segunda-feira, 5 de novembro de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Outubro de 2012


No mês de outubro, o Ambiente Econômico apresenta como destaques a redução da SELIC (talvez a última do ciclo que se iniciou a pouco mais de um ano), a aceleração da inflação, a queda da produção industrial, a estabilidade da inadimplência de pessoas e empresas, e o pequeno avanço do país no ranking mundial de competitividade. De forma geral, o cenário brasileiro demonstra perspectiva de encerrar 2012 com fraco crescimento econômico e aceleração inflacionária, o que já aponta a necessidade de retomada do aumento da taxa de juros para 2013.

  • Boletim Focus reduz estimativa do PIB em 2012 para 1,54%: De acordo com o último Boletim Focus de outubro, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2012, de 1,57% no início do mês, para 1,54% no final de outubro. Para 2013, a projeção se manteve, pela 13ª semana seguida, em 4,00%.
  • Produção Industrial brasileira cai em setembro: Em setembro, a Produção Industrial atingiu 47,1 pontos, contra 54,7 registrados em agosto, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador varia de zero a cem pontos, sendo que valores acima de 50 representam aumento da produção. Em setembro de 2011, o índice havia registrado 49,1 pontos. Segundo a CNI, a indústria não deu continuidade ao crescimento da atividade registrado no mês anterior e reduziu a produção, sendo a elevada carga tributária, a competição acirrada de mercado e a falta de demanda os principais motivos apontados.
  • IBGE também aponta queda na Produção Industrial: Em setembro, a Produção Industrial caiu 1,0% em relação a agosto, após registrar taxas positivas por 3 meses consecutivos, e alcançou 16 dos 27 ramos investigados. Frente a setembro de 2011, o total da indústria apontou queda negativa de 3,8% em setembro de 2012, 13ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. O acumulado em 2012 registra queda de -3,5%.
  • COPOM reduz SELIC para 7,25% ao ano: Contrariando algumas previsões de que a SELIC não seria reduzida, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central, em sua última reunião ocorrida em 09 e 10 de outubro, decidiu reduzir pela 10ª vez consecutiva a taxa básica de juros da economia brasileira, de 7,50% para 7,25% a.a., novo recorde histórico de baixa. Entretanto, diferentemente das reuniões anteriores, a decisão não foi unânime, com alguns membros votando pela sua manutenção em 7,50%. O que é unânime entre os analistas de mercado é que a autoridade monetária, com esta última redução da SELIC, encerrou de fato o ciclo de afrouxamento monetário iniciado há pouco mais de um ano. De agosto de 2011 até hoje, a SELIC foi reduzida em 5,25 pontos percentuais. A ata da reunião aponta como argumentos dos votos contrários à redução o fato de que já existem pressões de demanda e de custos sobre a inflação, merecendo ser observado com maior atenção, visto que o IPCA tem demonstrado aceleração nos últimos resultados, principalmente vindo do grupo de ‘Alimentos e Bebidas’. A expectativa agora é que a SELIC seja mantida em 7,25% pelas próximas reuniões do COPOM, e somente a partir do 2º semestre de 2013 a taxa sofra novas alterações (provavelmente com movimentos de alta). A próxima reunião do COPOM, a última de 2012, ocorrerá em 27 e 28 de novembro, e a 1ª de 2013 ocorrerá em 15 e 16 de janeiro. Para 2012, o último Boletim Focus de outubro aponta a SELIC fechando o ano em 7,25%, ou seja, mantendo o atual patamar decidido na última reunião do COPOM. Dessa forma, estima-se que na próxima reunião a taxa seja mantida. Para 2013, o mercado estima a SELIC em 7,63%, 0,37% abaixo da última previsão, que era de 8,00%. É importante reiterar que a inflação continuou se acelerando em outubro, confirmando a tendência que este boletim e o próprio mercado têm apresentado de que a inflação irá fechar próxima de 5,50% em 2012.
  • Dólar fecha outubro a R$ 2,0313: O Dólar encerrou o mês de outubro em R$ 2,0313, alta de 0,19% em relação a setembro. Com isso, o ganho anual subiu de 8,50% para 8,61%. O Euro fechou o mês em R$2,6348. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de outubro, está em R$ 2,02. Para 2013, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,01.
  • O espaço de variação do câmbio no Brasil: A cotação do Dólar no final de outubro continuou se mantendo dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). O Ministério da Fazenda já fez intervenções para a moeda brasileira não se valorizar e anunciou que o governo interviria novamente, “se necessário”. Essas ações, no entanto, não significam que o Brasil tenha um câmbio fixo. O governo está mantendo a taxa de câmbio nominal fixa mas, nos termos reais, está apreciado. Os salários estão crescendo acima da produtividade e os custos de produção no Brasil crescem mais que no exterior. A Confederação Nacional do Comércio acredita que essa taxa de câmbio não vai persistir por muito tempo – e que o Dólar pode subir. “Em um movimento global de aversão a risco, o Banco Central não tem como segurar o câmbio, a menos que o governo mude o sistema para câmbio fixo, o que não vejo acontecendo”, disse João Felipe Santoro Araujo, economista da Confederação Nacional do Comércio. Utilizar o câmbio para estimular a competitividade da indústria funciona somente no curto prazo, segundo José Márcio Camargo, professor de economia da PUC-Rio. “Para fazer a indústria permanecer competitiva, seria preciso continuar desvalorizando. Seria perigoso para a inflação”, disse. Na apresentação do Relatório de Inflação, no mês passado, Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central, afirmou que a desvalorização do real, que vem ocorrendo desde agosto de 2011, exerceu algum impacto sobre a inflação. No Brasil, a confecção de muitos produtos utiliza insumos importados, logo, o Dólar valorizado leva ao aumento de preço do produto final, gerando inflação. “Hoje, boa parte do funcionamento da economia brasileira, para ter inflação menor e PIB maior, depende muito da situação internacional”, disse Braga.
  • IPCA-15 de outubro fica em 0,65%: Prévia do índice que mede a inflação oficial brasileira mostrou, novamente, aceleração em outubro, quanto comparado com setembro: 0,65%, ante 0,48% no mês passado. Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 4,49%, ainda abaixo dos 5,48% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA-15 situa-se em 5,56%, acima dos 5,31% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, e cada vez mais distante do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de outubro, é que o IPCA encerre 2012 em 5,44% (alta de 0,08 ponto percentual em relação à projeção feita no início do mês). E para 2013, a projeção é de 5,40%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continua como o principal vilão da inflação: O aumento nos preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 1,08% em setembro para 1,56% em outubro) causou impacto de 0,37 ponto percentual no IPCA-15, com destaque para a carne e o arroz. Os grupos ‘Vestuário’ e ‘Habitação’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês. Já os grupos ‘Educação’ e ‘Despesas Pessoais’ apresentaram redução em outubro.
  • IGP-M desacelera fortemente em outubro e fica em 0,02%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, desacelerou fortemente em outubro, e atingiu 0,02% no mês, frente a 0,97% verificado em setembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O destaque foi a queda dos preços das matérias primas brutas. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, cujas contas variavam entre 0,01% e 0,23% de alta. No ano, o IGP-M acumula alta de 7,12% e de 7,52% nos últimos 12 meses. As projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de outubro, apontam IGP-M para 2012 de 7,92%; para 2013, a projeção é de 5,16%.
  • Inadimplência volta a crescer no país em outubro: Depois de atingir, em setembro, o menor índice dos últimos dois anos, o percentual de famílias inadimplentes voltou a crescer em outubro. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), as famílias com dívidas ou contas em atraso passaram de 19,1% em setembro para 20,5% neste mês. O total de famílias com dívidas (não necessariamente em atraso), como cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros, também subiu – de 58,9% em setembro para 59,2% em outubro. A pesquisa mostra, no entanto, que o total de famílias sem condições de pagar as contas ou dívidas atrasadas teve uma leve queda, de 7,1% para 7% entre setembro e outubro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, todos os indicadores melhoraram, já que, em outubro de 2011, os percentuais eram os seguintes: famílias com dívidas (61,2%), inadimplentes (21,3%) e famílias sem condições de pagar as contas (8,2%).
  • Número de brasileiros que conseguiram tirar o nome da lista de inadimplentes é recorde: Estudo inédito da SERASA Experian aponta que o número de brasileiros que regularizaram suas pendências financeiras em 2012 e, conseqüentemente, limparam o nome, foi recorde. De janeiro a setembro, cerca de 15,1 milhões de consumidores renegociaram o pagamento de contas atrasadas e deixaram a base de inadimplentes. Segundo o presidente da SERASA Experian e da Experian América Latina, Ricardo Loureiro, “é uma ótima notícia para empresas e consumidores, pois devemos levar em conta que cada consumidor precisa regularizar em média quatro, cinco dívidas para deixar a lista de inadimplentes. O bom momento vivido pelo mercado de trabalho no país, com as taxas de desemprego em patamares historicamente baixos e ganhos salariais acima da inflação, está motivando as pessoas a quitar suas dívidas. Além disto, pela expressiva elevação da inadimplência a partir do início do ano passado, há uma conjuntura muito propícia à aproximação entre quem está devendo e quer pagar e quem está com débitos em haver e quer receber”. Para quem está endividado ou inadimplente e perdeu o controle das dívidas, o primeiro passo é buscar a renegociação. O consumidor deve aproveitar quando receber a parcela do 13º salário para organizar sua vida financeira. Ele mesmo pode regularizar suas dívidas diretamente com os credores, sem precisar contratar serviços de terceiros.
  • Inadimplência das empresas recua 9,2% em setembro: A inadimplência das empresas brasileiras recuou 9,2% em setembro, na comparação com agosto, conforme revelou o Indicador SERASA Experian de Inadimplência das Empresas, sendo esta a menor variação mensal desde maio deste ano. Na comparação com setembro de 2011, a inadimplência das empresas apresentou ligeiro avanço de 0,4%. Entre os acumulados de janeiro a setembro de 2012/2011, o crescimento foi de 12,7%.
  • País gerou 150.334 empregos formais em setembro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de setembro, 150.334 novas vagas de emprego com carteira assinada. No acumulado do ano, foram gerados 1.574.216 novos postos de trabalho. Em termos setoriais, os dados mostram que a Indústria da Transformação registrou o maior aumento no mês (+66.191 novos postos). Serviços (+55.221 novos postos), Comércio (+35.919 novos postos) e Construção Civil (+10.175 novos postos) também apresentaram resultados positivos. A Agricultura, por motivos sazonais, foi o único setor que registrou queda no emprego (-19.014 postos).
  • Brasil sobe duas posições em ranking de competitividade, mas ainda é pouco: Estudo da área de pesquisas da revista britânica The Economist mostra que o Brasil não terá grande evolução no quesito competitividade nos próximos anos. No novo ranking elaborado pela Economist Intelligence Unit, válido para o período de 2012 a 2016, o país aparece na 37ª posição. No anterior, que considerava os anos de 2007 a 2011, o Brasil estava em 39º lugar. A lista, que inclui 82 países e é liderada por Cingapura, Hong Kong e Suíça, mostra dois "velhos conhecidos" como os principais gargalos de competitividade brasileira: o custo da mão de obra e a carga tributária. De acordo com Justine Thody, analista responsável pelo estudo, a dificuldade do Brasil de subir no ranking é reflexo de "amarras estruturais". "E o país está ficando sem tempo para fazer as mudanças, pois a idade média da população está subindo”. O estudo mostra que, mesmo em áreas onde o Brasil começa a sair da inércia, como a infraestrutura, o ritmo ainda não é suficiente para que o país se destaque perante outras nações. Em infraestrutura, o Brasil vai continuar em 52ª lugar entre os 82 países analisados. "Não é que o Brasil não esteja fazendo nada, mas outras nações também estão empenhadas em melhorar”. Se a questão da infraestrutura é preocupante, a do custo da mão de obra e da carga tributária são vistas como urgentes. A estrutura de impostos deixa o Brasil na 76ª colocação no subitem tributos. O problema não são só as altas alíquotas - que correspondem a 35% do PIB -, mas também a dificuldade de as empresas entenderem o sistema. No quesito mão de obra, decisões como a desoneração da folha de pagamento para 24 setores da economia terão efeito marginal no desempenho do país nesse quesito. De uma medição para a outra, o Brasil passará da 66ª para 59ª posição.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quatro passos para se fazer um Plano de Marketing


Amigos, 
Publico o texto original que deu base para o artigo publicado na EXAME.COM, seção PME - DICA DE ESPECIALISTA - MARKETING, no dia 11/10/2012, intitulado "Como fazer um plano de marketing para sua empresa". Este artigo pode ser acessado pelo link
http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de-especialista/noticias/como-fazer-um-plano-de-marketing-para-sua-empresa

TEXTO ORIGINAL:
Quatro passos para fazer um Plano de Marketing: o passo-a-passo de como elaborar esse documento em pequenas empresas
Dr. Frederico Mafra, Professor de Marketing Estratégico do IBMEC e Consultor Sênior da Global On Consultores Associados*

Diante do cenário de negócios cada vez mais dinâmico e competitivo, as empresas têm percebido que saber planejar, nos dias atuais, tornou-se uma competência essencial para seu sucesso futuro. Muito mais do que um instrumento teórico, o Plano de Marketing constitui-se em ferramenta imprescindível para que o empresário possa focar seus esforços nas oportunidades que o mercado lhe apresenta, aplicando de maneira eficaz e eficiente seus recursos (estes, muitas vezes, escassos). A elaboração de um Plano de Marketing pressupõe a integração de pessoas e recursos da empresa em torno de processos de análise e identificação de mercados-alvo, criação, comunicação e entrega de um produto ou serviço de valor para o consumidor final. O resultado deve propiciar a satisfação do cliente, e para a empresa, crescimento de mercado e retorno financeiro para o empresário e seus colaboradores.

De forma prática, um Plano de Marketing deve ser elaborado através de quatro etapas principais.



A primeira refere-se à Análise do Ambiente de Negócios, onde a empresa deve estudar seu  mercado de atuação e/ou similares (histórico, tamanho, potencial de demanda, etc.), buscando identificar uma ‘Oportunidade de Marketing’ que pode ser trabalhada pelo plano.

A segunda etapa refere-se ao Marketing Estratégico, que corresponde à análise detalhada dos ‘atores-chave’ que fazem parte do setor de negócios escolhido pela empresa – consumidores, concorrentes, fornecedores -, e onde a Oportunidade de Marketing deverá ser desenvolvida. Ao final desta etapa, a empresa define o Posicionamento a ser trabalhado no mercado escolhido, ou seja, o modo como a empresa quer ser percebida e lembrada pelo consumidor. Este é o ponto principal de todo o processo de Planejamento de Marketing, pois busca definir os diferenciais que a empresa irá trabalhar nas ações de marketing para ganhar mercado e superar seus concorrentes.

A terceira etapa corresponde ao Marketing Tático, onde são definidas as ações efetivas (práticas) do planejamento, a partir do Posicionamento definido anteriormente. Nesta etapa são especificadas, em detalhes, as características do Produto (ou Serviço) a ser ofertado, seu Preço, a forma de Comunicação e a forma de Distribuição do mesmo junto ao mercado-alvo.

Por último, a quarta etapa deve tratar dos mecanismos de Controle e Avaliação do plano, através da definição de métricas e indicadores de desempenho que permitam à empresa medir o alcance dos objetivos e estratégias definidas.

Em suma, a elaboração de um Plano de Marketing permitirá à empresa ser eficaz (ter foco e objetivos definidos) e eficiente (ter estratégias e ações práticas) no mercado escolhido para atuar, sendo a base para a construção de uma vantagem competitiva sustentável.

* Frederico Mafra é Doutor e Mestre em Ciência da Informação (ECI-UFMG), Economista (FACE-UFMG) e Especialista em Gestão Estratégica de Marketing (CEPEAD-UFMG). Consultor Sênior da Global On Consultores Associados, com experiência nas áreas de Planejamento e Gestão Estratégica, Inteligência Competitiva, Gestão do Conhecimento, Marketing Empresarial e Pesquisa de Mercado. Atua também como professor em cursos de Mestrado, MBA, CBA, Programas Executivos, Cursos de Especialização e Graduação, além de palestrante organizacional.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Setembro de 2012

No mês de setembro, o Ambiente Econômico apresenta como destaques as ações do governo para estimular o crescimento econômico, face às projeções que apontam para redução do PIB em 2012, a inflação que continua alta, o arrefecimento na geração de empregos no país, e os dados publicados pela PNAD / IBGE para o período 2009-2011. No âmbito internacional, as previsões são de que os efeitos da crise devem durar por, pelo menos, uma década.

  • Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, prevê aumento da inflação e redução do PIB em 2012: Segundo o Relatório Trimestral de Inflação da autoridade monetária, referente ao 3º trimestre de 2012, o IPCA ficará em 5,2% neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 4,7%, e em 4,9% em 2013, abaixo das contas anteriores, de 5%. A chance de a inflação estourar o teto da meta oficial - de 6,5% pelo IPCA - é de 3% em 2012 e de 13% no ano que vem. O Banco Central também reduziu a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano de 2,5% para 1,6%, e avaliou ainda que a política fiscal do governo "se desloca de uma posição de neutralidade para ligeiramente expansionista".
  • Boletim Focus reduz estimativa do PIB em 2012 para 1,57%: De acordo com o último Boletim Focus de setembro, o Banco Central reduziu pela 2ª vez consecutiva a previsão do PIB para 2012, de 1,64% no início do mês, para 1,57% no final de setembro. Para 2013, a projeção se manteve, pela 8ª semana seguida, em 4,00%.
  • Produção Industrial brasileira cresce 1,5% em agosto: Em agosto, a Produção Industrial cresceu 1,5% frente a julho, na série com ajuste sazonal, 3º resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando nesse período crescimento de 2,3%. Em relação a igual mês do ano passado, a indústria apontou queda de 2,0%, 12ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, mas a menos intensa desde dezembro último (-1,3%). No índice acumulado nos oito meses de 2012, observou-se recuo de 3,4% frente a igual período do ano anterior.
  • Governo anuncia redução nas tarifas de energia elétrica com o objetivo de garantir maior competitividade para a economia brasileira: O Governo Brasileiro anunciou a redução das tarifas de energia elétrica de 16% a 28% para os consumidores e a renovação antecipada das concessões de energia, com o objetivo de garantir maior competitividade da economia brasileira. A queda na tarifa é resultado da renovação das concessões que vencem a partir de 2015, da redução de encargos setoriais e do aporte pela União de R$ 3,3 bilhões. "Essas medidas representarão aumento do poder aquisitivo da população brasileira. As decisões de agora constituem uma das mais arrojadas iniciativas para impulsionar o desenvolvimento do Brasil", disse o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, em cerimônia no Palácio do Planalto. A redução do preço da energia ocorrerá a partir de 2013 por meio da antecipação da renovação das concessões e redução de encargos setoriais. Segundo o Ministro, a cobrança da Reserva Global de Reversão (RGR) e a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) serão eliminadas. Já a Conta de Desenvolvimento Energético ficará reduzida a 25% do valor atual. Para os consumidores de alta tensão, como a indústria, a redução vai de 19,4% a 28%. Segundo o Ministro, a redução média do custo de energia para todos os brasileiros será de 20,2%. Isso foi possível porque a eliminação ou redução de encargos setoriais nas contas de luz representará um desconto de 7%, enquanto a renovação das concessões equivalerá a um corte médio de 13,2% nas tarifas. Para Lobão, a expressiva redução do custo da energia terá forte impacto na economia, dando competitividade à indústria e ao comércio, gerando empregos.
  • Governo publica Medida Provisória que desonera serviços e indústria: Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Medida Provisória (MP) 582 que desonera alguns setores industriais e de serviços e permite a depreciação de bens de capital para a apuração do Imposto de Renda. Com relação à desoneração, a MP altera a incidência das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas de mais de 25 setores. Quanto à depreciação de bens de capital para a apuração do Imposto de Renda, a MP permite que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real tenham direito à depreciação acelerada, calculada pela aplicação adicional da taxa de depreciação usualmente admitida, sem prejuízo da depreciação contábil das máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia anunciado que empresas que comprassem máquinas e equipamentos ainda este ano receberiam esse incentivo tributário que, na prática, permite reduzir o pagamento de impostos a curto prazo. A MP define que a depreciação acelerada aplica-se aos novos bens, adquiridos entre 16 de setembro e 31 de dezembro deste ano. A apuração da depreciação por esses novos critérios será feita a partir de 1º de janeiro de 2013. 
  • Economista-chefe do FMI prevê que crise vai durar até 2018: O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, acredita que será preciso uma década para superar a crise financeira e econômica que começou em 2008, e adverte que reduzir demais a dívida pode afogar a economia. "Ainda não podemos falar de uma década perdida, mas desde a explosão da crise, deverá passar, pelo menos, dez anos para que a economia mundial saia dela". O responsável pelo FMI explicou que o elevado nível da dívida em muitos países da Europa é algo perigoso, porque poderia levar os Estados a terem que declarar falta de pagamentos. "É inquestionável que devemos reduzir a dívida", afirma. Neste sentido, o economista pede que cada país encontre seu ritmo adequado para reduzir a dívida e adverte que se a velocidade baixar muito, poderá afogar a economia. Ao mesmo tempo, o economista disse que "não é somente necessário, mas aconselhável que a inflação da Alemanha seja mais alta", o que aumentaria os salários reais da população e, assim, seu poder aquisitivo. Se o Banco Central Europeu (BCE) quer manter seu objetivo para a inflação em 2% enquanto os ajustes são aplicados, nos países centrais o percentual deveria ficar acima desse marcador, enquanto na periferia européia teria que estar abaixo. Segundo Blanchard, esta política não representa provocar uma hiperinflação, já que o equilíbrio será mantido "graças às condições gerais da demanda e o compromisso do BCE com a estabilidade dos preços". Com relação à Zona do Euro, Blanchard considera importante que seja realizada a união fiscal e bancária para decidir "dar um passo para frente ou para trás. O fato é que não dá para seguir da mesma maneira que está agora. Não acho que haja alguém que queira dar um passo para trás", ressaltou. Blanchard também lembra que, apesar da atenção estar voltada para os problemas da Europa, outras regiões do mundo também enfrentam grandes desafios. Os problemas orçamentários dos EUA, os ajustes nas contas públicas japonesas e o arrefecimento do crescimento na China são alguns dos problemas mencionados pelo economista do FMI.
  • Mercado reduz projeção da SELIC para 2013: O mercado vem mudando um pouco as projeções feitas com relação à SELIC, tanto para 2012, quanto para 2013. Para 2012, o último Boletim Focus de setembro aponta a SELIC fechando o ano em 7,50%, ou seja, mantendo o atual patamar decidido na última reunião do COPOM. Dessa forma, estima-se que na próxima reunião a taxa seja mantida, e não diminuída, como se esperava anteriormente (até porque a inflação está pressionada). Para 2013, o mercado estima a SELIC em 8,00%, meio ponto percentual abaixo da última previsão, que era de 8,50%. Portanto, o mercado prevê aumento de meio ponto percentual no decorrer de 2013, e não mais de 1,25 ponto percentual como projetado em agosto. É importante reiterar que a inflação aumentou no mês de setembro, confirmando a tendência que este boletim e o próprio mercado têm apresentado de que a inflação irá fechar próximo de 5,50% em 2012, o que pode mudar as análises até então consideradas sobre a redução da SELIC (em outras palavras, pode-se iniciar um novo ciclo de aumento, mesmo que em pequenas proporções). O aumento da taxa é praticamente certo; a dúvida é se acontecerá ainda neste ano.
  • Dólar fecha setembro a R$ 2,0306: O Dólar encerrou o mês de setembro em R$ 2,0306, redução de -0,24% em relação a agosto. Com isso, o ganho anual caiu de 8,66% para 8,50%. O Euro fechou o mês em R$2,6109. Especificamente com relação ao Dólar, a cotação final de setembro continua se mantendo dentro do intervalo considerado pelo mercado como ‘banda informal’ (entre R$ 1,90 e R$ 2,10). A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, conforme o último Boletim Focus de setembro, está em R$ 2,00. Para 2013, a taxa de câmbio também está estimada em R$ 2,00.
  • IPCA de setembro fica em 0,57%: Índice que mede a inflação oficial brasileira mostrou aceleração em setembro, quanto comparado com agosto: 0,57%, ante 0,41% no mês passado. Trata-se da maior variação para o mês de setembro desde 2003. Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 3,77%, ainda abaixo dos 4,97% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 5,28%, acima dos 5,24% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores, e cada vez mais distante do centro da meta estipulada pelo governo, que é de 4,50%. A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de setembro, é que o IPCA encerre 2012 em 5,36% (alta de 0,16 ponto percentual em relação à projeção feita no início do mês). E para 2013, a projeção é de 5,48%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continua como o principal vilão da inflação: O aumento nos preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,88% em agosto para 1,26% em setembro) causou impacto de 0,30 ponto percentual no IPCA, com destaque para a batata inglesa, a cebola e a mandioca. Os grupos ‘Habitação’ e ‘Despesas Pessoais’ também apresentaram forte impacto na inflação do mês (0,10 e 0,08 pontos percentuais, respectivamente). Já o grupo ‘Transportes’ apresentou redução de -0,08% em setembro, impacto de -0,02 no IPCA.
  • IGP-M desacelera um pouco em setembro e fica em 0,97%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, desacelerou em setembro, e atingiu 0,97% no mês, frente a 1,43% verificado em agosto, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No ano, o IGP-M acumula alta de 7,0945% e de 8,0705% nos últimos 12 meses. As projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de setembro, apontam aceleração do IGP-M para 2012, de 8,03% (início do mês) para 8,60% (final do mês); para 2013, a projeção saltou de 5,01% (início do mês) para 5,38% (final do mês).
  • Inadimplência do cartão de crédito subiu para 28,05% em agosto: A inadimplência das pessoas físicas no cartão de crédito cresceu pelo 2º mês seguido, para 28,05% em agosto, segundo o Banco Central. No mês anterior, estava em 27,99%. O estoque das dívidas no cartão ficou estável em agosto em relação a julho e apresenta crescimento de 5% no ano e 9,1% em 12 meses, para R$ 37,422 bilhões.
  • Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) aponta que 41% dos brasileiros estavam inadimplentes em agosto: No mês de agosto, 41% dos consumidores brasileiros estavam ou ficaram impossibilitados de fazer compras a prazo por terem tido seus nomes incluídos no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), segundo pesquisa nacional realizada pelo próprio SPC. Apesar desse universo incluir pessoas da classe A e B, o estudo mostra que os brasileiros das classes C e D são os que mais sofrem com a situação da inadimplência. Entre os motivos estão a falta de planejamento financeiro e a dificuldade de avaliar o quanto efetivamente pagam quando fazem compras parceladas. A pesquisa aponta uma relação direta entre renda e escolaridade, sendo que quanto maior a renda mensal per capita, maior o nível de instrução. O economista da SPC Brasil, Nelson Barrizzelli, disse que um dos fatores que evitariam a inadimplência seria o conhecimento dos juros embutidos nos financiamentos. "Em casos como o do cartão de crédito e dos juros do cheque especial, os custos cobrados ao final superam em muito os do principal utilizado. Um conhecimento efetivo sobre esses juros evitaria que as famílias se tornassem inadimplentes pelo uso inadvertido desses instrumentos de crédito", afirmou o economista.
  • País gerou 100.938 empregos formais em agosto: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de agosto, 100.938 novas vagas de emprego com carteira assinada. Embora em crescimento, os resultados deste mês apontam perda de dinamismo na criação de empregos no Brasil. No acumulado do ano, foram gerados 1.373.803 novos postos de trabalho. Em termos setoriais, os dados mostram que os Serviços foram os que registraram maior número de novas vagas em agosto (+54.323 postos). O Comércio gerou 31.347 novos postos, a Indústria da Transformação 16.438 novos postos, e a Construção Civil gerou 11.278 novos postos. A Agricultura, por motivos sazonais, foi o único setor que registrou queda no emprego (-16.615 postos).
  • Expansão da renda média impulsiona queda da desigualdade social no Brasil: A expansão do mercado de trabalho no Brasil aliada a um incremento de mais de 8% na renda mensal entre 2009 e 2011, em pleno período após o estouro da crise econômica mundial, impulsionaram a redução nos níveis de desigualdade social no País. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal real dos brasileiros cresceu 8,3% em 2011 em relação a 2009, atingindo R$ 1.345,00. O maior aumento foi nas classes de trabalhadores com os rendimentos mais baixos, 29,2% na faixa até R$ 186 por mês, 27% na faixa até R$ 447 mensais, 12,4% até R$ 545 e 13,6% na faixa de R$ 616 ou mais. Com a redução da desigualdade social, o índice Gini brasileiro melhorou, caindo de 0,518 para 0,501 (o indicador utilizado internacionalmente varia de 0, situação de perfeita igualdade, a 1, situação de desigualdade máxima). Na região Norte do Brasil foi registrado o contrário das demais áreas do País, com as classes mais baixas perdendo renda, e os 20% mais ricos ampliando a concentração e contribuindo para a elevação dos níveis de desigualdade. No cenário mais geral da pesquisa, apesar da evolução, o Brasil segue ainda muito desigual. Em 2011, segundo o IBGE, os 10% mais ricos concentravam 41,5% dos rendimentos da população ocupada. Em 2009, essa faixa da população acumulava 42,5% da renda. Já os 10% mais pobres detém somente 1,4% dos rendimentos em 2011, em comparação a 1,2% em 2009. Segundo as informações da PNAD, os trabalhadores com carteira assinada tiveram ganho real de 4,9% em relação a 2009, passando a receber mensalmente, em média, R$ 1.303,00. Os militares e estatutários e outros, sem carteira assinada, também tiveram acréscimo de 6,2% e 11,6%, respectivamente. Ainda de acordo com o IBGE, para os trabalhadores domésticos com registro formal em carteira de trabalho, houve um incremento de 5,2% em média na renda mensal de 2009 para 2011. Para os trabalhadores sem vínculo formal em carteira, o avanço na renda mensal foi 15,2% em média. Na análise por gênero, segundo as informações do IBGE, o rendimento médio das mulheres foi de R$ 997,00 em comparação aos R$ 1.417,00 dos homens, com as mulheres ganhando em média o equivalente a 70,4% do rendimento dos homens. Houve ligeira melhora da diferença entre a remuneração média em relação a 2009, quando a proporção nessa mesma base de comparação era de 67%. Entre os homens, só 22% recebiam até um salário mínimo, enquanto entre as mulheres o percentual se aproxima de um terço, cerca de 31,4%. O IBGE pondera, no entanto, que não se trata de discriminação no mercado de trabalho, uma vez que são comparados dados gerais e não são comparados dados referentes a homens e mulheres que estão no mercado de trabalho, com as mesmas condições, carga horária e função, o que torna impossível uma comparação para efeitos estatísticos. O IBGE aponta ainda, segundo os dados compilados na PNAD, que o rendimento médio mensal dos domicílios brasileiros ficou em R$ 2.419 em 2011, com um ganho real de 3,3% em relação a 2009. Segundo o instituto, esse aumento foi verificado em todas as regiões. O maior crescimento foi no Centro-Oeste (6,6%), também o local com maior remuneração media, na faixa de R$ 2.936,00. A região Nordeste teve a menor variação no ganho mensal, de aproximadamente 2%, e o menor valor médio do País, na casa de R$ 1.607. Em todas as classes houve crescimento de rendimento domiciliar. Esse movimento foi notado, segundo o IBGE, principalmente na camada da população com rendimentos mais baixos. A região Sul registrou queda do rendimento médio entre as 10% das pessoas mais ricas, cuja renda caiu 1,8%, passando de R$ 9.855,00 em média, para R$ 9.683,00. Na região Nordeste também foi repetido esse mesmo cenário.