quinta-feira, 11 de julho de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Junho de 2013

O Banco Central aumentou mais uma vez a taxa SELIC para 8,50%, em defesa da estabilidade econômica e combate à inflação, atitude que demonstra uma postura mais técnica e menos política do que vinha ocorrendo até então. Os dados do PIB brasileiro continuam se reduzindo, confirmando um cenário macroeconômico de pressão inflacionária, taxas de juros em alta, e baixo crescimento, resultados da gestão equivocada do governo com relação à economia. O Dólar continua se valorizando, fechando o mês acima dos R$ 2,20, devendo ser este o patamar mínimo para a taxa de câmbio até o final do ano (alguns analistas já apontam o câmbio fechando 2013 entre R$ 2,30 e R$ 2,40). As recentes manifestações sociais e políticas no Brasil só pioraram as projeções para os cenários futuros do país.
  • Boletim Focus reduz novamente estimativa do PIB em 2013 para 2,40%: De acordo com o último Boletim Focus de junho, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2013, de 2,77% no início do mês, para 2,40% no final do mês. Para 2014, a projeção também apresentou redução de 3,40% para 3,00%. 
  • CNI reduz projeção do PIB em 2013 de 3,2% para 2%: A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 de 3,2% para 2%. O valor está acima do verificado em 2012 (0,9%), mas abaixo do crescimento do 1º ano do governo Dilma Rousseff, de 2,7% em 2011. Já a projeção para a expansão do PIB industrial também foi revisada para baixo, de 2,6% para 1,0%. No ano passado, houve retração de 0,8%. A CNI elevou de 4% para 5,1% a projeção de crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), utilizada como medida dos investimentos, ante queda de 4,0% em 2012. Para o consumo das famílias, a estimativa caiu de 3,5% para 2,3%. No ano passado, houve alta de 3,1%. A Confederação também elevou sua projeção para a taxa básica de juros (SELIC) no fim de 2013 de 7,25% para 9,50% ao ano. Para a taxa média do ano, a previsão passou de 7,25% para 8,25% ao ano. A projeção para o IPCA subiu de 5,7% para 6,0%. A expectativa para a taxa real de juros passou de 0,9% para 1,7% ao ano. A estimativa para o câmbio médio no mês de dezembro de 2013 passou de R$ 2,00 para R$ 2,18. A taxa média do ano passou de R$ 1,98 para R$ 2,10. A previsão para a taxa de desemprego caiu de 5,4% para 5,3%. A CNI reduziu ainda a sua projeção para o superávit primário do setor público em 2013 de 1,7% para 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão para o déficit nominal passou de 3,2% para 3,4% do PIB. Para a relação dívida líquida/PIB, passou de 35,4% para 34,9%. A projeção para o saldo da balança comercial neste ano caiu de US$ 11,3 bilhões para US$ 9,2 bilhões. Para as exportações, caiu de US$ 253,4 bilhões para US$ 249,3 bilhões. Para as importações, passou de 242,1 bilhões para US$ 240,1 bilhões. A previsão para o déficit em conta corrente subiu de US$ 68,1 bilhões para US$ 74,3 bilhões.
  • Banco Central está otimista com a economia brasileira, mas os analistas pensam diferente: A capacidade das famílias continuarem consumindo sustenta a convicção do Banco Central (BC) de que a atividade seguirá crescendo no 2º semestre deste ano e puxando a economia. "O cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano", informou o BC. Há, no entanto, um descompasso entre a projeção da autoridade monetária e as expectativas moderadas de empresários e consumidores para o desempenho do mercado interno daqui para frente, perceptíveis nos indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Neste momento, o que preocupa o governo é a alta da inflação, que deverá influenciar a expansão da economia no ano. As projeções do PIB foram revistas para baixo, e da inflação oficial, o IPCA, para cima. "A política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos". No que diz respeito ao consumo, entretanto, permanece o tom otimista de avaliações anteriores, com pinceladas consecutivas de projeções de crescimento. O BC comemora o "desempenho robusto" do setor agrícola, com destaque para os grãos, embora o setor tenha menos peso na composição das contas nacionais do que os demais. E projeta a "continuidade da recuperação da indústria". Considera também a demanda doméstica como “robusta”, a qual deverá ser impulsionada pela renda e acesso ao crédito. "Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas em 2012", justifica. Na indústria, a previsão é que o nível ajustado dos estoques e a melhora da confiança dos empresários criem um ambiente favorável ao investimento e à recuperação da produção. Mas todas essas análises não se refletem nos indicadores. Tanto na indústria, quanto no comércio, como reflexo do esgotamento de uma política baseada no consumo e também por causa do endividamento das famílias, as expectativas estão em queda. O Indicador de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,1% em junho e a Sondagem da Construção Civil, 3,6%, ambos indicadores da FGV. A confiança do comércio retraiu 3,3% e a intenção de consumo das famílias, 3,8%, como demonstra a CNC. Além disso, 63% das famílias informam estar endividadas, de acordo com a instituição do comércio. O BC errou em sua projeção de consumo, segundo o economista-chefe da corretora Gradual Investimentos, André Perfeito. "Não tem como estar certo sempre. Mas não dá para confundir com má fé. Acho que ele foi excessivamente otimista, mas não acho que faça de propósito para mexer no mercado", diz Perfeito. Aloisio Campelo, da FGV, ressalta que as expectativas da indústria vêm caindo mês a mës, sobretudo, em relação à produção. "O que observamos é que o crescimento deste ano não foi tão disseminado. Cada momento um segmento está indo mais forte do que o outro", analisa. Em junho, os bens de capital e os duráveis foram os menos otimistas em suas perspectivas de crescimento. "A inflação já tem impacto no consumo e na produção, principalmente entre as parcelas mais pobres da população, o que pode permanecer ao longo do 2º semestre. E o cenário internacional também não ajuda", diz Campelo. Para Bruno Fernandes, economista da CNC, as vendas no comércio continuarão crescendo neste ano (a projeção é de 4,3%), porém em patamar bastante inferior às de 2012, de 8,4%, considerando a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.
  • The Economist ironiza e diz que "Mantega é um sucesso": A revista britânica The Economist usa a ironia para reforçar o descontentamento com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A publicação diz que a economia brasileira tem apresentado desempenho "medíocre" e, com a lembrança de que Mantega ficou no cargo mesmo após a revista pedir a saída do ministro, a publicação diz que "mudou de estratégia". Apesar da brincadeira, reconhece que, após seguidas frustrações com medidas e o desempenho da economia, o governo de Dilma Rousseff parece voltar a tomar decisões para reconquistar a admiração dos mercados. No fim de 2012, a publicação sugeriu a saída de Mantega para uma mudança de rumo da economia. "Foi amplamente noticiado no Brasil que a nossa impertinência teve o efeito de fazer o ministro da Fazenda ficar 'indemitível'. Agora, vamos tentar um novo rumo. Pedimos para a presidente ficar com ele a todo custo: ele é um sucesso", diz o texto. Para The Economist, o Palácio do Planalto começou a se distanciar, no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de premissas como a "meta de inflação de um Banco Central que opera com independência de fato, contas públicas transparentes, meta fiscal rigorosa e uma atitude muito mais aberta ao comércio exterior e ao investimento privado". Desde o estouro da crise de 2008, diz o texto, o governo de Lula e também de Dilma optaram por deixar de lado conceitos da "economia liberal decadente" e optaram pelo "capitalismo chinês de Estado". A revista diz que, nessa mudança, a equipe econômica desistiu de reformas e a presidente Dilma Rousseff "assediou publicamente o BC para reduzir os juros". "Ela desencadeou uma enxurrada desconcertante de incentivos fiscais (e aumentos de impostos) para indústrias favorecidas, mas não conseguiu equilibrar com os cortes de gastos". A reportagem reconhece, porém, que os sinais mais recentes são de "uma política mais clara" e cita como exemplos a alta da taxa SELIC para conter a inflação e o fim da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para estrangeiros. Outro aspecto elogiado foi a intenção do governo retomar as concessões e o "bem-sucedido leilão de campos de petróleo". "Será um longo caminho para aumentar a confiança empresarial e dos investidores e para promover a melhora da ultrapassada infraestrutura brasileira que o País precisa para crescer".
  • Incerteza que vem das ruas interrompe as projeções econômicas: Os economistas suspenderam suas projeções após os acontecimentos recentes nas ruas. Crescimento da atividade, inflação e apostas na condução da taxa básica de juros pelo Banco Central tornaram-se "imponderáveis" no curto prazo, diz a diretora da Casa das Garças e sócia da Galanto Consultoria, Mônica de Bolle. Diante da insatisfação popular e da resposta do governo com o aumento dos gastos públicos, da inflação oscilando no teto da meta de 6,5% e da valorização cambial, especialistas em macroeconomia entrevistados pelo Brasil Econômico disseram que preferem aguardar a condução dos fatos para retomar suas projeções. Mesmo o mercado de trabalho, que heroicamente sustenta a economia há meses, em maio, deu sinais de perda de fôlego, conforme últimos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Preocupa também a desaceleração do nível de ocupação, de 54,2% para 53,8%, comparando os meses de maio do ano passado e de 2013, respectivamente. Isso indica que há mais pessoas procurando emprego do que vagas criadas. E mesmo o rendimento, responsável por manter o consumo em níveis elevados até então, caiu 0,3% ante o mês anterior.
  • Falta de rumo político afeta economia do País, diz FHC: O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discutiu a situação econômica atual do Brasil no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, no domingo, 23 de junho, e afirmou que o cenário não é positivo para o País. Entre os aspectos destacados por FHC, a desaceleração da China, a recuperação dos Estados Unidos e "a falta de rumo" na política nacional têm afetado a economia brasileira. Segundo o sociólogo e político, ainda há abundância de dólares no mundo, causada por medidas de relaxamento monetário de bancos centrais estrangeiros, como o Federal Reserve Bank, dos EUA. No entanto, esse fluxo não foi canalizado para investimentos no País, por causa de "uma política restritiva, com medo de fazer concessões". Essa fase de abundância, no entanto, está chegando ao fim com a recuperação da economia dos EUA. Entre os efeitos apontados por FHC sobre este possível fim de abundância, está a desvalorização do Real, que "arrebenta muitas empresas e pessoas". Para ele, as medidas do governo para conter esse movimento com atuação do Banco Central no mercado não são suficientes. "A estabilidade da moeda é fundamental nesse mundo. E houve aqui uma certa hesitação política. O Banco Central custou a atuar, dá a impressão de que tudo é controlado e os capitais ficaram receosos", disse. Ele também citou que a desaceleração da China pode ter impacto nos preços nas commodities, afetando o Brasil. "Os ventos internacionais não estão a favor do País". Para Fernando Henrique, contudo, não foi só o contexto que mudou, as políticas nacionais também foram equivocadas. "Nós ficamos muito afastados das correntes de renovação", que incluem a revolução tecnológica. "Nós estamos um pouco acanhados nesse processo". "Falta rumo. Falta operacionalidade, falta gestão, falta competência. Houve uma invasão do Estado no governo por interesses políticos, que, com isso, veem outros interesses, que não são só políticos". Para ele, sobra dinheiro, mas falta direção em como investi-lo. Para FHC, há uma ideia de que o governo pode fazer o PIB crescer quando quiser, contudo "não adianta gastar no que não vai funcionar".
  • COPOM aumenta, pela 3ª vez consecutiva, a taxa de juros SELIC para 8,50% ao ano: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros – a SELIC – de 8,0% para 8,5% ao ano, na última reunião realizada em 09 e 10 de julho. O motivo, segundo nota, foi a inflação, que tem sido motivo de preocupação da equipe econômica nos últimos meses. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse a nota. Demorou, mas o Banco Central resolveu retomar sua função enquanto “guardião” da moeda nacional e está agora atacando de frente a inflação, ao contrário do que queria o governo e o Ministro Mantega! A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do COPOM. Na reunião anterior, de 29 de maio, a decisão também teve a aprovação de alta por unanimidade. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota sobre a decisão do COPOM. Para a entidade, não houve surpresa. "O cenário inflacionário preocupante, com o IPCA acima do teto da meta, justifica a ação dos condutores da política monetária”, avalia. Assim como a CNI, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) informou em nota que já esperava a alta da SELIC e lembrou que, além da inflação, também pesou na decisão a previsão de baixo crescimento econômico. "Diante desse quadro, ... o Sistema FIRJAN reforça a importância da adoção de uma política fiscal norteada pela redução dos gastos correntes e que efetivamente reduza a pressão exercida pelo consumo do governo sobre a inflação. Essa política deve ser pautada por mudanças institucionais que sinalizem maior responsabilidade fiscal, incluindo o comprometimento com um superávit primário maior para os próximos anos, livre de artifícios contábeis, bem como o estabelecimento de limites para o crescimento das despesas públicas. De fato, o País precisa resgatar o compromisso com as metas fiscais, e cumpri-las", analisou a Federação. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FECOMERCIO-SP), a alta dos juros, mesmo que o nível de atividade não esteja em recuperação e que o mercado de trabalho apresente sinais de enfraquecimento, é a melhor alternativa para combater a inflação. A próxima reunião do COPOM está marcada para 27 e 28 de agosto. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de junho, a taxa SELIC deve ficar em 9,25% em 2013 (alta de 0,75% em relação à projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também subiu para 9,25% (no início do mês era de 8,50%). Ou seja, a expectativa é de que haja, pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013.
  • Inflação medida pelo IPCA desacelera para 0,26% em junho: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26% em junho, após ter registrado alta de 0,37% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor valor para o índice desde junho de 2012. O IPCA acumula altas de 3,15% no ano e de 6,70% nos últimos 12 meses, o que situa o indicador oficial de inflação no País acima do teto da meta de 6,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Continuando em desaceleração, o grupo ‘Alimentação e Bebidas’ foi de 0,31% em maio para 0,04% em junho, o menor resultado desde julho de 2011. Pela 5ª vez consecutiva, o grupo ficou abaixo do mês anterior, mas o 1º semestre fechou em 6,02%, acima dos 3,26% do mesmo período de 2012. O grupo ‘Transportes’ exerceram forte pressão no índice do mês de junho, tendo em vista que, da deflação de 0,25%, foi para a alta de 0,14%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de junho, o IPCA deve ficar em 5,87% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 5,80%). Para 2014, a projeção está em 5,88% (no início do mês era de 5,80%).
  • Presidente do Banco Central afirma que inflação em 12 meses tem tendência de alta: O Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o Brasil está e estará preparado para enfrentar eventuais ventos contrários, ao se referir à volatilidade no mercado externo. Ele citou o nível das reservas internacionais e o sistema financeiro "bem capitalizado e com níveis elevado de liquidez e provisionamento". Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele acrescentou que a produção industrial se expandiu nos últimos meses, com crescimento disseminado, destacando, por exemplo, a produção de bens de capital. Sobre a questão da oferta, ele disse que choques de origem interna e externa no segmento agrícola, entre outros fatores, contribuíram para manter a inflação em níveis elevados. No entanto, a avaliação do BC é de que "a inflação tem estado, está e continuará sob controle". Segundo Tombini, a comunicação do BC tem sido consistente com essa visão. Ainda segundo Tombini, o aumento da taxa básica de juros contribuirá para fortalecer a confiança dos brasileiros. Em janeiro, a instituição explicitou sua preocupação com o nível da inflação e indicou que não compartilhava o entendimento de que cortes adicionais dos juros seriam apropriados. "Em março, reafirmou sua preocupação e sinalizou que num futuro próximo ocorreria uma resposta de política monetária”. "A comunicação é parte integrante do processo de condução da política monetária. Mas ações também foram tomadas. E as mais relevantes foram o aumento de juros em abril e sua intensificação em maio", afirmou. Segundo Tombini, o aumento da taxa básica de juros contribuirá para fortalecer a confiança dos brasileiros na economia. Ele argumentou que a inflação mensal já está em patamar menor que nos primeiros meses de 2013, mas admitiu que no acumulado em doze meses ainda apresenta tendência de elevação no curto prazo. "Mas posso assegurar que o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no 2º semestre e para assegurar que essa tendência persista neste e nos próximos anos", afirmou. Tombini reiterou, na audiência, que o regime cambial do Brasil é flexível e deve absorver tanto choques negativos como positivos. "Quando houve uma melhora nos termos de troca da economia, isso se refletiu no câmbio. Da mesma forma, quando se elevou a aversão ao risco nos mercados internacionais, nesse momento ocorre esse fenômeno, as moedas se depreciaram em relação ao dólar norte-americano." Tombini afirmou que a instituição tem uma política de retirar excesso de volatilidade do mercado. "Estamos sempre preparados para extrair volatilidade do mercado quando ela é excessiva. "Muitas vezes temos uma disfunção em algum segmento e temos instrumentos e condições para entrar nesse mercado e intervir", afirmou.
  • Inflação medida pelo IGP-M subiu 0,75% em junho: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 6º mês de 2013 em 0,75%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com isso, o acumulado em 2013 está em 1,7510%, e nos últimos 12 meses, o índice está em 6,3110%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de junho, o IGP-M deve ficar em 4,84% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 4,27%). Para 2014, a projeção está em 5,26% (no início do mês era de 5,30%).
  • Dólar fechou junho em R$ 2,2320: O Dólar encerrou o 1º semestre do ano acima de R$ 2,20. A cotação de 28 de junho foi de R$ 2,2320, ante R$ 2,1270 verificada no início do mês. O Euro fechou junho a R$2,8827, ante R$ 2,7964 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, em junho o Dólar apresentou ganho de +4,93%, e no ano, até agora, acumula alta de +9,09%. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de junho, é de R$ 2,15 (no início do mês era de R$ 2,05). Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,20 (no início do mês era de R$ 2,10). Ou seja, tais previsões devem sofrer ajustes para cima, com base no comportamento atual do câmbio para o período futuro.
  • Indústria comemora Dólar mais alto e espera que câmbio suba mais: Embora demonstre preocupação com a pressão inflacionária, a indústria comemora o que chama de “novo patamar cambial” e pede mais: para executivos consultados pelo Brasil Econômico, a cotação ideal do Dólar, que garantiria a retomada da competitividade internacional, gira em torno de R$ 2,30 a R$ 2,40. “A desvalorização traz um ambiente mais favorável à competição, mas a volatilidade preocupa”, resume o gerente de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco. O Real forte dos últimos anos é apontado pela indústria como um dos principais motores da perda de competitividade brasileira com relação a produtos importados. Dado mostrado com frequência por industriais nos mais diversos fóruns mostra que a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 27% em 1985 para 13% em 2012. As indústrias química e têxtil reforçam o argumento citando o aumento nas importações nos últimos anos - o déficit comercial do setor químico em 2012 foi de US$ 28,1 bilhões; o do setor têxtil, de US$ 6,5 bilhões. “O câmbio minou a competitividade da economia brasileira e o resultado é esse avanço nas importações. Câmbio valorizado subsidia a importação e taxa a exportação. Toda a indústria perde”, diz o diretor de relações internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo, Thomaz Zanotto. Segundo ele, a FIESP trabalha com uma taxa de câmbio ideal entre R$ 2,30 e R$ 2,40 por Dólar. “Realmente, o câmbio continua supervalorizado e infelizmente temos que competir com países que tem política de câmbio desvalorizado”, completa o diretor da FIESP. “Não podemos mais voltar a patamares cambiais anteriores”, defende o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), Fernando Figueiredo, para quem o Dólar ideal para garantir a competitividade brasileira gira em torno dos R$ 2,40. “É o Dólar real, se considerarmos o câmbio artificialmente desvalorizado da China, da Indonésia e da Coreia”, justifica. Para ele, a pouca competitividade brasileira tem segurado investimentos em ampliação da capacidade e, hoje, um terço do mercado brasileiro é atendido por importações. A expectativa do mercado é de que a taxa se mantenha alta, diante dos sinais de juros maiores nos Estados Unidos. “Muito dificilmente teremos câmbio sobrevalorizado como antes. O mercado está se antecipando a medidas do FED (Federal Reserve Bank, o banco central norte-americano)”, diz Castello Branco. Ele prefere não falar em Dólar ideal e alerta para os riscos da volatilidade cambial para os negócios. “É ruim para exportadores, que têm dificuldades para fechar contratos, e para empresas com alto endividamento em Dólar”. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Aguinaldo Diniz Filho, defende o Dólar na casa dos R$ 2,30. E chega a sugerir intervenção para que a taxa chegue mais próxima à considerada ideal pela indústria. “Até a Suíça mexeu no câmbio para aumentar competitividade”, diz. Na última entrevista de balanço do setor, no mês passado, o presidente do Instituto Brasileiro do Aço (IABr) também falou em intervenção cambial para que se chegue a uma taxa de R$ 2,40 por Dólar, considerada ideal para conter o avanço das importações de produtos siderúrgicos. A velocidade de uma desvalorização, porém, é uma preocupação de todos os entrevistados, devido ao potencial inflacionário. “A indústria é penalizada com depreciação forte acompanhada de níveis inflacionários elevados. O custo aumenta e impacta a competitividade”, concorda o ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas. Para ele, medidas fiscais para conter a alta de preços e reformas que melhorem a competitividade devem entrar na pauta do governo neste momento. “Logística, infraestrutura e custos trabalhistas também têm grande impacto na competitividade e precisam ser atacados”, continua. (Vale ressaltar que tais observações têm sido feitas há vários meses por este boletim). “A desvalorização é positiva desde que novas medidas fiscais sejam adotadas”, afirma Zanotto. “Me preocupa o fato de usarmos o Dólar como índice para segurar a inflação, porque pode levar a indústria a uma situação complicada a curto e médio prazo”, completa Diniz Filho, que cita como avanços nesse sentido medidas tomadas pelo governo nos últimos meses, como a redução do preço da energia e a desoneração da folha de pagamentos, entre outros.
  • Endividamento das famílias em abril foi recorde segundo Banco Central: O endividamento das famílias com o sistema financeiro continua a subir. De acordo com dados do Banco Central (BC), em abril, a dívida total das famílias equivalia a 44,46% da renda acumulada nos últimos 12 meses. Esse indicador vem crescendo desde o início da série histórica do BC, em janeiro de 2005. O resultado de abril é recorde da série. Desconsiderando o endividamento com financiamento imobiliário, o percentual ficou estável entre março e abril em 30,47%. O patamar mais elevado desse indicador, sem o crédito imobiliário, foi registrado em agosto de 2012 (31,49 %). No início da série histórica, estava em 15,29%. Os técnicos do BC costumam argumentar que o maior endividamento é decorrente do crescimento do crédito imobiliário. Para o BC, as famílias estão trocando dívidas de consumo por aquisição de patrimônio.
  • Brasil gerou 72.028 vagas formais em maio: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a maio de 2013, foram criados no Brasil 72.028 novas vagas de emprego com carteira assinada. O resultado ficou abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que previa de 135 mil a 180 mil vagas. Na série com ajuste, houve queda de 63,20% em relação a igual mês do ano passado. No acumulado do ano de 2013, houve criação líquida de empregos formais de 669.279, com ajuste. O saldo líquido de empregos formais gerados em maio é o menor para o mês desde 2003. O resultado, destaca o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mantém a trajetória de expansão, mas revela uma perda de dinamismo quando comparado aos resultados do mesmo mês de anos anteriores. Segundo o governo, o comportamento pode ser justificado, em parte, em função de um possível deslocamento da demanda por trabalhadores para os próximos meses, em razão do cenário internacional, associado à redução da expectativa dos agentes econômicos. Na análise mensal, a Construção Civil foi o único dos oito setores pesquisados com demissão líquida de 1.877 trabalhadores. O resultado é justificado pelo governo "em parte, ao encerramento das obras ligadas à Copa". No Comércio, houve estabilidade, com a criação de 36 postos de trabalho em maio. Na Agricultura, foram criados 33.825 novos empregos, e no setor de Serviços, surgiram 21.154 novos empregos. Os postos de trabalho na Indústria de Transformação aumentaram 15.754 no mês.
  • Taxa de desemprego é de 5,8% em maio, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas seis principais regiões metropolitanas do país, ficou em 5,8% em maio, idêntica à taxa verificada em abril. Em comparação a maio de 2012, a taxa também não apresentou variação.
  • Brasil tem um dos maiores custos de trabalho no mundo: O custo unitário do trabalho – custo da produção em relação a salários e encargos – cresceu 158% em 10 anos no Brasil, bem acima do resultado registrado em países como Estados Unidos, Japão, Itália, Espanha, Alemanha e Coreia do Sul. Na comparação internacional, levando em consideração um patamar de base 100, entre 2001 e 2010 o custo unitário do trabalho no Brasil cresceu 112%, enquanto que, no Japão, no mesmo período, subiu apenas 9%, próximo do patamar de 2001. Nos Estados Unidos, o mesmo custo caiu 14% em dez anos. Esses dados foram calculados pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), baseados em informações do Bureau of Labor Statistics (BLS, órgão de estudos sobre emprego do governo norte-americano) e do Banco Central do Brasil. “Os salários vêm crescendo acima da produtividade da indústria brasileira”, afirma Guilherme Mercês, economista da gerência de Economia e Estatística da FIRJAN. Ele explica que o custo unitário do trabalho é um indicador muito usado por Bancos Centrais de todo o mundo com o objetivo de avaliar a existência de pressões inflacionárias advindas do mercado de trabalho. “Esse indicador tem subido consideravelmente no Brasil, especialmente a partir de 2010, e de forma mais rápida do que em outros países”, observa. Para o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), isso explica, em grande parte, o fraco desempenho da indústria brasileira. “Afeta a competitividade da indústria, pois torna a unidade produtiva mais cara”, argumenta. “Soma-se a isso o enorme custo tributário e logístico, carga de impostos elevada e complexa e infraestrutura deficiente, o chamado Custo Brasil”, diz. Segundo a FIRJAN, o Custo Brasil representa um acréscimo de 22,6% a 30,9% nos preços dos produtos da indústria de transformação do país. O produto nacional é, em média, 15% mais caro que o importado dos EUA, diz a Federação. De acordo com o Índice de Competitividade Mundial 2013, divulgado pelo International Institute for Management Development (IMD), o Brasil perdeu ainda mais espaço no cenário internacional, passando para a 51ª posição, cinco abaixo do 46ª lugar ocupado no ranking do ano passado. A pesquisa avalia as condições de competitividade de 60 países a partir da análise de dados estatísticos nacionais e internacionais e pesquisas de opinião realizada com executivos. Para o diretor do IMD, o grande problema do país é “muito consumo e pouca produção”. “A perda de produtividade da indústria brasileira está relacionada, em grande parte, ao mercado de trabalho aquecido”, explica o economista da FIRJAN. “De modo geral, na estrutura de custos de uma empresa a folha de pagamentos é o item principal. Isso é ainda mais verdade nos setores intensivos em mão de obra”, observa. “Temos hoje uma situação parecida com a que aconteceu na Europa nas últimas décadas”, observa Barbosa Filho, da FGV. “O custo unitário da Grécia, por exemplo, em comparação com o da Alemanha, aumentou rápido demais. Parte da crise europeia é decorrente desse movimento de aumento do custo de trabalho em relação à produtividade”, alerta. Para Barbosa Filho, o aumento do salário mínimo tem feito com que determinados setores, que não tiveram aumento de produtividade, sofram mais, como é o caso do setor industrial: “Para solucionar esse problema, só mesmo com medidas de longo prazo, como a redução do Custo Brasil, melhoria da infraestrutura, etc. O aumento da renda do trabalhador é desejável, mas se isso ocorrer de forma acelerada e sem um movimento correspondente da produtividade, pode causar efeitos colaterais”, pondera. Especificamente, são dois efeitos: perda de competitividade do produto nacional e pressão sobre a inflação. “E isso torna esse movimento insustentável, pois sufoca as empresas, via aumento de custos, e os consumidores, via aumento da inflação (perda do poder de compra)”, diz Mercês. Para o economista da FIRJAN, de modo geral o mundo – mas especialmente a Europa – tem se esforçado para conter e até mesmo reduzir os custos do trabalho, exatamente na tentativa de ganhar competitividade e crescer mais no futuro. “Esse é um desafio enorme e politicamente difícil de ser superado. Afinal, é difícil argumentar que menos salário hoje significa mais emprego no futuro”.
  • OIT alerta que mundo terá 208 milhões de desempregados em 2015: Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, o mercado de trabalho ainda sofre e está longe de retornar ao nível de antes da turbulência. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o tema “Reparando o tecido econômico e social” estima que o número de desempregados no mundo chegue a 207,8 milhões em 2015, frente aos cerca de 200 milhões atuais. O déficit frente ao número de empregos de antes da crise ainda é de 14 milhões de vagas. Se considerarmos os 16,7 milhões de jovens que chegarão ao mercado ainda este ano, a falta de postos de trabalho é estimada em 30,7 milhões em 2013. O cenário traçado pela OIT é de uma situação desigual, em que economias emergentes e em desenvolvimento mostram uma recuperação muito mais rápida que a de economias avançadas. A taxa de desemprego mundial está hoje em 5,9%, 0,5 ponto percentual acima dos 5,4% no período pré-crise. E o que preocupa, segundo a OIT, é que o desemprego continua a subir. Ao longo de 2012, foram três milhões de desempregados a mais no mundo. Já o nível de ocupação — que corresponde às pessoas empregadas com mais de 15 anos em relação ao total dessa faixa etária na população — estava em 55,7% no 4º trimestre de 2012, frente aos 56,6% do 4º trimestre de 2007. E a previsão da OIT é que, diante do atual cenário, o nível de ocupação só volte ao nível pré-crise no próximo ano. “Os números apresentam uma evolução positiva em muitas partes do mundo em desenvolvimento, mas pintam um quadro preocupante em muitos países de alta renda, apesar da recuperação econômica. A situação em alguns países europeus, em particular, está começando a forçar seu tecido econômico e social. (...) Precisamos prestar muita atenção para reduzir a desigualdade que está aumentando em muitas partes do mundo”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. O Brasil é um dos 19 países, entre as 65 nações do levantamento da OIT, em que o nível de ocupação avançou entre o 4º trimestre de 2007 e igual período de 2012. Ao lado do país, estão Chile, Colômbia, República Dominica, Peru, Rússia e Alemanha, entre outros. Em um segundo grupo, de 24 países, houve alguma melhora na ocupação, mas ainda insuficiente para atingir os níveis de antes de 2007. Um terceiro e último grupo — formado por 22 países, principalmente da Zona do Euro — registra nível de ocupação em média 2,8 pontos percentuais inferior ao do 4º trimestre de 2007.
 

domingo, 2 de junho de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Abril e Maio de 2013

O governo, enfim, se rendeu ao óbvio, e aumentou a taxa SELIC para 8,0%, em defesa da estabilidade econômica e combate à inflação. Por outro lado, os dados do 1º trimestre do PIB brasileiro ficaram abaixo da expectativa, o que ajuda a construir um cenário macroeconômico de pressão inflacionária, taxas de juros em alta, e baixo crescimento, tudo o que o governo não queria, mas que poderia ter evitado há mais tempo. O Dólar, que vinha se mantendo no patamar de R$ 2,00 há vários meses, fechou o maio em R$ 2,1430, principalmente devido às boas notícias vindas do mercado americano.
  • PIB cresce 0,6% no 1º tri de 2013, menos do que o esperado pelo mercado e pelo governo: Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o PIB cresceu 0,6% no 1º trimestre em relação aos últimos três meses de 2012, chegando ao valor de R$ 1,11 trilhão. Os economistas esperavam um número maior, perto de 1%, mas acabou ficando no piso das projeções, que estavam entre 0,6% e 1,1%. Isso significa que a economia manteve exatamente o mesmo ritmo de crescimento registrado no último trimestre do ano passado (0,6%). Como um todo o PIB melhorou, mas foi puxado, principalmente, pela Agropecuária e pelos Investimentos, que cresceram 9,7% 4,6%, respectivamente. A Indústria teve queda de 0,3%, e os Serviços, que têm maior peso, avançaram ‘apenas’ 0,5%. Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu só 0,1%, enquanto o do governo ficou estável. Segundo o IBGE, o PIB acumula crescimento de 1,2% em 12 meses em relação aos quatro trimestres anteriores. Em relação ao 1º trimestre de 2012, o crescimento é de 1,9%.
  • Boletim Focus reduz novamente estimativa do PIB em 2013 para 2,77%: De acordo com o último Boletim Focus de maio, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2013, de 3,00% no início do mês, para 2,77% no final do mês. Para 2014, a projeção também caiu, de 3,50% para 3,40%. O governo, que em março acreditava em crescimento de 4%, já admite baixo desempenho para este ano, e com a decisão (pelo menos aparente) de priorizar o combate da inflação, a tendência é que a economia tenha que ser trabalhada não sob o viés do crescimento via consumo, mas com investimento produtivo e ampliação da oferta.
  • Banco Mundial prevê que Brasil crescerá menos que a América Latina em 2013: A região da América Latina e do Caribe deverá crescer 3,5% neste ano, ante alta de 3% no ano passado, mas ainda ficará abaixo da média de 5% observada antes da crise de 2008 e 2009 ou de 6% em 2010, prevê o Banco Mundial, em seu relatório semestral. O banco projeta que o Brasil e a Argentina deverão ter crescimento abaixo da média regional em 2013, em torno de 3%, superando, porém, a taxa de crescimento de 2%, em 2012. Segundo o relatório, estão diminuindo os ventos globais favoráveis que facilitaram o crescimento econômico robusto e a inclusão social na América Latina e Caribe na última década. O banco destaca ainda que o novo contexto global — de excesso de liquidez, crescimento mais lento na China, atividade econômica fraca e dívida pública elevada no mundo desenvolvido— aponta para a necessidade de a América Latina fazer mais por conta própria, a fim de voltar às taxas de crescimento semelhantes às taxas registradas na última década. Ele afirmou que a ênfase política está mudando dos motores externos para motores de crescimento interno, e das preocupações com a estabilidade macroeconômica e financeira para reformas de estímulo à produtividade. "À medida que os ventos globais favoráveis diminuem, a capacidade dos países da América Latina para crescer acima de 3,5% depende essencialmente deles mesmos”. O relatório observa que as conquistas da América Latina e Caribe na década de 2000 foram significativas, incluindo a estabilidade macroeconômica, crescimento sólido, redução da pobreza e uma distribuição de renda mais justa. De acordo com o Banco Mundial, o desafio para a política econômica daqui para frente é "preservar e trabalhar sobre os ganhos passados, consolidando os dividendos de um crescimento com inclusão social, e fazer isso sem a ajuda de ventos favoráveis globais".
  • COPOM aumenta, pela 2ª vez consecutiva, a taxa de juros SELIC para 8% ao ano: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros – a SELIC – de 7,5% para 8,0% ao ano, na última reunião realizada em 28 e 29 de maio. O motivo, segundo nota, foi a inflação, que tem sido motivo de preocupação da equipe econômica nos últimos meses. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse a nota. Tal decisão veio confirmar as análises deste boletim, iniciadas há quase um ano atrás, de que a autoridade monetária teria que aumentar, em algum momento, a taxa de juros básica da economia para segurar a inflação. A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do COPOM. Na reunião anterior, em 17 de abril, dois dos oito integrantes do Comitê votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano. Esta última alta, a 2ª consecutiva, ocorre no mesmo dia em que foi divulgado que economia brasileira cresceu abaixo do esperado no 1º trimestre de 2013. Na reunião de abril, o Comitê já havia indicado que a inflação preocupava não só pelo índice como pela dispersão – ou seja, pela quantidade de itens que registravam alta. Ainda assim, havia uma aposta de que "incertezas" na economia do Brasil, e principalmente, no cenário externo, reduziria a pressão sobre os preços, o que acabou não se confirmando como esperado. Em nota, a Força Sindical avaliou que a decisão do COPOM "acende o sinal de alerta para os trabalhadores porque, embora os índices mostrem bom nível de emprego, elevar a taxa SELIC contribuirá para a redução de investimentos no setor produtivo, obrigando o governo a pagar mais juros para investidores”. Ao contrário da Força Sindical, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FECOMERCIO-SP) apoiou a decisão do COPOM. "O BC acertou duplamente ao elevar a SELIC em 0,5 ponto percentual: indicou atenção ao patamar atual e à trajetória da inflação e cautela em promover um ajuste gradual da taxa", afirmou, em nota. A próxima reunião do COPOM está marcada para 9 e 10 de julho. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, a taxa SELIC deve ficar em 8,50% em 2013 (0,25 ponto percentual acima da projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também está em 8,50% (no início do mês era de 8,25%). Ou seja, a expectativa é de que haja, pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013. Outro fato importante foi a mostra do Presidente do Banco Central de que o foco de entidade deve ser, prioritariamente, o controle da inflação e da moeda, e não um instrumento de política do governo, como estava acontecendo até então.
  • IPCA-15 de maio fica em 0,46% e acumula 3,06% em 2013: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial brasileira, apresentou variação de 0,46% em maio e ficou abaixo da taxa de 0,51% registrada em abril. Em 2013, o IPCA-15 apresenta valor acumulado de 3,06%, bem acima da taxa de 2,39% relativa a igual período de 2012, o que justifica a preocupação do mercado e do próprio governo com a persistência da inflação neste ano. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA-15 situou-se em 6,46%, descendo dos 6,51% presentes nos 12 meses imediatamente anteriores. Os grupos ‘Saúde e Cuidados Pessoais’, ‘Vestuário’ e ‘Habitação’ tiveram os maiores impactos no IPCA-15 (1,30, 0,76 e 0,72 ponto percentual, respectivamente). Os remédios, em especial, com 0,10 ponto percentual, lideraram os principais impactos do mês. Já o grupo ‘Alimentos e Bebidas’ (que tem sido o grande vilão da inflação nos últimos meses), embora tenham aumentado 0,47%, mostraram forte recuo em relação a abril, quando a alta havia sido de 1,00%, e contribuíram fortemente para a queda do índice em maio.
  • Inflação medida pelo IGP-M ficou estável em maio, em 0,00%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 5º mês de 2013 em 0,00%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com isso, o acumulado em 2013 está em 0,9936%, e nos últimos 12 meses, o índice está em 6,2160%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, o IGP-M deve ficar em 4,27% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 4,75%). Para 2014, a projeção está em 5,30% (no início do mês era de 5,28%).
  • Dólar fechou maio em R$ 2,1430: O Dólar encerrou o 5º mês do ano acima de R$ 2,00. A cotação de 31 de maio foi de R$ 2,1430, ante R$ 2,0100 verificada no início do mês. O Euro fechou maio a R$ 2,7676, ante R$ 2,6258 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, apresentou em maio ganho de +6,61%, e no ano, até agora, acumula ganho de +4,74%. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de maio, é de R$ 2,05. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,10. O Banco Central (BC) manteve-se longe dos negócios. Profissionais do mercado citaram que, aparentemente, a autoridade monetária está disposta a permitir um Dólar em patamares mais altos. O movimento de alta no Brasil acompanha o avanço da moeda americana no exterior, onde o Dólar sobe ante boa parte das divisas com elevada correlação com commodities e em relação ao Euro. Os dados positivos divulgados nos Estados Unidos – aumento do índice de confiança do consumidor americano - têm motivado a busca pelo Dólar, em meio à percepção de que, com a economia americana se recuperando, aumentam as chances de que o Federal Reserve (FDE, o banco central do país) reduza o programa de compra de bônus. Com as boas notícias, os principais índices de ações em Nova York e na Europa subiram, enquanto o Dólar se fortaleceu com a perspectiva de que, numa economia em recuperação, os estímulos do FED podem ser retirados no futuro próximo. Isso, nas últimas semanas, tem fortalecido a moeda americana. No Brasil, mesmo com o Dólar acima de R$ 2,07, o BC não entrou no mercado — o que poderia ocorrer, conforme alguns analistas, por meio de leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro). A decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) sobre a SELIC traz um ingrediente adicional para os negócios. Apesar de o BC, na visão de alguns profissionais, estar confortável com um Dólar mais alto, já que o controle preferencial da inflação será feito via SELIC, ainda há certa preocupação com a alta da moeda americana.
  • Brasileiros têm endividamento recorde no 1º trimestre: O endividamento dos brasileiros com o sistema financeiro nacional bateu novo recorde ao final do 1º trimestre de 2013. Segundo o Banco Central, as dívidas das famílias correspondiam, em março, a 43,99% da renda anual. Em fevereiro, recorde anterior, o índice estava em 43,79%. No fim do 1º trimestre de 2012, era de 42,37%. Segundo o BC, parte do aumento do endividamento nos últimos anos está ligada ao crédito habitacional. Se forem excluídas as dívidas com a compra de imóveis, o endividamento fica em 30,48% da renda em março, ante 30,54% em fevereiro. Em março do ano passado, estava em 31,17%. Ao divulgar os dados sobre o crédito em abril, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que muitas famílias estão substituindo o pagamento do aluguel (que não entra na estatística da instituição sobre dívidas) pelo financiamento habitacional, um endividamento de longo prazo, com juros mais baixos e que significa aumento de patrimônio. O BC também divulgou números sobre o comprometimento de renda dos brasileiros, que considera dados mensais de renda e prestações pagas aos bancos. As prestações correspondiam, no 3º mês do ano, a 21,66% da renda mensal dos trabalhadores, ante 21,84% em fevereiro (dado revisado). Também houve queda em relação a março de 2012, quando o comprometimento estava em 22,91% da renda. Se forem retirados da conta os financiamentos habitacionais, o comprometimento da renda mensal fica em 20,06% em março de 2013, ante 20,24% em fevereiro.
  • Brasil criou 196.913 vagas de trabalho em abril: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a abril de 2013, foram criados no Brasil, 196.913 novas vagas de emprego com carteira assinada, expansão de 0,49% na comparação com março, mantendo a trajetória de expansão, e constituindo-se no maior saldo do emprego desde maio de 2012. Nos últimos 12 meses, o índice registrou a criação de 1.087.410 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,79% no contingente de empregados celetistas do país. No acumulado do ano, o mercado teve um acréscimo de 549.064 novas vagas. Na análise mensal, houve elevação em todos os oito setores de atividade econômica analisados. Em números absolutos, o destaque ficou com Serviços, com 75.220 novas vagas de trabalho, seguido da Indústria de Transformação (+40.603 novos postos), da Construção Civil (+32.921 novos postos) e da Agricultura (+24.807 novas vagas).
  • Taxa de desemprego atinge 5,8% em abril, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País, ficou em 5,8% em abril, ante 5,7% em março. O resultado veio no teto do intervalo das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de 5,5% a 5,8%, com mediana de 5,6%. A taxa é a menor para um mês de abril desde o início da série histórica, em março de 2002. Em relação a março deste ano, a população ocupada caiu 0,1% e, ante abril de 2012, avançou 0,9%.
  • “Economia dos EUA nunca mais será a mesma”: A época de ouro vivida pelos Estados Unidos antes do início da crise econômica em 2008, não deverá mais voltar, de acordo com Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA executivo da FAAP, especialista em economia internacional. A afirmação do diretor é pautada pela comparação com a economia britânica nos anos 20, após o Tratado de Versalhes, acordo de paz na Europa, que colocou fim oficialmente à primeira Guerra Mundial. "O ano de 2008 nos Estados Unidos é o 1919 dos ingleses. Devagar, depois do tratado, o império financeiro do mundo, em Londres, foi passando para Nova York. O mesmo irá acontecer com os Estados Unidos, que deixará de ser a potência econômica para a China e nunca mais voltarão a ser como antes", explica o professor. No entanto, ele destaca que os americanos continuarão a ser poderosos em pesquisa, organização e armamento, mas "a economia da China irá ultrapassá-los na metade da próxima década", pontua. A declaração veio após uma análise sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos no 1º trimestre. A primeira estimativa do Produto Interno Bruto da maior economia do mundo teve expansão de 2,5%, contra crescimento de 0,4% no 4º trimestre de 2012, impulsionada pelo aumento de 3,2% no consumo das famílias (contra 1,8% no trimestre anterior), pela alta de 2,9% nas exportações (ante -2,8% no último trimestre de 2012) e pelo expressivo crescimento dos investimentos do setor privado (12,3%, contra 1,3% no trimestre imediatamente anterior). No entanto, o valor ainda ficou abaixo das expectativas, que previam crescimento de 3,2%. A melhora foi limitada por causa dos gastos do governo com consumo e investimento, que caíram 4,1% (vindo de uma queda de 7% no 4º trimestre de 2012) por conta da forte contração dos gastos com a defesa, cuja queda foi de 11,5%. "Esse resultado reflete o ajuste fiscal iniciado pelo governo norte-americano no ano fiscal de 2013, que prevê um corte de US$ 85 bilhões no orçamento, sendo metade desse total deduzido exatamente do orçamento destinado ao Departamento de Defesa", aponta o analista da Concórdia, Flávio Combat, em relatório. Na opinião do professor, a presença militar americana nos outros países será cada vez menor, por conta da redução dos investimentos e também porque "o americano já está cansado deste cenário". Desta maneira, os gastos do governo já não serão mais uma das molas propulsoras do crescimento do país, mas sim os investimentos do setor privado. "Os americanos continuarão liderando as pesquisas de inovações, educação e saúde, mas manterão seu ritmo de crescimento entre 2,5% e 3%", diz Santos, que projeta expansão para este ano entre 1,5% e 2%. No que se refere à questão fiscal, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, apresentou ao Congresso um plano de gastos de US$ 3,8 trilhões para o próximo ano, que já contempla uma série de medidas para conter o aumento de gastos com saúde e seguridade social. No entanto, para conseguir esses cortes, a Casa Branca prevê aumento da tributação sobre as famílias mais ricas e sobre as empresas, propostas incisivamente combatidas pelos republicanos. "O aumento de impostos sobre os mais ricos e empresas é parte fundamental do ajuste fiscal planejado pelos democratas, que enxergam as iniquidades tributárias entre as classes mais ricas e as mais pobres como um dos principais problemas a serem enfrentados durante a reforma fiscal", completa Flávio Combat. Segundo estimativas da Casa Branca, a elevação dos impostos permitiria o aumento da arrecadação em US$ 1 trilhão na próxima década. Os republicanos insistem na manutenção dos benefícios fiscais e enfatizam a necessidade de cortes de até US$ 4,6 trilhões para os próximos dez anos, com severos ajustes nos programas sociais financiados pelo Estado. O resultado mais imediato desse embate é o travamento da pauta de projetos que tramitam no Congresso, dificultando a aprovação de novos estímulos para sustentar a atividade nos Estados Unidos. "Essa questão é totalmente política, o que é super normal, mas no fim os republicanos sabem que os democratas são mais fortes, uma vez que têm apoio da população", enfatiza o diretor da FAAP.

domingo, 14 de abril de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Março de 2013

O grande debate no Ambiente Econômico é sobre os próximos passos da equipe econômica do governo brasileiro frente a dois problemas: inflação em alta e crescimento em baixa. A primeira estratégia do governo foi apostar no crescimento econômico, deixando o controle da inflação num segundo plano. Entretanto, os últimos dados conjunturais, bem como as declarações do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central, apontam para uma mudança de estratégia, com a inflação assumindo papel principal na política econômica do governo. A consequência esperada é de que haja uma retomada do aumento da taxa de juros já na próxima reunião do COPOM, no mês de abril, como este boletim vinha alertando e destacando há mais de um ano.
  • Inflação oficial fica em 6,59% em 12 meses, acima da meta do governo: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,47% em março, após alta de 0,60% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses até março, o IPCA avançou 6,59% no mês passado, mostrando alta ante os 6,31% de fevereiro, e estourando o teto da meta do governo, de 6,5%. No ano, o IPCA já acumula uma alta de 1,94%. Segundo as projeções do Banco Central, através do seu Boletim Focus do final de março, o IPCA deverá encerrar o ano em 5,70%. Para 2014, as projeções subiram de 5,50% (início de março) para 5,70% (final do mês).
  • Inflação acima da meta já torna alta dos juros iminente: Os dados sobre inflação no curtíssimo prazo irão determinar se o Banco Central irá ceder aos apelos de agentes do mercado financeiro, que defendem uma alta da taxa SELIC já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), ou se a decisão será postergada para o mês de maio. O próximo encontro está marcado para os dias 16 e 17 de abril. A alta disseminada dos preços está presente na economia desde o ano passado. No entanto, a partir de agora, ela passa a ter maior peso na formação dos índices de inflação para o ano que vem, o que reforça a atenção em cima desses dados. No acumulado de 12 meses, a inflação medida pelo IPCA já ultrapassou o teto da meta, que é de 6,5%. No entanto, se continuar assim, as projeções para 2014 começarão a ser revistas para cima, e é com isso que o BC está preocupado. Para o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Melo, o ciclo de alta dos juros deve ter início na reunião de maio, fazendo com que a SELIC suba de 7,25% ao ano para 8,5% até o final do ano. O executivo reforça que o BC está trabalhando com um horizonte mais longo, uma vez que resta pouca coisa a fazer em relação à inflação de 2013. "O BC está de olho em qualquer pressão inflacionária ou sobre o mercado de trabalho”. Para o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luiz Otávio Leal, o BC irá analisar os dados de curto prazo e, como base nesses fatores irá tomar a decisão sobre aumentar os juros. Por enquanto, a expectativa é de uma alta apenas em maio. A instituição trabalha com cenário de elevação em que, em dezembro, a SELIC estará em 8,5% ao ano. Nessa análise, o PIB do 1º trimestre, que será divulgado na decisão da reunião de maio, também terá um peso relevante. Por outro lado, Tatiana Pinheiro, economista do Santander, avalia que a SELIC será mantida em 7,25% até o final do ano. Na avaliação de Felipe Queiroz, economista da Austin Ratings, a autoridade monetária ainda se divide entre os dilemas de controlar a inflação ou estimular a economia. Por isso, ele acredita que o IPCA de março ainda não será o necessário para uma alta da SELIC. "A inflação não decorre da demanda em si e, sim, na oferta. Os preços tem se elevado no grupo de serviços, se alterar os juros vai ter impacto maior sobre a indústria do que sobre preço dos serviços que é quem de fato pressiona o índice neste momento", afirma.Para ele, a taxa de desemprego em baixa e os salários aumentando acima do nível de produtividade fazem com que as pessoas ganhem mais, o que consequentemente aumenta o consumo por serviços, que é um segmento com uma capacidade restrita. "Alterando ou não os juros não vai aumentar o número de vagas no estacionamento", brinca. Queiroz lembra que o grande problema da economia brasileira atualmente é não crescer e, consequentemente não conseguir atender sua demanda. De acordo com o economista, a preferência é que se tenha uma taxa básica de juros estável para que se tenha um nível de investimento produtivo maior. "Acreditamos que a SELIC tende a se manter estável". A projeção da Austin é de que, se houver reajuste, só a partir de setembro, com duas altas consecutivas 0,25 ponto percentual, com a SELIC encerrando o ano a 7,75% ao ano. O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que a inflação se encontra em seu pico de alta e, salvo choques que não tem como serem previstos, vai desacelerar nos próximos meses, até pela alta base de comparação do 2º semestre de 2012. "As projeções sugerem que a inflação em 12 meses tende a cair, ou não subir muito mais. Hoje vai ser o pior dos mundos para o BC, mas tudo indica que vai melhorar", diz Perfeito sobre a divulgação do IPCA.
  • Banco Central e Fazenda afinam discurso e sinalizam alta da SELIC já em abril: O Banco Central e o Ministério da Fazenda afinaram ainda mais o discurso e pavimentaram o caminho para que o ciclo de aperto monetário comece já na próxima reunião do COPOM, ao enfatizarem que o governo não vai deixar a inflação sair do controle. Participando de eventos em cidades diferentes, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defenderam que a escalada de preços não será tolerada, o que, na avaliação mercado, mostrou uma sintonia para que o Comitê de Política Monetária (COPOM) eleve a SELIC na próxima reunião, dias 16 e 17 de abril, e não em maio, como ainda prevê uma parte dos agentes econômicos. O principal sinal dado por Tombini, segundo especialistas, foi a inclusão da palavra "atentamente" na sua declaração sobre o monitoramento feito pelo BC dos indicadores econômicos para decidir sobre o futuro da política monetária. Especialistas lembraram que essa foi a senha para, no passado recente, o COPOM começar um ciclo de aperto. "O Banco Central tem dito que não há e não haverá tolerância com a inflação. Nós estamos nesse momento monitorando atentamente todos os indicadores e obviamente no futuro vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária", afirmou Tombini, em um pouco usual comentário a menos de uma semana da reunião do COPOM. Sua fala jogou ainda mais combustível no mercado futuro de juros, com as taxas dos DIs mais curtas disparando, fortalecendo as apostas de que o COPOM elevará a SELIC —hoje na mínima histórica de 7,25% ao ano— na reunião dos próximos dias 16 e 17. A taxa básica de juros não sobe desde meados de 2011, quando o BC deu início à série de dez cortes seguidos até outubro passado e que levou a SELIC para seu atual patamar, a fim de estimular a atividade econômica. Agora, o cenário é outro. Mesmo com a recuperação econômica sem sinais robustos, a inflação permanece em níveis muito elevados, tendo estourado o teto da meta oficial em março, com o IPCA chegando a 6,59% em 12 meses, mesmo com todos os esforços do governo para tentar segurar os preços. Mais recentemente, a equipe econômica e a própria presidente Dilma Rousseff endureceram o discurso contra a inflação, enquanto o BC evidenciava a necessidade de ter cautela na condução da política monetária. Diante disso, uma boa parte dos agentes econômicos acreditava que a SELIC subiria somente no encontro de maio do COPOM. Mas esse sinal parece ter perdido força. Para o estratagista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno, o fato de Tombini ter dito que monitorará "atentamente" os dados econômicos deixou claro que a porta está aberta para elevação da SELIC já na próxima reunião. A fala do presidente do BC já fez alguns especialistas mudarem suas projeções sobre a SELIC, antecipando a alta de maio para abril. É o caso da Nomura Securities, que agora vê a taxa básica subindo 0,50 ponto percentual na próxima reunião, mas mantendo a perspectiva de que fechará o ano a 8,75%. Pouco antes das declarações de Tombini, Mantega já havia reforçado, na visão do mercado, que o ciclo de aperto começaria agora. O ministro disse, durante evento em São Paulo, que o BC poderá elevar a SELIC se considerar necessário para combater a inflação. Repetiu ainda que o governo tomará todas as medidas necessárias para segurar a escalada dos preços e impedir a dispersão da inflação por meio das expectativas. "Não titubeamos em tomar medidas. Inclusive posso dizer que, mesmo as medidas que são consideradas menos populares, são tomadas, por exemplo, em relação às taxas juros, quando isso é necessário", disse Mantega durante palestra em São Paulo. O ministro afirmou ainda que o calendário político não influencia as decisões de política monetária. "Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição. Por exemplo, em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político", comentou Mantega. Será???
  • Inflação medida pelo IGP-M desacelera para 0,21% em março: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 3º mês de 2013 em 0,21%, ante 0,29% ocorrida em fevereiro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A variação acumulada em 2013 é de 0,84%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses até março é de 8,05%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de março, o IGP-M deve ficar em 4,93% em 2013. Para 2014, a projeção é de 5,31%.
  • IBC-Br cai 0,52% em fevereiro ante janeiro: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,52% em fevereiro em relação ao mês anterior, após registrar alta de 1,43% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), o número passou de 144,71 pontos em janeiro para 143,96 pontos em fevereiro na série dessazonalizada. A queda do IBC-Br de fevereiro ante janeiro é menor que a mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro e ficou dentro do intervalo das estimativas (-1,10% a +0,30%). Na comparação entres os meses de fevereiro de 2013 e de 2012, houve expansão de 0,44% do índice, na série sem ajustes sazonais. A queda de 0,52% do índice, em fevereiro, em relação ao mês anterior, é o maior recuo para esse mês do ano desde fevereiro de 2005, quando a queda também foi de 0,52% na série com ajuste sazonal. Em relação a todos os meses do ano, a queda do IBC-Br em fevereiro de 2013 é a maior variação negativa desde a queda de 0,84% em setembro de 2012 ante agosto do ano passado. O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. Segundo as projeções do Banco Central, através do seu Boletim Focus do final de março, o PIB deverá encerrar o ano em 3,00%. Para 2014, as projeções continuam em 3,50%.
  • Dólar fechou março em R$ 2,0210: O Dólar encerrou o 3º mês do ano um pouco acima de R$ 2,00. A cotação de 28 de março foi de R$ 2,0210, ante R$ 1,9830 verificada no início do mês. O Euro fechou março a R$2,5853, ante R$ 2,5762 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de março, é de R$ 2,00. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,05. Em março, o Dólar apresentou ganho de +1,91%, e no ano, até agora, a perda é de-1,22%.
  • Produção industrial recua 2,5% em fevereiro: Em fevereiro de 2013, a produção industrial recuou 2,5% em relação ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, praticamente eliminando a expansão de 2,6% registrada em janeiro. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou queda de 3,2% em fevereiro de 2013, após registrar avanço de 5,5% em janeiro último. A queda de 2,5% da atividade industrial na passagem de janeiro para fevereiro alcançou 15 dos 27 ramos pesquisados, com destaque para a influência negativa exercida pelo setor de veículos automotores, que recuou 9,1% nesse mês, eliminando o avanço de 6,2% verificado em janeiro último. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de farmacêutica (-10,8%), refino de petróleo e produção de álcool (-5,8%), bebidas (-5,2%), alimentos (-1,3%), mobiliário (-9,9%), celulose, papel e produtos de papel (-2,0%) e indústrias extrativas (-1,9%). As principais pressões positivas sobre a média da indústria vieram de outros equipamentos de transportes (9,6%), máquinas e equipamentos (1,7%), fumo (36,2%), que recuperou parte da perda de 53,7% registrada em janeiro, e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (4,6%).
  • Inadimplência cai pelo 3º mês consecutivo: O indicador de registro de inadimplentes apresentou queda de 1% em março ante fevereiro, descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados pela Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). No 1º trimestre de 2013, o indicador acumula redução de 5,6% ante igual período de 2012. Segundo a Boa Vista, o resultado de março manteve a tendência de queda observada desde o início do ano e é "reflexo da continuidade dos impactos positivos das melhores condições do mercado de crédito, influenciadas pela queda da taxa básica de juros e spreads bancários, e do aumento da população com vínculo empregatício ao longo de 2012, além da maior seletividade dos bancos privados na oferta do crédito", segundo nota. Por conta deste cenário, o órgão estima uma continuidade na desaceleração do registro do número de inadimplentes ao longo de 2013, fechando o ano com um aumento inferior a 1%. Em relação a março de 2012, a queda no número de novos registros de inadimplência no mês passado foi de 10,4%. No acumulado de 12 meses, em comparação aos 12 meses anteriores, o indicador apontou uma queda de 0,2%, fato que não ocorria desde outubro de 2010. O valor médio das dívidas incluídas em março foi de R$ 1.340, 6,62% maior que o apurado em fevereiro. O indicador de recuperação de crédito — obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplentes — caiu 4,3% no mês passado em relação a fevereiro, descontados os efeitos sazonais. Na comparação com março de 2012, houve elevação de 3,4%. No trimestre, o indicador acumula expansão de 5% ante o mesmo período do ano anterior. Para a Boa Vista, as melhores condições do mercado de crédito e aumento da população empregada também devem continuar contribuindo positivamente para a recuperação de crédito em 2013. "Assim, espera-se uma dinâmica da recuperação de crédito em intensidade semelhante à observada nos três primeiros meses do ano. Projeta-se para 2013 uma elevação de 4,8% em relação a 2012".
  • País cria 123.446 novos empregos em fevereiro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a fevereiro de 2013, foram criados no Brasil, 123.446 novas vagas de emprego com carteira assinada, o que corresponde a um crescimento de 0,31% no estoque de assalariados em relação ao mês anterior. No mês foram 1,774 milhão de admissões, e 1,650 milhão de desligamentos. Em termos setoriais, os dados mostram que, dos oito setores que participam do levantamento, cinco tiveram variação positiva no 2º mês do ano. Destaque para os Serviços, com +82.061 novos empregos, a Indústria da Transformação, com +33.466 novos empregos, e para a Construção Civil, com +15.636 novos postos. O Comércio apresentou queda de -10.414 vagas, bem como a Agricultura, com -9.775 vagas.
  • Aumenta percepção de risco do Brasil entre investidores: Os investidores globais diminuíram no último ano a percepção de risco sobre os títulos públicos brasileiros, mas isso não foi suficiente para tirar o país da lista dos mais arriscados para aplicar recursos. Além disso, o movimento dos últimos três meses tem apontado reversão para esta tendência, com os aplicadores mais receosos com o país daqui pra frente. A avaliação toma como base os custos dos Credit Default Swaps (CDSs), operações que protegem investidores contra calotes de países e, por isso, funcionam como um ‘seguro’ de títulos soberanos. O levantamento foi feito para o Brasil Econômico porr Ricardo Torres, professor da BBS Business School, com base em dados da Bloomberg. O Brasil terminou fevereiro com saldo da dívida mobiliária federal de R$ 1,864 trilhão, equivalente a 41,7% do PIB, tem reservas em dólar na ordem de R$ 377,9 bilhões e uma dívida externa total de US$ 316,3 bilhões, de acordo com o Banco Central. “No conjunto, temos um histórico positivo e a situação é confortável, porque o que a economia gera de receitas é compatível para pagar as dívidas”, diz Torres. Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, acredita que a queda anual não invalida o fato de os investidores estarem preocupados com o Brasil. “Um pouco antes do final de 2012 para cá, houve uma reavaliação das perspectivas da economia brasileira, com uma condução que inclui ingerências do governo no setor privado, que tem afugentado os investidores e criado uma percepção de que o país não é tão confiável quanto há um ano”, afirma. No âmbito de política monetária, ele cita a menor clareza com as metas de inflação, que não são buscadas com tanto rigor quanto antes, e os rumores de menor autonomia do Banco Central para alterar juros. Já no âmbito de política fiscal, há o problema da “contabilidade criativa.” Para se ter uma idéia, nos últimos três meses, o custo dos CDSs no Brasil subiram 10,87 pontos. “O prêmio de risco brasileiro subiu nos últimos meses, basicamente em função das medidas do governo, como desonerações para inflar o Produto Interno Bruto, jogando os ajustes da economia para frente”, pondera o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho. Por este motivo, a avaliação do Brasil é pior do que a de México, cujos CDSs têm custo de 89,50 pontos e da Colômbia, com 93,88 pontos. O custo dos CDSs brasileiros só não é maior do que os de países como Espanha (265,01 pontos), Itália (271,75 pontos) e Portugal (422,25 pontos), que sofreram nos últimos anos pelo estímulo fiscal dado em um momento de crise, cuja conta foi cobrada posteriormente por meio de um alto endividamento desses governos. Apesar de alto, o indicador desses países apresenta desaceleração, com queda de 205,1 pontos em Espanha, 151 pontos na Itália e 716,2 pontos em Portugal. “Isso não quer dizer que melhorou muito a situação desses países, mas que eles deixaram de ser piores”, destaca Queiroz, da Austin Rating. “Mesmo com a economia passando por dificuldades, taxa de desemprego alta e PIB com retração, as políticas adotadas têm controlado a situação e dado uma atenuada”, diz o economista.