, para a piora no descompasso de oferta e demanda agregada. “Apesar da economia estar crescendo abaixo da capacidade, a oferta também está no mesmo movimento, então deve-se ficar em alerta sobre os investimentos no país”, afirma.
  • IPCA-15 de janeiro acelera para 0,88%: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial brasileira, se acelerou para 0,88% no 1º mês do ano, e ficou 0,19 ponto percentual acima da taxa de 0,69% verificada em dezembro de 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa realizada pela Reuters apontou que o indicador subiria 0,83% neste mês, segundo previsão de 31 analistas do mercado, que variaram de 0,71% a 0,87%. Os grupos ‘Despesas Pessoais’ e ‘Alimentação e Bebidas’ tiveram os maiores impactos no IPCA-15 (1,80 e 1,45 ponto percentual, respectivamente). Em janeiro de 2012, o IPCA-15 havia sido de 0,65%. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 ficou em 6,02%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (5,78%). Consolidam-se as expectativas de aceleração inflacionária para 2013, as quais já demonstraram sinais claros desde meados de 2012. O governo insiste em não alterar sua política monetária de elevação de juros, e a demora neste decisão poderá comprometer o próprio crescimento do país no futuro.
  • IGP-M foi de 0,34% em janeiro: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 1º mês de 2013 em 0,34%, ante elevação de 0,68% ocorrida em dezembro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de janeiro, o IGP-M deve ficar m 5,09% em 2013. Para 2014, a projeção é de 5,19%.
  • Consultoria afirma que ‘meta de inflação verdadeira é de 5,5%’: A meta de inflação no Brasil não é mais de 4,5%, mas de 5,5%. Essa é a conclusão de um trabalho elaborado pela consultoria A.C. Pastore & Associados, do economista e ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore, feito com base nas expectativas do próprio mercado financeiro. "Como o teto do intervalo contendo a meta continua sendo de 6,5%, a banda para acomodação de choques é de apenas um ponto porcentual para cima da ‘meta informal’ de 5,5%", afirma um trecho do relatório. O trabalho nota que, nos últimos anos, ocorreram oscilações frequentes da inflação iguais ou maiores do que um ponto porcentual em relação à meta. Por isso, argumenta que "cresceu a probabilidade" de a inflação superar o teto da meta. "Para um Banco Central que vem perdendo credibilidade, esta não é uma boa notícia", diz o texto. Apesar dessa conclusão, a A.C. Pastore ressalta que "não há, diante dessa sinalização, a acusação de que o Banco Central teria abandonado o controle da inflação". "Mas há uma clara indicação de que as autoridades abandonaram a meta de 4,5%, passando a perseguir uma meta mais elevada”. Para a consultoria, a sugestão dada pela combinação da estabilidade das expectativas de inflação junto com manutenção da taxa básica de juros (SELIC) em 7,25% ao ano por um extenso período é de que o BC "estaria satisfeito" com uma inflação de 5,5%.
  • Blog do Financial Times faz duras críticas ao Ministro Mantega: O blog dedicado aos mercados emergentes do jornal britânico Financial Times, o Beyondbrics, publicou um texto crítico aos procedimentos adotados pela equipe econômica brasileira. "Com o crescimento ainda lento e os preços subindo mais rápido do que o esperado, o Banco Central do Brasil e o Ministério da Fazenda também estão se tornando profissionais do 'jeitinho'", diz o texto, ao comentar que o famoso 'jeitinho brasileiro' chega agora à economia. Com a ressalva de que tudo o que o governo tem feito é legal, o texto destaca a entrevista dada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, à Rádio Estadão como exemplo do 'jeitinho' aplicado à economia. "O prefeito de São Paulo disse à Rádio Estadão que Mantega pediu para adiar o aumento na tarifa de ônibus por alguns meses para não prejudicar a inflação", diz o texto. "Com o aumento da taxa de juro fora de questão, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, também está trabalhando com alguns 'jeitinhos' para controlar a inflação", diz o texto. Para o blog do Financial Times, o Ministro brasileiro é algo como um "especialista no jeitinho". "Ele passou os últimos dois anos ajustando impostos no país para microgerenciar o crescimento e a moeda. As metas fiscais do Brasil também foram alvo de um pouco de criatividade", cita o texto.
  • Governo tenta atenuar impacto do reajuste da gasolina: A gasolina vai ficar mais cara nos postos pela 1ª vez em quase dez anos. O governo federal deve reajustar em 7% o preço do combustível. O óleo diesel também vai subir, mas em nível um pouco menor - entre 4% e 5%. O reajuste será sentido de imediato pelo consumidor, mas para amenizar esse impacto e evitar uma piora nos índices de inflação do ano, a equipe econômica estuda medidas que poderão ser adotadas nos próximos meses. Uma delas é o aumento da mistura de álcool anidro (etanol) na gasolina. O governo deve anunciar a elevação do teto da mistura, dos atuais 20% para 25%, com o reajuste dos combustíveis. Mas o aumento só será efetivado quando a colheita de cana-de-açúcar estiver no auge, o que deve ocorrer em junho. Demanda antiga dos usineiros, o aumento da mistura pode, no futuro, representar um desconto no preço da gasolina. Além disso, a medida alivia a necessidade de importação de gasolina, que tem contribuído para o déficit da balança comercial no início deste ano. A decisão de conceder o reajuste já está tomada no Ministério da Fazenda e recebeu o aval do Palácio do Planalto. Mas o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também é o presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, só vai bater o martelo sobre o aumento e a fórmula que será adotada para amenizar esse repasse ao consumidor quando voltar das férias. Vale ressaltar que, com o aumento, a inflação que já está se acelerando poderá disparar, já que historicamente todo aumento de combustível foi sempre repassado para os demais produtos da economia.
  • Dólar fechou janeiro em R$ 1,99, e o governo sinaliza que usará a taxa de câmbio para controlar a inflação: O Dólar encerrou o 1º mês do ano abaixo de R$ 2,00. A cotação de 31 de janeiro foi de R$ 1,99, redução de -2,73% em relação ao final de dezembro de 2012. O Euro fechou janeiro a R$ 2,6987, ante R$2,7064 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de Janeiro, está em R$ 2,05. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,07. Importante ressaltar que, no final de 2012, começou a aparecer no mercado uma ala que apostava em um Dólar mais depreciado ao longo de 2013, até mesmo abaixo do piso de R$ 2,00, para ajudar no controle dos preços. O argumento que aparecia como impedimento a essa atuação no câmbio era o fato de a economia ainda estar com um desempenho abaixo do desejado - o Dólar mais valorizado poderia contribuir na economia com um fortalecimento das exportações industriais. No entanto, o governo está preocupado com a aceleração da inflação. E o Banco Central parece que, aparentemente, abandonou a banda dos R$ 2,00 aos R$ 2,10, que estava bem definida e aceita pelo mercado, tendo feito um leilão da moeda americana no final de janeiro, e sinalizando que o Dólar está num patamar alto. "Parece que neste momento a pressão pela meta inflacionária está tendo um pouco mais de peso do que o potencial de perda de volume exportado", diz o gerente da Tov, que não descarta o dólar em R$ 1,95 nas próximas sessões. "Esse é um nível que deve estar servindo dentro do modelo macroeconômico do governo", pondera. Alguns investidores foram pegos de surpresa pela decisão da autoridade monetária, que parece contradizer recentes declarações de diversas autoridades do governo --incluindo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmara em novembro passado que o Dólar acima de R$ 2,00 "veio para ficar". "As autoridades brasileiras continuam a fazer o que elas sabem fazer melhor: confundir os mercados", escreveram em relatório os analistas do Brown Brothers Harriman Ilan Solot e Win Thin. O Dólar tem operado acima de R$ 2,00 desde o início de julho de 2012, quando o governo interveio para determinar uma cotação mais favorável aos exportadores brasileiros. Investidores apostam que o governo vai favorecer um Dólar mais baixo pelo menos durante o 1º trimestre do ano, quando as pressões inflacionárias são tradicionalmente mais altas no país.
  • Boletim Focus reduz estimativa do PIB em 2013 para 3,10%: De acordo com o último Boletim Focus de janeiro, o Banco Central reduziu a previsão do PIB para 2013, de 3,26% no início do mês, para 3,10% no final do mês. Para 2014, a projeção é de 3,70%.
  • Produção industrial fica estável (0,0%) em dezembro e fecha 2012 em queda (-2,7%): O índice para o fechamento de 2012 mostrou queda de 2,7%, após apontar avanço de 10,5% em 2010 e acréscimo de 0,4% em 2011. É o 1º resultado negativo desde a queda de 7,4% observada em 2009, ano em que a indústria ainda tinha reflexos dos efeitos mais intensos da crise internacional. No ano de 2012 (-2,7%), o 1º semestre (-3,8%) teve resultado negativo mais intenso que o 2º (-1,6%) nas comparações contra igual período do ano anterior. Em bases trimestrais, o setor industrial, ao recuar 0,6% no 4º trimestre de 2012, sustenta resultados negativos há cinco trimestres consecutivos, mas com clara redução no ritmo de queda, já que no 2º trimestre observou-se perda de 4,4% e no trimestre seguinte recuo de 2,6%, todas as comparações contra igual período do ano anterior.
  • Existem riscos de racionamento de energia no Brasil para 2013?: Inicialmente tachada como "ridícula" pela Presidente Dilma Rousseff, a hipótese de racionamento de energia entrou no radar do governo com a constante queda dos níveis dos reservatórios no início deste ano. "A questão é que agora passamos a considerar algo que antes não fazia sentido pensar", disse uma fonte da área técnica. "O nível dos reservatórios está baixando, então não podemos fechar os olhos”. A possibilidade de se repetir em 2013 o "apagão" de 2001 é, porém, considerada pequena tanto no governo quanto no setor privado, embora a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE) tenha sugerido que os grandes consumidores avaliem "a redução voluntária de suas demandas neste momento", numa espécie de racionamento "branco". Apesar do início do período úmido, o nível dos reservatórios só cai desde novembro. A expectativa era que as chuvas de dezembro melhorassem o nível dos lagos. Mas a combinação entre volume baixo de água e consumo elevado com o calor piorou a situação. No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que tem 70% do armazenamento do país, os reservatórios estão em 28,5%. Em meio a temores de um eventual apagão ou racionamento de energia, o governo conseguiu ampliar sua capacidade de manobra, ainda que restrita, com o acionamento das usinas termelétricas, mais caras e poluentes, enquanto espera pelas chuvas. A medida, tomada "tardiamente" na avaliação de especialistas, visa a complementar a geração das hidrelétricas e permitir a recomposição dos reservatórios de água. Para Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), a situação no país é extremamente delicada. "O Brasil está gerando energia à plena potência. Apesar de não podermos determinar se haverá apagão ou racionamento, não há plano B. Ou seja, qualquer queda na linha de transmissão ou até uma falha humana poderiam deixar o país às escuras", disse ele. Segundo dados da entidade, o nível das chuvas no Sudeste registra 72% da média histórica para o período, o que só ocorreu em 1933 e em 1934. Com o acionamento das usinas termelétricas, movidas a gás natural e a óleo diesel, a provável redução média de 20% na conta de luz anunciada por Dilma no ano passado tende a perder fôlego. Isso porque seu custo mensal é de R$ 650 milhões e caso permaneçam ligadas representarão um custo de 0,8 ponto percentual de acréscimo na tarifa a ser paga pelo consumidor brasileiro por mês, de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE). Para a Petrobras, segundo o Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), que vem importando Gás Natural Liquefeito (GNL) para manter a operação dessas usinas, o ônus também deverá ser alto. Se mantidas a 100% de sua capacidade durante o ano, o impacto de seu funcionamento para a estatal deverá ser de R$ 4 bilhões, considerando a diferença entre o preço de importação e o de venda no mercado interno.
  • Risco de crise de energia desafia Dilma e vira teste para 2014: O risco de novos apagões ou de um racionamento de energia é o 1º grande desafio do governo federal em 2013 e pode representar um teste para a popularidade da Presidente Dilma Rousseff em um ano decisivo, que antecede eleições presidenciais e a realização da Copa do Mundo. Com os reservatórios das usinas hidrelétricas abaixo ou próximo dos limites de dez anos atrás, quando ocorreu a crise do apagão, Dilma decidiu convocar às pressas uma reunião de emergência em Brasília. Nela, a presidente, que foi Ministra das Minas e Energia durante os primeiros anos do governo Lula e se destacou pelo perfil "técnico", discutiu com sua equipe alternativas para evitar a qualquer custo um eventual restrição ao consumo de energia que, se colocada em prática, na opinião de analistas, poderia afetar sua credibilidade. Entretanto, o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que, ainda que o problema se agrave, haverá pouco ou nenhum desgaste na imagem de Dilma. "A Presidente possui um alto índice de popularidade. É provável que ela saia incólume, tal como o seu antecessor, Lula, envolvido indiretamente nas denúncias do mensalão", afirmou ele à BBC Brasil. Fora das urnas, Dilma também terá pela frente o desafio de garantir a segurança energética do país, especialmente durante a Copa do Mundo. O consumo de energia tende a aumentar durante o evento esportivo. Além disso, o Mundial será realizado em junho, período no qual costuma haver escassez de chuvas, potencializando riscos. Especialistas também apontaram os riscos para o cenário energético brasileiro nos próximos anos. Segundo eles, o aumento dos custos relativos à geração de energia aliado à pressão, por parte do governo, pela redução das tarifas exigida para a renovação dos contratos das empresas do setor, especialmente a Eletrobrás, podem inviabilizar futuros investimentos na área, dada a diminuição da rentabilidade. Como resultado, na opinião de analistas, a segurança energética do país poderia ficar comprometida. "Caberá ao governo responder a isso se quiser assegurar os investimentos nesse setor a médio e longo prazo", disse à BBC Brasil Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.
  • Desconto na conta de luz residencial será de 18%, na média: A Presidente Dilma Rousseff anunciou, em cadeia nacional, o corte nas tarifas de energia. O desconto para os consumidores residenciais, que antes estava previsto em aproximadamente 16%, será de pelo menos 18%. Já a redução para a indústria, que originalmente iria até 28%, deve ultrapassar os 32%. E para se chegar a esse desconto o Tesouro Nacional irá aumentar os aportes. O aporte original previsto pelo Tesouro era de R$ 3,3 bilhões, mas agora a estimativa gira em torno de R$ 8,4 bilhões. No dia 7 de setembro de 2012, a Presidente Dilma prometeu reduzir em 20,2% em média as tarifas de energia elétrica no país, por meio da redução de encargos setoriais e da renovação das concessões de geração e transmissão de energia. Mas com a recusa de importantes companhias em renovar os contratos, o governo só havia conseguido uma redução média de 16,7%.
  • Inadimplência do consumidor sobe 15% em 2012, segundo a SERASA Experian: O nível de inadimplência do consumidor brasileiro aumentou 15% em 2012, informou a SERASA Experian, atribuindo o resultado ao endividamento e comprometimento de renda da população. Em dezembro apenas, a inadimplência das pessoas físicas saltou 14,2% ante o mesmo mês em 2011, mas diminuiu 1,5% sobre novembro. "Com parte do orçamento tomado por prestações, em 2012 o consumidor evitou novas compras e aproveitou a queda nos juros para regularizar suas pendências. Entretanto, essa mudança de comportamento na segunda metade do ano não foi suficiente para garantir um balanço anual mais favorável", afirmou a SERASA Experian, em nota. As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços) foram as que mais cresceram no ano passado, com alta de 28,8%, enquanto as bancárias tiveram crescimento de 8,2%. Os cheques sem fundo tiveram queda de 8,3% e os protestos subiram 1,6%. Conforme já apontado neste boletim, na sua última edição de 2012, a própria SERASA Experian acredita que o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros deve apresentar comportamento mais favorável em 2013, marcando uma trajetória de normalização após quase dois anos de crescimento.
  • Banco Central aponta estabilidade da inadimplência em 2012: O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, comentou que a inadimplência subiu no início de 2012, mas manteve-se estável ao longo de todo o ano passado. "Havia uma preocupação maior sobre o segmento de crédito para veículos, que vinha sendo acompanhado de perto e concentrava a maior parte do problema da inadimplência, e mostrou comportamento favorável depois de pico no meio do ano, como se esperava". Maciel salientou também que a redução dos juros praticada pelas instituições financeiras ao longo de 2012 diminuiu o comprometimento da renda das pessoas com encargos financeiros. Esse fator, de acordo com ele, também ajudou a reduzir a inadimplência.
  • Inadimplência das empresas fecha 2012 com alta de 10,4%: O Indicador de Inadimplência das Empresas, divulgado pela SERASA Experian, subiu 10,4% em 2012 ante 2011. Já na comparação de dezembro com novembro do ano passado, houve queda de 4,9% na inadimplência dos negócios. Na relação entre dezembro de 2012 com o mesmo mês de 2011, o recuo foi de 0,7%. Em nota, os economistas da SERASA Experian disseram que a alta na inadimplência das empresas em 2012 decorre da maior inadimplência do consumidor, que afeta as contas a receber das empresas. Para eles, o avanço da inadimplência também é reflexo da menor capacidade de geração de receitas, em um cenário de baixa atividade, "além das dificuldades em honrar financiamentos tomados para a expansão do negócio e para pagar fornecedores responsáveis pela reposição de estoques". Os economistas alegam ainda que a inflação, que elevou vários custos, também pesou para as empresas na gestão do caixa no ano passado. Em 2012, as dívidas não bancárias - cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços, como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água - registraram um valor médio de R$ 760,96, alta de 2,3% ante 2011. Já as dívidas com bancos tiveram em 2012 um valor médio de R$ 5.250,10, avanço de 1,6% sobre o ano anterior. Quanto aos títulos protestados, o valor médio verificado foi de R$ 1.954,82, alta de 8,4% na mesma base de comparação. Os cheques sem fundos registraram um valor médio de R$ 2.347,49, avanço de 12,3%.
  • Para o SCPC, inadimplência de empresas cresceu 6,9% em 2012: A inadimplência das empresas em 2012 foi 6,9% maior do que em 2011, informou a Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O cálculo para o levantamento se baseou em três variáveis: novos registros na base do SCPC, títulos protestados e cheques devolvidos – 2ª devolução por falta de fundos. Em 2011, o avanço da inadimplência entre as empresas foi de 16,8% em relação ao ano anterior; em 2010, houve recuo de 4,6% ante 2009. Em nota, a Boa Vista disse que a alta em 2012 se deve à redução do ritmo de crescimento da atividade econômica, ao avanço do endividamento e da inadimplência dos consumidores e ao aumento da restrição dos bancos à concessão de crédito. "A redução da atividade, aliada à menor capacidade de financiamento das empresas, trouxe um impacto direto sobre o fluxo de caixa e sobre a sua capacidade de honrar seus compromissos financeiros”. A empresa espera que em 2013 o cenário aponte para uma melhoria da atividade econômica na comparação com 2012. "O mercado de crédito possui perspectivas positivas, com juros em patamares baixos e redução da inadimplência dos consumidores, consequentemente contribuindo para a melhoria da capacidade de pagamento das empresas”.
  • País fecha 2012 com 1.301.842 novos postos de trabalho: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a dezembro de 2012, foram criados no Brasil, em todo o ano passado, 1.301.842 novas vagas de emprego com carteira assinada. Em dezembro, verificou-se uma redução de 496.944 postos (tradicionalmente, os dados do CAGED evidenciam uma sazonalidade negativa no mês de dezembro, devido à entressafra agrícola, término do ciclo escolar, esgotamento da bolha de consumo no final do ano, e a fatores climáticos). Em termos setoriais, os dados mostram que os Serviços responderam pela maioria dos novos empregos do ano passado (+666.160 novos postos). Os setores de Comércio (+372.368 novos postos), da Construção Civil (+149.290 novos postos) e da Indústria de Transformação (+86.406 novos postos) também se destacaram na geração de empregos do ano passado.
  • Criação de vagas formais em 2012 é a menor em 3 anos: O total de vagas formais de trabalho criadas em 2012 foi o menor em 3 anos - 1.301.842 novos postos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com ajuste sazonal, o resultado representa uma queda de 33,05% sobre o ano anterior, quando foram criadas 1.944.560 vagas. A pior marca anterior havia sido registrada em 2009, quando foram criadas 1.296.233 novas vagas com carteira assinada. O Sudeste foi a região que mais criou empregos formais no período. O número de novas vagas com carteira assinada nos quatro Estados da região foi de 655.282, pouco mais da metade do total. O crescimento de vagas no Sudeste foi de 3,20%. Em segundo lugar, a região Sul criou 234.355 empregos formais no ano passado, com uma expansão de 3,41%. Já o Nordeste, com 190.367 novas vagas, registrou um crescimento de 3,15% na base de trabalhadores com carteira assinada. Embora em termos absolutos tenham tido resultados menos expressivos, as regiões Centro-Oeste e Norte registraram as maiores expansões em percentual. No Centro-Oeste, as 150.539 novas vagas de emprego significaram um aumento de 5,33% no número de trabalhadores empregados. E no Norte, os 71.299 postos de trabalho criados em 2012 aumentaram a base de pessoas trabalhando em 4,20%. São Paulo foi o Estado com maior resultado em 2012, com 336.398 novas vagas no ano, seguido por Rio de Janeiro (148.797), Minas Gerais (145.292), Paraná (89.139) e Rio Grande do Sul (81.804). No mês de dezembro, o saldo líquido de vagas ficou negativo 496.944. Trata-se do pior resultado desde 2008. Em relação ao último mês de 2011, a piora foi de 17,86%, sem ajuste. Já na comparação com ajuste - que considera as declarações enviadas fora do prazo em dezembro de 2011 - a piora foi de 19%. Com relação ao resultado de dezembro, este foi pior que o estimado por instituições do mercado financeiro consultadas. As previsões iam de queda entre 320.000 e 450.00, com mediana negativa de 395.000. Entretanto, o resultado ficou próximo dos 500 mil empregos negativos no mês.
  • Ministro projeta a criação de 5 milhões de vagas em 2013: O governo espera criar 5 milhões de empregos em 2013 só com os investimentos tocados com recursos de dois fundos federais: o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os cálculos são do Ministro do Trabalho, Brizola Neto. O FGTS financia obras de habitação e saneamento, sendo o Minha Casa, Minha Vida o principal programa. O FAT é fonte de recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que dá crédito mais barato para empresas. No ano passado, esses dois fundos responderam pela criação de 4,7 milhões de vagas, estima o Ministério. Isso é quase um quarto dos 20,3 milhões de vagas abertas de janeiro a novembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). No mesmo período, porém, foram dispensados 18,6 milhões de trabalhadores, de forma que o saldo líquido de geração de emprego ficou em 1,7 milhão de vagas. Com o impulso dos fundos e das medidas de estímulo à economia anunciadas pelo governo no ano passado, Brizola Neto acredita que será possível retornar ao nível de 2 milhões ou mais de novas vagas, como registrado em 2010 e 2011. "O governo tem muita confiança e a área econômica diz que já estamos rodando numa faixa de crescimento de 3% a 4% ao ano”. O Ministro acredita estar numa das pontas operadoras de um novo modelo de desenvolvimento. Nesse quadro, os fundos públicos alimentados com recursos dos trabalhadores - o FAT e o FGTS - são o que ele chama de forma saudável de financiamento da economia.
  • Cerca de 67 milhões perdem emprego em 5 anos no mundo: Desde o período que antecedeu a crise econômica mundial até o ano passado, cerca de 67 milhões de pessoas perderam o emprego, de acordo com levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O estudo ‘Tendências Mundiais do Emprego 2013’ aponta que o desemprego global chegou a 197,3 milhões de pessoas no ano passado, com incremento de 28,4 milhões de desempregados de 2007 a 2012. A OIT estima que pelo menos 39 milhões de pessoas tenham desistido de regressar ao mercado de trabalho, dadas as dificuldades para conseguir um emprego desde a crise. Com a soma, a OIT chega ao número de 67 milhões de postos de trabalho a menos de 2007 até o final de 2012. Só no ano passado, o desemprego atingiu mais 4 milhões de pessoas. Um quarto desses novos desempregados foi registrado nas economias avançadas. A queda nos níveis de emprego nessas economias, de acordo com a OIT, teve repercussões consideráveis nos mercados de trabalho dos países em desenvolvimento. "A incerteza em torno das perspectivas econômicas e as políticas inadequadas que foram implementadas para lidar com isso, debilitaram a demanda agregada, freando os investimentos e as contratações", disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. De acordo com Ryder, muitos novos postos de trabalho requerem qualificações que as pessoas que buscam emprego não possuem. "Os governos deveriam intensificar os esforços dirigidos a apoiar as atividades relacionadas com a qualificação e a recapacitação a fim de enfrentar este tipo de desajuste que afeta os jovens de maneira particular". Atualmente, 73,8 milhões de jovens - entre 15 e 24 anos - estão desempregados em todo o mundo. A previsão da OIT é que a desaceleração da atividade econômica "empurre" outros 500 mil para o grupo de desempregados até 2014. A taxa de desemprego juvenil, que atingiu os 12,6% no último ano, pode chegar a 12,9% em 2017.
  • Crise econômica põe globalização em marcha lenta: A globalização desacelerou, segundo pesquisa da Ernst & Young com 730 líderes empresariais globais. O estudo "Olhando além do óbvio: globalização e novas oportunidades de crescimento" mostra que os chamados "países de rápido crescimento não-BRICs", como México, Turquia, África do Sul e Vietnã, estão ganhando espaço junto aos investidores na comparação com os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). Os BRICs, por sua vez, estão crescendo menos do que as expectativas recentes, e podem embarcar em mais protecionismo. Uma parcela de 46% das lideranças empresariais consultadas disse esperar que o protecionismo crescerá neste 4 países nos próximos 12 meses, comparado a apenas 32% que julgaram que o mesmo aconteceria com os países de rápido crescimento não-BRICs. Segundo o estudo, a globalização, definida como integração dos negócios entre diferentes países, vai continuar nos próximos anos, mas em ritmo mais lento. As causas principais dessa desaceleração são a crise global e as recessões subsequentes, especialmente nos países ricos. A pesquisa da Ernst & Young aponta que os BRICs foram a grande aposta das multinacionais na década passada, e continuarão a ser peças fundamentais da economia global, com o crescimento médio superior ao do mundo. Mas, segundo os executivos ouvidos, as dificuldades de operar nos BRICs estão aumentando, sendo citados especificamente a desaceleração do crescimento, a alta da inflação e dos custos do trabalho, a instabilidade política, as carências de infraestrutura e os problemas burocráticos que erodem a confiança empresarial – neste sentido, os fatores se identificam fortemente com o Brasil. A pesquisa mostra que o número de executivos que vê os emergentes não-BRICs como principal fonte de novas receitas hoje é de 26%, enquanto o número que acredita que serão a principal fonte de novas receitas dentro de três anos sobe para 45%. O estudo cita dados como o do México, que é hoje o maior produtor do mundo de TVs de tela plana, o que é possível pelo custo relativamente baixo da mão de obra e pelos avanços educacionais. A África também é mencionada como uma nova fronteira de negócios, com aumento de 50% do investimento estrangeiro direto desde 2005, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). O relatório da Ernst & Young aponta ainda que, mesmo com a economia combalida nos Estados Unidos e na Europa, as oportunidades de negócios estão voltando a crescer nos países ricos. Uma das razões é uma desaceleração da tendência de empresas de países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos, de deslocarem para países emergentes etapas da sua produção. O estudo cita exemplos de empresas americanas que transferiram recentemente da China para os Estados Unidos a fabricação de produtos como caixas automáticos e pneus.
 

sábado, 22 de dezembro de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Dezembro de 2012

No mês de dezembro, o Ambiente Econômico apresenta como destaque a confirmação sobre o baixo crescimento econômico brasileiro previsto para 2012, mas com expectativa de aumento para 2013. Além disso, a inflação se mostra cada vez mais pressionada, com perspectivas preocupantes para o próximo ano, o que pode fazer o governo rever sua política de fomento ao crescimento sem segurar a inflação via aumento de juros.

  • IBC-Br inicia o 4º trimestre com alta de 0,36% em outubro: A economia brasileira iniciou o 4º trimestre com expansão de 0,36% em outubro sobre o mês anterior, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br avançou em outubro 3,20%, em 12 meses, acumula alta de 1,21%, de acordo com dados dessazonalizados. O indicador mostrou ainda recuperação em relação a setembro, quando o índice recuou 0,52% segundo dados dessazonalizados. O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: Serviços, Indústria e Agropecuária. O governo tem defendido que a economia começou a ganhar tração melhor neste final de ano, depois de o PIB ter crescido apenas 0,6% no 3º trimestre, muito abaixo do esperado e deixando claro que a recuperação ainda era bem lenta. O resultado do trimestre passado veio com a pior retração dos investimentos em mais de três anos. Outros indicadores também mostram que a economia pode estar ganhando mais força. Entre eles, as vendas no varejo, que cresceram em outubro pelo 5º mês seguido, com alta mensal de 0,8% ante setembro, no maior ritmo desde julho. A Produção Industrial, setor que vinha mostrando maior dificuldade de recuperação devido à crise mundial, também voltou a crescer em outubro, 0,9% frente a setembro. Ainda assim, permaneceram sinais de que os investimentos no setor não estão se recuperando.
  • Boletim Focus reduz estimativa do PIB em 2012 para 1,00%: De acordo com o último Boletim Focus de 14 de dezembro, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2012, de 1,27% no início do mês, para 1,00%. Para 2013, a projeção caiu, pela 5ª semana seguida, para 3,40%.
  • Redução de impostos foi a principal aposta para reativar o PIB em 2012: As reduções de impostos em setores específicos marcaram uma virada na condução da política econômica em 2012. Medidas tomadas pelo governo ao longo do ano tinham como alvo o setor produtivo, além de tentar estimular o consumo para preservar uma trajetória satisfatória de crescimento. Mas os efeitos da desaceleração da economia na Europa, nos Estados Unidos e na China, os principais parceiros comerciais do Brasil, aliado a fatores internos, como o baixo ritmo de investimentos, fez o contraponto aos planos do governo. Só no mês de dezembro houve anúncios de desoneração da folha de pagamento de empresas da construção civil e a redução do prazo de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de financiamento externo. O governo também anunciou investimentos de R$ 54,2 bilhões até 2017 para o setor portuário, via novas concessões, a centralização do planejamento dos portos na Secretaria de Portos, a criação de uma Comissão Nacional de Praticagem e aportes em dragagem e nas estruturas portuárias. Outros R$ 2,6 bilhões serão investidos em acessos hidroviários, ferroviários e rodoviários e em pátios de regularização de tráfego nos 18 principais portos públicos brasileiros. No fim de outubro a presidenta Dilma Rousseff havia decidido prorrogar as alíquotas menores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até 31 de dezembro. Em setembro, o governo decidiu adotar medidas para diminuir a conta de energia elétrica dos consumidores comuns, o que agora foi aprovado. As rodovias e ferrovias também ganharam um pacote para tentar solucionar antigos gargalos de logística do país. O plano de concessões anunciado em agosto, de R$ 133 bilhões, teve como objetivo reduzir o Custo Brasil e tornar a economia brasileira mais competitiva. Para 2013, o governo avalia a possibilidade de manter alguns dos estímulos provisórios que deveriam ser retirados a partir de janeiro. Uma das preocupações do governo é com o impacto no crescimento econômico e na inflação decorrente da retirada total dos incentivos no 1º trimestre do ano que vem. Pesa contra a renovação o efeito negativo no comportamento do consumidor de sucessivas renovações de benefícios. Entretanto, na visão deste boletim, o governo tenderá a continuar investindo nessa política, apesar dos efeitos colaterais observados.
  • Dilma diz que redução de impostos será sua maior luta: A presidente Dilma Rousseff afirmou que a redução dos impostos será uma de suas maiores lutas em 2013. "Um jornalista me perguntou: e a economia, presidente? A economia, estamos resolvendo em muitos lugares, baixando juros, fazendo câmbio ser mais real, assegurando redução das tarifas de energia, diminuindo impostos, o que é muito importante. No próximo ano, essa vai ser uma das minhas maiores lutas, a redução de impostos", completou Dilma, que voltou a destacar que quer tornar o Brasil um país de classe média. Ela disse também que é importante destinar recursos dos royalties do petróleo para a área de educação. "Considero importantíssimo que todo dinheiro que tivermos dos royalties, das participações especiais, ou do fundo social vá para educação", disse Dilma. E destacou as peculiaridades da realidade brasileira, que compreende situações de extrema pobreza a investimentos em tecnologia de ponta. Para Dilma, a "ponte" é a educação.
  • Brasil perde posto de 6ª maior economia do mundo: A desvalorização do Real em relação ao Dólar fez o Brasil perder o 6º lugar no ranking das maiores economias do mundo. Considerando o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no 4º trimestre de 2011, e no 1º, 2º e 3º trimestres deste ano, o país voltou para a 7ª posição, atrás do Reino Unido. A atividade econômica brasileira em marcha lenta foi decisiva para que a distância entre os dois países subisse para a casa dos US$ 200 bilhões, o equivalente ao PIB da Romênia. A Economist Intelligence Unit (EIU), responsável pelo levantamento, calcula que a economia do Brasil só voltará a ultrapassar a britânica em 2016. "Segundo nossas estimativas, o país vai continuar crescendo mais do que o Reino Unido ao longo desses anos, mas, levando-se em conta a evolução da taxa de câmbio projetada para o período, o Brasil só voltará a ser 6º em 2016", explicou o economista da EIU responsável pela América Latina, Robert Wood. A EIU, braço de análise da revista britânica Economist, considera no levantamento apenas o PIB nominal dos países (resultado da soma das riquezas produzidas) convertido em Dólar. Por isso, na ‘disputa’ Brasil/Reino Unido, pesou a expressiva desvalorização do Real ante a moeda americana em 2012. Como é inimaginável que o Brasil cresça os quase 16% que compensariam o desempenho das taxas de câmbio no ano, o país perderia a 6ª posição do ranking de qualquer forma. No entanto, se o desempenho da economia brasileira fosse melhor, a diferença entre os dois países seria inferior aos quase US$ 196 bilhões de hoje. O Brasil cresceu 0,7% de janeiro a setembro deste ano, enquanto o Reino Unido registrou estagnação no período. Caso o Brasil tivesse crescido no mesmo ritmo de outros pares latino-americanos, como Chile e Peru, que vêm se expandindo na casa dos 5%, teria encurtado a distância. O PIB nominal em Dólar é apenas uma das métricas usadas para medir o tamanho e o dinamismo de uma economia. "Vários estudos apontam que, quanto maior é uma economia, mais atraente é para investimentos estrangeiros", disse o professor de economia do Insper Eduardo Correia. "Nesse quesito, portanto, o Brasil está bem. Mas em várias outras medidas deixamos a desejar”. Correia lembra que, no rankingdo Banco Mundial que mede o PIB per capita, o Brasil ocupa apenas a 75ªposição. "No caso dos rankingsque mensuram a qualidade da educação, a situação é ainda pior: o Brasil está no 88º posto”. Independentemente da métrica escolhida, é consenso que o Brasil precisa crescer mais rápido para melhorar as condições de vida da população, o que se refletirá nos diferentes rankingscomparativos. "Várias questões que contribuíram para a expansão mais forte do Brasil nos últimos anos não estão mais soprando a favor", disse Wood, referindo-se ao "boom" dos preços das commodities, mercado de trabalho favorável e mudança estrutural no crédito. "Daqui para a frente, o país precisa ter ganhos de produtividade, o que passa por um menor ativismo do Estado, entre outros fatores”. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, observa que a média de crescimento do PIB nos dois primeiros anos do governo Dilma é inferior a 2% ao ano - 2,7% em 2011 e 1% estimados para 2012. Para o ano que vem, o economista da Sul América projeta alta de 3,3% do PIB, o que elevaria a média anual para 2,3%. "A queda do Brasil no rankingmundial das maiores economias decorre, principalmente, da taxa de câmbio. Mas, independentemente disso, o desempenho da economia tem sido fraco”. Para Correia, do Insper, se o Brasil mantivesse uma média de crescimento anual ao redor de 3%, conseguiria, pouco a pouco, reduzir a distância para as economias mais bem colocadas no ranking.
  • Relatório final do Orçamento prevê salário mínimo em R$ 674,96: O salário mínimo a vigorar em 2013 deverá ser fixado em R$ 674,96, de acordo com o relatório final entregue na Comissão Mista de Orçamento pelo relator geral do projeto, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Jucá afirmou que precisou alterar a proposta encaminhada pelo governo de R$ 670,95 para adequar o valor à lei atual que determina o cálculo do reajuste do mínimo pelo crescimento do PIB de dois anos anteriores mais a inflação medida pelo INPC. Jucá explicou que houve uma reestimativa de inflação e que essa diferença de valor significará R$ 1,36 bilhão a mais de gastos. O relator manteve em seu parecer o aumento salarial de 5%, em 2013, para as carreiras do funcionalismo público que negociaram reajustes com o governo. O senador afirmou que, embora os funcionários do Poder Judiciário insistissem em aumentos maiores, não há espaço fiscal para isso. O acordo do governo com os servidores prevê o mesmo índice de 5% de aumento por três anos, até 2015.
  • COPOM deve manter SELIC em 7,25% ao ano na 1ª reunião de 2013: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central deverá manter a SELIC em 7,25% na próxima reunião que acontecerá em 15 e 16 de janeiro de 2013. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que os juros estão hoje mais próximos dos verificados no resto do mundo, mas ressaltou que a instituição não abandonou a política monetária e poderá fazer ajustes nos juros, para cima ou para baixo, quando necessário. Para 2013, o mercado estima a SELIC também em 7,25%. É importante destacar a inflação está pressionada, e talvez o governo decida, a partir da 2ª reunião de 2013, repensar sua política de manutenção da SELIC em baixa. Juntamente com a expectativa de crescimento econômico mais alto no próximo ano, a volta da política monetária como instrumento de controle da inflação tem grande chance de retornar.
  • Dólar deve fechar 2012 mais próximo de R$ 2,10: O Dólar deve encerrar o ano mais próximo de R$ 2,10. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de 14 de dezembro, está em R$ 2,08. Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,08.
  • IPCA-15 de dezembro fica em 0,69%: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial brasileira, subiu 0,69% em dezembro, e ficou 0,15 ponto percentual acima da taxa de 0,54% verificada em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, no acumulado do ano, o IPCA-15 registrou alta de 5,78%, acima dos 12 meses encerrados em novembro, quando ficou em 5,64%. Em dezembro de 2011, o IPCA-15 havia sido de 0,56%. Ou seja, confirmam-se as previsões do mercado e deste próprio boletim que o resultado da inflação oficial brasileira ficará distante do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, em seu último Boletim Focus de 14 de dezembro, é que o IPCA encerre 2012 em 5,60%. Para 2013, a projeção é de 5,42%. Mais grave ainda, verifica-se uma pressão inflacionária nos últimos meses, o que pode levar o governo a retomar sua política de controle da inflação via aumento da taxa de juros.
  • IGP-M deve fechar 2012 em 7,62%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, deverá encerrar 2012 em 7,62%, segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de 14 de dezembro. Para 2013, a projeção é de 5,29%.
  • Inadimplência do consumidor caminha para normalização em 2013: O nível de inadimplência dos consumidores brasileiros deve apresentar comportamento mais favorável em 2013, marcando uma trajetória de normalização após quase dois anos de crescimento, estimou a SERASA Experian. O indicador de perspectiva da inadimplência do consumidor, que permite prever os movimentos cíclicos da inadimplência com seis meses de antecedência, recuou 1% em outubro, a 98,9, mantendo uma sequência de reduções mensais. "O desemprego historicamente baixo e ganhos salariais acima da inflação, as perspectivas de manutenção dos juros básicos em patamares também historicamente baixos e a melhora gradativa do crédito contribuirão para que a inadimplência do consumidor consiga uma trajetória de normalização no ano que vem", afirmaram os economistas da SERASA. O índice de inadimplência do consumidor apurado pela SERASA caiu 0,1% em novembro ante outubro, mas avançou 13% sobre um ano antes. A entidade também estimou que a inadimplência das empresas deve registrar queda gradual em 2013, após o indicador cair 1,5% em outubro ante setembro, para 92,4. Além da taxa básica de juros mantida em níveis historicamente baixos, a SERASA destacou expectativas de aceleração do crescimento econômico e a confirmação dos prognósticos de um cenário internacional menos conturbado em 2013 como fatores que podem favorecer o cenário de inadimplência das empresas.
  • País gerou 46.095 empregos formais em novembro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de novembro, 46.095 novas vagas de emprego com carteira assinada. No acumulado do ano, foram gerados 1.771.576 novos postos de trabalho. Em termos setoriais, os dados mostram que o Comércio (+109.617 novos postos) registrou o maior aumento do mês. O setor de Serviços (+41.538 novos postos) também apresentou variação positiva em novembro. Já os setores da Construção Civil, devido ao término de contratos e condições climáticas, da Agricultura, devido à presença de fatores sazonais negativos, e da Indústria da Transformação, devido aos ajustes da demanda das festas do fim do ano, registraram queda no emprego (-41.567, -32.733 e -26.110, respectivamente).
  • IBGE aponta queda no desemprego em novembro: O desemprego brasileiro caiu para 4,9% em novembro, ante 5,3% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a menor taxa para o mês de novembro desde o início da série (março de 2002) e a 2ª menor de toda a série (a menor foi de 4,7% em dezembro de 2011). O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.809,60, o valor mais alto da série iniciada em março de 2002) apresentou alta de 0,8% na comparação mensal e de 5,3% frente a novembro do ano passado.
  • Brasileiro olha mais a prestação que o juro: Mesmo sob um cenário de crédito mais farto e mais barato, 69% dos brasileiros ainda avaliam que "mais importante que os juros cobrados ou os prazos é a prestação caber no bolso". Essa informação está presente na pesquisa da Confederação Nacional da Indústria e Ibope "Retratos da Sociedade Brasileira: Hábitos de Consumo e Endividamento". O estudo abordou questões dentro de quatro grandes grupos: condição financeira do brasileiro, padrão e consumo, efeito da redução dos juros sobre o consumo e endividamento. Sobre a condição financeira, o trabalho da CNI-Ibope apurou que, de maneira geral, a renda familiar cresceu nos últimos 12 meses, ainda que tenha se mantido constante para 59% da população. Fatia de 44% dos consultados afirmou acreditar, na época da realização das entrevistas, que 2012 seria melhor que o ano passado. Em relação a padrão de consumo, o estudo apurou que nos últimos três anos, os brasileiros aumentaram suas despesas com saúde, cuidados pessoais e educação e reduziram gastos com viagens, hobbiese atividades esportivas. Apesar da pesquisa indicar que mais importante é "a prestação caber no bolso", 55% dos entrevistados responderam preferir comprar à vista que a prazo e 60% revelaram intenção de reduzir despesas porque as condições da economia poderiam piorar. Sobre o efeito da redução dos juros sobre o consumo, 33% avaliaram que isto resultaria em aumento das compras e gastos com serviços. Para 31%, o principal destino de um bônus equivalente ao salário seria a poupança. Outra parcela de 23% informou que esse bônus seria utilizado principalmente para o pagamento de dívidas. No quesito endividamento, a pesquisa apurou que 41% dos entrevistados tinham dívida ou estavam pagando algum tipo de parcelamento. A principal razão para se endividar, apontada por 41% dos entrevistados que estavam devendo, foi a compra de bens de consumo duráveis. Entretanto, 42% dos consultados informaram que tinham a situação financeira "no limite do endividamento". Além disso, 85% dos entrevistados endividados informaram ter alguma dificuldade para pagar as dívidas.